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| (Jornal A Tarde, Coluna Opinião, Domingo, 26/01/14) |
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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
A MARCA DE AMOR
Um menino
tinha uma cicatriz no rosto, as
pessoas de seu colégio não falavam com ele e nem sentavam ao seu lado, na
realidade quando os colegas de seu colégio o viam franziam a testa devido à
cicatriz ser muito feia.
Então, a turma se reuniu com o professor e foi sugerido que aquele menino da cicatriz não frequentasse mais o colégio, o professor levou o caso à diretoria.
A diretoria ouviu e chegou à seguinte conclusão: Que não poderia tirar o menino da escola, e que conversaria com ele, e ele seria o último a entrar em sala de aula, e o primeiro a sair. Desta forma, nenhum aluno veria o rosto do menino, a não ser que olhasse para trás.
O professor achou magnífica a ideia da diretoria, sabia que os alunos não olhariam mais para trás.
Levada a decisão ao conhecimento do garoto, ele
prontamente aceitou a imposição do colégio, com uma condição: Que ele compareceria na frente dos alunos em sala de aula, para dizer o porquê daquela CICATRIZ.
A turma concordou e, no dia, o menino entrou em sala, dirigiu-se a frente e começou a relatar:
- Sabe turma, eu entendo vocês. Na realidade esta cicatriz é muito feia, mas foi assim que eu a adquiri:
"Minha mãe era muito pobre e, para ajudar na alimentação de casa, ela passava roupa para fora. Eu tinha por volta de 7 a 8 anos de idade..."
A turma estava
em silencio atenta a tudo. O menino continuou:
"Além de mim, haviam mais 3 irmãozinhos: um de 4 anos, outro de 2 anos e uma irmãzinha com apenas alguns dias de vida."
Silêncio total em sala.
- ...Foi aí que, não sei como, a nossa casa que era muito simples, feita de madeira, começou a pegar fogo. Minha mãe correu até o quarto em que estávamos pegou meu irmãozinho de 2 anos no colo, eu e meu outro irmão pelas mãos e nos levou para fora. Havia muita fumaça, as paredes que eram de madeira, pegavam fogo e estava muito quente...
"Minha mãe colocou-me sentado no chão do lado de fora e disse-me para ficar com eles até ela voltar, pois ela tinha que voltar para pegar minha irmãzinha que continuava lá dentro da casa em chama. Só que, quando minha mãe tentou entrar na casa em chamas, as pessoas que estavam ali não deixaram-na buscar minha irmãzinha. Eu via minha mãe gritar:
- 'Minha filhinha está lá dentro!'
"Vi no seu rosto o desespero, o horror, e ela gritava... mas aquelas pessoas não deixaram minha mãe buscar minha irmãzinha.
"Foi aí que decidi. Peguei meu irmão de 2 anos que estava em meu colo e o coloquei no colo do meu irmãozinho de 4 anos, e disse-lhe que não saísse dali até eu voltar.
"Saí de entre as pessoas, sem ser notado e quando
perceberam eu já tinha entrado na casa. Havia
muita fumaça, estava muito quente, mas eu tinha que pegar minha irmãzinha. Eu sabia o quarto em que ela estava.
"Quando cheguei lá ela estava enrolada em um lençol e chorava muito...
"Neste momento vi caindo alguma coisa, então, me joguei em cima dela para protegê-la, e aquela coisa quente encostou-se em meu rosto..."
A turma estava quieta atenta ao menino e envergonhada então o menino continuou:
- Vocês podem achar esta CICATRIZ feia, mas tem alguém lá em casa que acha linda, e todo dia quando chego em casa, ela, a minha irmãzinha, me beija, porque sabe que é marca de AMOR!
Vários alunos choravam, sem saberem o que dizerem ou fazerem, mas o menino foi para o fundo da classe e imovelmente sentou-se.
(ANÔNIMO)
terça-feira, 15 de outubro de 2013
CRISTAIS, ESTRELAS...
“Como frutos da terra, os
minerais, vegetais e animais não tem fim. Sempre se transformam. Em cada momento
produzem nova descoberta. Os antigos diziam que cada coisa é uma miniatura do
universo.
O homem é uma dessas miniaturas, que como tal recebe influências de tantas outras coisas.Os cristais, por exemplo, tem significado ao longo da história, o símbolo de um poder mágico.
Magia ou encantamento, o certo é que seduzem. Pode parecer muito estranho essa história de falar em miniaturas do universo... Os cristais, ah os cristais. Calma, muita calma.
A questão é que, assim como os cristais que levam milênios pra chegar a uma forma, nós, seres chamados humanos, levamos uma vida inteira pra perceber que a transformação é fundamental.
É... não é fácil não... o dia-a-dia consome a gente de tal forma, que deixamos muita
, muita coisa passar.O homem é uma dessas miniaturas, que como tal recebe influências de tantas outras coisas.Os cristais, por exemplo, tem significado ao longo da história, o símbolo de um poder mágico.
Magia ou encantamento, o certo é que seduzem. Pode parecer muito estranho essa história de falar em miniaturas do universo... Os cristais, ah os cristais. Calma, muita calma.
A questão é que, assim como os cristais que levam milênios pra chegar a uma forma, nós, seres chamados humanos, levamos uma vida inteira pra perceber que a transformação é fundamental.
É... não é fácil não... o dia-a-dia consome a gente de tal forma, que deixamos muita
Hoje, você está num navio rumo ao infinito, é essa sensação mesmo que fica, não é não?
O infinito. Pois imagine que antigamente a única coisa que orientava os navegadores eram as estrelas, o céu era o companheiro... O rumo.
Hoje tudo é diferente.
Bússolas, tecnologia moderna. Só uma coisa não mudou: As estrelas ainda podem nos indicar o caminho.
O caminho interior.
O nosso caminho interior.
Hoje a proposta é se redescobrir, reconhecer o caminho das estrelas.
Corre
corre, muita confusão.
O dia-a-dia deixa a gente muito enlouquecido.
O mercado é muito competitivo. Mas todos, todos que estão aqui, conseguiram superar muitos obstáculos. Cada um fez da batalha do dia-a-dia uma vitória. Em casa ou no trabalho. Cada um teve que conquistar seu espaço. Foram caminhos em que grandes parceiros se encontraram. É hora de comemorar nossa parceria. Hora de que a parceira de nosso dia-a-dia participe de mais uma vitória. As estrelas nos dão o caminho porque, lá no fundo, elas alimentam a nossa esperança... nos dão a certeza de que nada é em vão.
Que tal buscar novos sabores?
Temos tudo, sabemos muito,.. mas, ainda é muito, muito pouco.
Quantos sentimentos você escondeu ao longo do caminho?
Tááááá, eu sei..é a vida.
Mas, tenha certeza que tudo ficou aí... em algum canto.
Apertado, apertado nesse canto. Em nosso corpo moram as nossas dores e nossas alegrias.
E a gente acaba não prestando atenção.
Acabamos nos acostumando com tudo.
Perdemos a capacidade de admirar as coisas do mundo.
O tempo passa rápido demais, não tem volta.
Aprendemos a ser uma máquina. Uma máquina que faz e acontece, mas, às vezes, essa máquina tem uma função muito cruel: nos distrair da tarefa de sermos felizes, de sermos nós mesmos.
Nós esquecemos de que a mesma máquina que consegue modificar o mundo, inovar, fazer dinheiro, essa máquina tem que se alimentar de felicidade, é, se alimentar de felicidade.
Quantas vezes você deixou de ser feliz?
Ter medo? Rir? Chorar de alegria?
A vida passa e a gente nem percebe a diferença entre cumprir tarefas e saboreá-las.
Mexa no arquivo de sua memória, quantas vezes seu filho ou seu colega de trabalho pediu uma palavra de conforto e você nem percebeu?
Quantos momentos com seu marido/sua mulher poderiam ter sido inesquecíveis e não foram por falta de atenção?
Nossa! Tanta coisa passando e não volta.
O tempo definitivamente não para.
A gente é que precisa se dar o direito de aproveitar cada momento, embarcar numa aventura interior.
Deixar cair a armadura.
Vamos procurar saber o que nos faz sentido.
Se diverte -Vai! Vai pra cama e faz a festa, ou faz a festa e vá pra cama.
Quem não sonha, quem consegue ter certezas... tenta esquecer, só um pouquinho, o seu racional. Use o poder da sua emoção.
A vida corre, é o ritmo dela.
Mas a gente precisa fazer a nossa hora!
Esse é o detalhe que faz a diferença.
Ouse, procure descobrir a delícia dos detalhes.
Vamos pro caminho das estrelas, da nossa estrela.
O desafio é encontrar a estrela que ficou perdida no meio da nossa estrada. Você vai ter uma nova rotina, novas sensações, novos carinhos.
Podemos tudo, tudo. Imagine que você está permitindo uma revolução interior, uma aventura.
Assuma um novo personagem. Permita-se. Invada sua razão.
Nós sempre fazemos o mais difícil e acabamos nos perdendo no trivial.
Sintonize o equilibro, ouça a voz que vem do seu coração... estamos no caminho que só cada um de nós pode passar. É o nosso caminho das estrelas. O champanhe faz o brinde.
As estrelas nos convidam a selar uma nova aventura.
E o cristal vai pro mar.
Os cristais sempre tomam e devolvem energia. Transporte para o cristal tudo aquilo que não fez sentido na sua vida. Aperte-o forte. Jogue ao mar. É hora de zerar.
É hora de usar a coragem e o desprendimento para se livrar do velho.
O cristal é símbolo da renovação.
Todos estão prontos pra fazer um novo caminho das estrelas.”
O dia-a-dia deixa a gente muito enlouquecido.
O mercado é muito competitivo. Mas todos, todos que estão aqui, conseguiram superar muitos obstáculos. Cada um fez da batalha do dia-a-dia uma vitória. Em casa ou no trabalho. Cada um teve que conquistar seu espaço. Foram caminhos em que grandes parceiros se encontraram. É hora de comemorar nossa parceria. Hora de que a parceira de nosso dia-a-dia participe de mais uma vitória. As estrelas nos dão o caminho porque, lá no fundo, elas alimentam a nossa esperança... nos dão a certeza de que nada é em vão.
Que tal buscar novos sabores?
Temos tudo, sabemos muito,.. mas, ainda é muito, muito pouco.
Quantos sentimentos você escondeu ao longo do caminho?
Tááááá, eu sei..é a vida.
Mas, tenha certeza que tudo ficou aí... em algum canto.
Apertado, apertado nesse canto. Em nosso corpo moram as nossas dores e nossas alegrias.
E a gente acaba não prestando atenção.
Acabamos nos acostumando com tudo.
Perdemos a capacidade de admirar as coisas do mundo.
O tempo passa rápido demais, não tem volta.
Aprendemos a ser uma máquina. Uma máquina que faz e acontece, mas, às vezes, essa máquina tem uma função muito cruel: nos distrair da tarefa de sermos felizes, de sermos nós mesmos.
Nós esquecemos de que a mesma máquina que consegue modificar o mundo, inovar, fazer dinheiro, essa máquina tem que se alimentar de felicidade, é, se alimentar de felicidade.
Quantas vezes você deixou de ser feliz?
Ter medo? Rir? Chorar de alegria?
A vida passa e a gente nem percebe a diferença entre cumprir tarefas e saboreá-las.
Mexa no arquivo de sua memória, quantas vezes seu filho ou seu colega de trabalho pediu uma palavra de conforto e você nem percebeu?
Quantos momentos com seu marido/sua mulher poderiam ter sido inesquecíveis e não foram por falta de atenção?
Nossa! Tanta coisa passando e não volta.
O tempo definitivamente não para.
A gente é que precisa se dar o direito de aproveitar cada momento, embarcar numa aventura interior.
Deixar cair a armadura.
Vamos procurar saber o que nos faz sentido.
Se diverte -Vai! Vai pra cama e faz a festa, ou faz a festa e vá pra cama.
Quem não sonha, quem consegue ter certezas... tenta esquecer, só um pouquinho, o seu racional. Use o poder da sua emoção.
A vida corre, é o ritmo dela.
Mas a gente precisa fazer a nossa hora!
Esse é o detalhe que faz a diferença.
Ouse, procure descobrir a delícia dos detalhes.
Vamos pro caminho das estrelas, da nossa estrela.
O desafio é encontrar a estrela que ficou perdida no meio da nossa estrada. Você vai ter uma nova rotina, novas sensações, novos carinhos.
Podemos tudo, tudo. Imagine que você está permitindo uma revolução interior, uma aventura.
Assuma um novo personagem. Permita-se. Invada sua razão.
Nós sempre fazemos o mais difícil e acabamos nos perdendo no trivial.
Sintonize o equilibro, ouça a voz que vem do seu coração... estamos no caminho que só cada um de nós pode passar. É o nosso caminho das estrelas. O champanhe faz o brinde.
As estrelas nos convidam a selar uma nova aventura.
E o cristal vai pro mar.
Os cristais sempre tomam e devolvem energia. Transporte para o cristal tudo aquilo que não fez sentido na sua vida. Aperte-o forte. Jogue ao mar. É hora de zerar.
É hora de usar a coragem e o desprendimento para se livrar do velho.
O cristal é símbolo da renovação.
Todos estão prontos pra fazer um novo caminho das estrelas.”
Fernanda Montenegro
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
O "CHIC" AGORA É SER SIMPLES!
Entro numa loja e vejo um cartaz
dizendo: Seja chic! Seja simples!
Perguntei ao comerciante de onde ele
tinha tirado aquela ideia e ele me disse que depois que o Papa andou de carro
simples, tomou chimarrão do povo e andou com o vidro aberto o tempo todo
abraçando crianças e velhos, a simplicidade virou chic.
Cafona agora é querer privilégios e fazer ostentação, me disse ele.
Cafona agora é querer privilégios e fazer ostentação, me disse ele.
Fiquei pensando no que falou o dono
daquela loja e conversei com muitas pessoas a respeito. Todas me disseram ter a
mesma sensação. Ostentar, usar coisas caras, exigir privilégios, ter carrões,
etc. virou coisa de novo rico e, portanto, fora de moda, fora do tempo. A moda
agora é ser simples.
E ser simples não significa não
querer coisas de boa qualidade, nem viver na penúria.
Ser simples é dar valor às pequenas
coisas e aos pequenos gestos que o mundo de hoje esqueceu. É respeitar as
pessoas pelo que elas são e não pelo possuem de bens materiais. É acabar com a
arrogância, com a presunção.
Ser simples é ser normal, sem afetação,
sem se deixar dominar por desejos de aparecer, de ser aplaudido, de estar
sempre nos holofotes.
Ser simples é reaprender a curtir a
natureza em toda a sua exuberância. É reaprender a olhar nos olhos das
pessoas quando falar com elas; ser educado com pessoas simples,
balconistas, garçons, motoristas de ônibus, etc.
Ser simples é não perder a calma quando
se é contrariado; falar baixo em lugares públicos; não falar mal dos
outros.
Enfim, ser simples é reaprender a ser
gente.
E como seria bom se o mundo voltasse a
ser povoado por gente normal e não por neuróticos cheios de vontade. Como seria
bom se as pessoas voltassem a falar com licença, por favor, obrigado,
me desculpe... Como seria bom se as pessoas reaprendessem a respeitar
os mais velhos; ter mais afeto com as crianças.
Como seria bom se as pessoas
reaprendessem a amar o próximo e a lembrar que somos todos iguais.
Lembre-se: o chic agora
é ser simples! Pense nisso. Sucesso!
Luiz Marins
sábado, 28 de setembro de 2013
TEXTO MARAVILHOSO DE MARCOS BISPO!
MINHA FILHA, JOVENS NO SHOPPING, AMIG@S E VAIDADES Q TODOS TEMOS
* Por: Marcos Bispo Santos
Começou a Primavera! E o mês de outubro na Igreja Católica sempre foi dedicado à Juventude. Isso e mais o que tenho visto e vivido, aliado à angústia de ficar sem escrever (só lendo e lendo muito!), me fez voltar ao teclado e proclamar este texto. Dia desses fui ao Shopping “garimpar” filmes clássicos no saldão da Americanas (estou à procura de ‘Os Miseráveis’). E tomei UM SUSTO com uma multidão de jovens que estavam por lá numa noite de sábado. O que Frei Betto já correlacionou em um dos seus livros (“... que o Shopping Center é a ‘Catedral’ do mundo moderno”), eu confirmei de modo estarrecedor: meninos e meninas, de 17, 16, 15, 14 e até 13 anos, SOZINHOS, maquead@s, cabelos fashion e roupas pós-modernas idolatravam o único deus que lhes foi dado a conhecer: O HEDONISMO. A grande maioria não fazia, literalmente, nada. Apenas demonstravam um imenso prazer de estar ali, com vitrines, marcas, vendo exibições e exibindo-se.
Eu eduquei minhas filhas e o meu filho com valores idênticos aos das comunidades dos Atos dos Apóstolos, de Canudos, das CEBs e dos primeiros Franciscanos que chegaram ao Convento dos Capuchinhos de Itabuna, em fins dos anos 80. Sei que a maioria dos jovens e muitos dos adultos, dirão que são valores ultrapassados, sem espaço no mundo pós-moderno, dos IPhones, IPads, Tablets e fast-foods multinacionais. Será mesmo que duas décadas de novas manifestações culturais podem apagar séculos e milênios de modos de vida que produziram felicidade para muito mais gente e por muito mais tempo??? Sei também que muit@s d@s minhas/meus antig@s companheir@s se perderam em outras idolatrias, como a políticos, partidos, facções ideológicas e a marcas de cerveja, cada vez mais hegemônicas, nos comerciais de TV e no tempo que toma de cada um/a delas/es. E por isso, produtos (como livros) e valores (como todas as primeiras religiões) que duraram séculos, foram e estão sendo devastados pelo mercado, que precisa urgentemente, contar com os hormônios e a gula consumista das gerações “Y” e “Z”, marcadas por uma dificuldade imensa de ler, analisar, debater e espiritualizar a sua existência.
Mesmo minhas filhas e o meu filho (que receberam de mim todo o ideário do Cristo, de Francisco de Assis, de Gandhi, de Antônio Conselheiro, de Chico Mendes e Marina Silva), percebo que são tragad@s paulatinamente pela sociedade de consumo. Eu mesmo, dia desses precisei trocar os óculos. Fiz orçamentos em 3 óticas, como me acostumei a fazer nas compras da Escola. Pesquisei nas que considero as 3 maiores, por ser pioneiras ou ter melhores preços e estrutura. Resultado: a que oferecia a melhor armação para o novo tratamento indicado para meus olhos, tinha a armação “nike”. E aí? Não compraria óculos por ter esta marca. Não, não pude rejeitar o melhor orçamento porque seria em armações desta marca multinacional. Até porque o segundo melhor orçamento, em armações de uma marca menos “vilã”, me custaria R$ 100 a mais. Parece então que não temos saída. O que então é possível fazer para viver num mundo globalizado (outra vez parafraseando Frei Betto, “globo-colonizado”) e altamente bombardeado por apelos consumistas e dominado pelas grandes marcas, sem perder o essencial de nossa identidade?
Talvez o caminho escolhido por alguns de meus melhores amigos, de não ter “facebook” seja uma alternativa de resistência. Alguns especialistas recomendam distância das drogas para não viciar-se nelas. Nas redes sociais, vê-se um desfile interminável de vaidades, que vai desde a lista de amig@s (???), passando por fotos e mais fotos de lugares supostamente irresistíveis, chegando até à troca de informações do que se julga ser objeto de cobiça ou admiração alheia. Vou usar os meus óculos com a marquinha da Nike com certa angústia, mas compensarei tal sentimento com o prazer de continuar usando sapatilhas e sandálias de couro cru, compradas em Euclides da Cunha. Mesmo sabendo que tenho “N’s” filmes nos canais por assinatura, vou teimar em desligar a TV por uma ou duas horas à noite e vou ler novos livros (todos os de Laurentino Gomes) e reler os clássicos e Poesia, como Neruda, Graciliano, Cora Coralina, Rachel de Queiróz, Thiago de Mello, Jorge Amado, Fernando Pessoa e José Saramago.
Minha filha de 19 anos decidiu partir para Salvador e tentar trabalhar e viver por lá. Tomou essa decisão em total desalinho com o que a ensinei e demonstrei a vida inteira: sem formação completa (apenas com o Ensino Médio) e sem uma base segura de apoio, não mude para longe de sua primeira família. Num mundo globalizado, que expliquei e exemplifiquei até aqui, ninguém quer dividir preocupações, nem responsabilidades (por menores que seja) com ninguém. Tod@s vivem em função de conquistar espaços e títulos, pagar as contas e alimentar o “facebook”. Tenho tentado, com meus exemplos e com todo o meu amor, direcioná-la para “portos seguros”, mas sinto que à distância e sem apoios consistentes na capital, ela tem trilhado caminhos diferentes dos que um bom pai gostaria e isso tem sido causa de muita insônia e sensação de que estou perdendo esta importante batalha para o “deus hedonista”. Quem tem filh@s e ama @s filh@s, sabe: não @s geramos e criamos para serem submetidos às mesmas explorações e pressões capitalistas pelas quais passamos. Sei que nenhum ser humano é uma ilha, mas gostaria de criar minha própria Ilha, com a capelinha e o pregador que existiu em Canudos, todos os meus familiares QUE AGEM COMO FAMÍLIA, amig@s e colegas das CEB’s, dos primeiros grupos de Crisma, do Grupo Temático Pedro Casaldáliga, do C.A. de Letras e gente das Aldeias Indígenas. E lá, todos os dias, no início da noite, teríamos celebrações, e logo em seguida, uma cantoria e arrastapé, com todos os cantores pernambucanos, paraibanos, alguns cearenses e tantos outros do norte e sul da Bahia.
* Marcos Bispo Santos é professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira da Rede Municipal de Itabuna; diretor do Colégio Estadual da Aldeia Indígena Caramuru Paraguaçu, Pau Brasil – BA. Colaborador da Revista Viração: www.revistaviracao.com.br/ Fones: 73) 8177-1734 / 8805-9893/ 9141-8713. educadorpolitico@hotmail.com
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
HISTÓRIA DE UM FDP
Meu nome é Afonso Soares, e
resolvi contar algo que se passou comigo:
Estava sentado no meu escritório
quando me lembrei de uma chamada telefônica que tinha que fazer. Encontrei o
número e disquei. Atendeu-me um cara mal humorado dizendo:
- Fale!!!
- Bom dia. Poderia falar com
Andréa? O cara do outro lado resmungou algo que não entendi e desligou na minha
cara. Não podia acreditar que existia alguém tão grosso.
Depois disso, procurei na minha
agenda o número correto da Andréa e liguei.
O problema era que eu tinha
invertido os dois últimos dígitos do seu número. Depois de falar com a Andréa,
observei o número errado ainda anotado sobre a minha mesa. Decidi ligar de
novo. Quando a mesma pessoa atendeu, falei:
- Você é um Filho da puta!!! Desliguei
imediatamente e anotei ao lado do número a expressão "Filho da puta"
e deixei o papel sobre a minha agenda.
Assim, quando estava nervoso com
alguém, ou em um mau momento do dia, ligava para ele, e quando atendia, lhe
dizia "Você é um Filho
da puta" e desligava sem esperar resposta. Isto me fazia
sentir realmente muito melhor. Ocorre que a Telepar introduziu o novo serviço
"bina" de identificação de chamadas, que me deixou preocupado e
triste porque teria que deixar de ligar para o "Filho da puta". Então,
tive uma ideia: disquei o seu número de telefone, ouvi a sua voz dizendo
"Alô" e mudei de identidade:
- Boa tarde, estou ligando da
área de vendas da Telepar, para saber se o senhor conhece o nosso serviço de
identificador de chamadas "bina".
- Não estou interessado! - disse
ele, e desligou na minha cara. O cara era mesmo mal-educado. Rapidamente,
disquei novamente:
- Alô?
- É por isso que você é um Filho
da puta!!! e desliguei. Aqui vale até uma sugestão: se existe algo que
realmente está lhe incomodando, você sempre pode fazer alguma coisa para se
sentir melhor: simplesmente disque 0xx41-xx43.6732 ou o número de algum outro
Filho da puta a que você conheça (pode ser o Eurico Miranda), e diga para ele o
que ele realmente é.
Acontece que eu fui até o shopping,
no centro da cidade, comprar umas camisas. Uma senhora estava demorando muito
tempo para tirar o carro de uma vaga no estacionamento. Cheguei a pensar que
nunca fosse sair.
Finalmente seu carro começou a
mover-se e a sair lentamente do seu espaço. Dadas às circunstâncias, decidi
retroceder meu carro um pouco para dar à senhora todo o espaço que fosse
necessário: "Grande!" pensei, "finalmente vai embora".
Imediatamente, apareceu um Vectra
preto vindo do outro lado do estacionamento e entrou de frente na vaga da
senhora que eu estava esperando. Comecei a tocar a buzina e a gritar:
- Ei, amigo. Não pode fazer isso!
Eu estava aqui primeiro!
- O cara do Vectra simplesmente
desceu do carro, fechou a porta, ativou o alarme e caminhou no sentido do
shopping, ignorando a minha presença, como se não estivesse ouvindo.
Diante da sua atitude, pensei:
"Esse cara é um grande Filho da puta! Com toda certeza tem uma grande
quantidade de Filhos da puta neste mundo!". Foi aí que percebi que o cara
tinha um aviso de "VENDE-SE" no vidro do Vectra.
Então, anotei o seu número
telefônico e procurei outra vaga para estacionar.
Depois de alguns dias, estava
sentado no meu escritório e acabara de desligar o telefone - após ter discado o
0xx41-xx43.6732 do meu velho amigo e dizer "Você é um Filho da puta"
(agora já é muito fácil discar pois tenho o seu número na memória do telefone),
quando vi o número que havia anotado do cara do Vectra preto e pensei:
"Deveria ligar para esse cara também". E foi o que fiz. Depois de um
par de toques alguém atendeu:
- Alô.
- Falo com o senhor que está
vendendo um Vectra preto?
- Sim, é ele.
- Poderia me dizer onde posso ver
o carro?
- Sim, eu moro na Rua XV, n° 27.
É uma casa amarela e o Vectra está estacionado na frente.
- Qual e o seu nome?
- Meu nome e Eduardo C. Marques -
diz o cara.
- Que hora é mais apropriada para
encontrar com você, Eduardo?
- Pode me encontrar em casa à
noite e nos finais de semana.
- É o seguinte Eduardo, posso te
dizer uma coisa?
- Sim.
- Eduardo, você é um tremendo
Filho da puta!! - e desliguei o telefone.
Depois de desligar, coloquei o
número do telefone do Eduardo (que parecia não ter "bina", pois não
fui importunado depois que falei com ele) na memória do meu telefone. Agora eu
tinha um problema:
Eram dois "Filhos da
puta" para ligar. Após algumas ligações ao par de "Filhos da
puta" e desligar-lhes, a coisa não era tão divertida como antes. Este
problema me parecia muito sério e pensei em uma solução: em primeiro lugar,
liguei para o "Filho da puta 1". O cara, mal-educado como sempre,
atendeu:
- Alô - e então falei:
- Você é um Filho da puta - mas
desta vez não desliguei.
O "Filho da puta 1"
diz:
Ainda está aí, desgraçado?
- Siiimmmmmmmm, amorrrrrr!!! -
respondi rindo.
- Pare de me ligar, seu filho da
mãe - disse ele, irritadíssimo.
- Não paro nããão, Filho da
putinha querido!!!
- Qual é o teu nome, lazarento? -
berrou ele, descontrolado!
Eu, com voz séria de quem também
está bravo, respondi:
- Meu nome é Eduardo Cerqueira
Marques, seu Filho da Puta. Por quê???
- Onde você mora, que eu vou aí
te pegar, desgraçado? - gritou ele.
- Você acha que eu tenho medo de
um Filho da puta? Eu moro na Rua XV, n°27, em uma casa amarela, e o meu Vectra
preto está estacionado na frente, seu palhaço filho da puta. E agora, vai fazer
o quê???? ? gritei eu.
- Eu vou até aí agora mesmo,
cara. É bom que comece a rezar, porque você já era. - rosnou ele.
- Uuiii! É mesmo? Que medo me dá,
Filho da puta. Você é um bosta! E eu estou na porta da minha casa te
esperando!!! Desliguei o telefone na cara dele. Imediatamente liguei para o
"Filho da puta 2".
- Alô - diz ele.
- Fala, grande Filho da puta!!!
- Cara, se eu te encontrar vou...
- Vai o quê? O que você vai
fazer??? Seu Filho da puta!
- Vou chutar a sua boca até não
ficar nenhum dente, cara!!!
- Acha que eu tenho medo de você,
Filho da puta?
- Vou te dar uma grande
oportunidade de tentar chutar minha boca, pois estou indo para tua casa, seu
Filho da puta!!! E depois de arrebentar sua cara, vou quebrar todos os vidros
desta ***** de Vectra que você tem. E reze para eu não botar fogo nessa casa
amarelinha de *****. Se for homem, me espera na porta em 5 minutos, seu Filho
da puta! - e bati o telefone no gancho. Logo, fiz outra ligação, desta vez para
a polícia.
Usando uma voz afetada e chorosa,
falei que estava na Rua XV, n° 57, e que ia matar o meu namorado homossexual
assim que ele chegasse em casa.
Finalmente, peguei o telefone e
liguei o programa da CNT "Cadeia", do Alborguetti, para reportar que
ia começar uma briga de um marido que ia voltando mais cedo para casa para
pegar o amante da mulher que morava na Rua XV, n° 27. Depois de fazer isto,
peguei o meu carro e fui para Rua XV, n° 27, para ver o espetáculo.
Foi demais, observar um par de
"Filhos da puta" chutando-se na frente de duas equipes de reportagem,
até a chegada de 03 viaturas e um helicóptero da polícia, levando os dois
algemados e arrebentados para a delegacia.
Moral da história? - Não tem
moral nenhuma! Foi sacanagem mesmo...
E vê se atende ao telefone
educadamente, pois pode ser eu ligando para você por engano...
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
LINDA CRÔNICA DE EÇA DE QUEIROZ
O
POVO
(Eça
de Queiroz)
Há no mundo uma raça de
homens com instintos sagrados e luminosos, com divinas bondades do coração, com
uma inteligência serena e lúcida, com dedicações profundas, cheias de amor pelo
trabalho e de adoração pelo bem, que sofrem, e se lamentam em vão.
Estes homens são o Povo.
Estes homens, sob o peso
do calor e do sol, transidos pelas chuvas, e pelo frio, descalços, mal
nutridos, lavram a terra, revolvem-na, gastam a sua vida, a sua forca, para criar a pão, o alimento de todos.
Estes são o Povo, e são os
que nos alimentam.
Estes homens vivem nas
fábricas, pálidos, doentes, sem família, sem doces noites, sem um olhar amigo
que os console, sem ter o repouso do corpo e a expansão da alma, e fabricam o
linho, o pano, a seda, os estofos.
Estes homens são o Povo, e
são os que nos vestem.
Estes homens vivem debaixo
das minas, sem o sol e as doçuras consoladoras da Natureza, respirando mal,
comendo pouco, sempre na véspera da morte, rotos, sujos, curvados, e extraem o
metal, o minério, o cobre, o ferro, e toda a matéria das indústrias.
Estes homens são o Povo, e são as que nos enriquecem.
Estes homens são o Povo, e são as que nos enriquecem.
Estes homens, nos tempos
de lutas e de crises, tomam as velhas armas da Pátria e vão, dormindo mal, com
marchas terríveis, a neve, a chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e
morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nós
conservemos o nosso descanso opulento.
Estes homens são o Povo, e
são os que nos defendem.
Estes homens formam as
equipagens dos navios, são lenhadores, guardadores de gado, servos mal
retribuídos e desprezados.
Estes homens são os que
nos servem.
E por isso que os que têm
coração e alma, e amam a Justiça, devem lutar e combater pelo Povo.
E ainda que não sejam
escutados, tem na amizade dele uma consolação suprema.
sábado, 7 de setembro de 2013
MEU FILHO, VOCÊ NÃO MERECE NADA
Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que
se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente
grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo
tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades,
despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de
usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço.
Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece
a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque
foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi
ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons
colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à
cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao
mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem
prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.
Tenho me deparado com jovens que esperam ter no
mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai
ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem,
seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente
não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se
emburra e desiste.
Como esses estreantes na vida adulta foram crianças
e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante,
desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é
preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos
gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma
nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.
Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso
que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou
um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a
felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos
pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos
para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma
responsabilização nem reciprocidade.
É como se os filhos nascessem e imediatamente os
pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de
fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que
os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas
do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um
mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os
limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?
Nossa classe média parece desprezar o esforço.
Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer
que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar
algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que
não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina.
Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo,
coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no
país.
Da mesma forma que supostamente seria possível
construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é
possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma
anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que
deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a
felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista
para compreender a geração do “eu mereço”.
Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto
de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais
tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é
que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas
não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que
viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante
que seja, consegue tudo o que quer.
A questão, como poderia formular o filósofo
Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria
fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre
fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado
quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição
humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da
realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem
mesmo para falar da tristeza e da confusão.
Me parece que é isso que tem acontecido em muitas
famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote
completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem
considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se
sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos
espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um
reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da
felicidade e da completude.
Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já
que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas
e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com
medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se
comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que
ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.
Se os filhos têm o direito de ser felizes
simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que
tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um
vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora
dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.
Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não
conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas
materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir
ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma
mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de
consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta
que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem
buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo
funcionando.
O resultado disso é pais e filhos angustiados, que
vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma
grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E
mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E
acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a
frustração que move, mas aquela que paralisa.
Quando converso com esses jovens no parapeito da
vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto,
percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim,
assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado
porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua,
mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um
percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com
dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a
gente vira gente grande.
Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem
que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é
dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo,
mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela
é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou
confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir
que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não
confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de
compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume
alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa
ser dito.
Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um
direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada
vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu
espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de
escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja
a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo,
porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a
responsabilidade pela sua desistência.
Crescer é compreender que o fato de a vida ser
falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é
melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.
(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
LEI DO CAMINHÃO DE LIXO
Um dia peguei um táxi para o
aeroporto. Estávamos rodando na faixa certa, quando de repente um carro preto
saiu de um estacionamento e cortou bruscamente o nosso caminho.
O taxista pisou no freio, deslizou e escapou do outro carro por um triz!
O motorista do outro carro sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós nervosamente. Mas o taxista apenas sorriu e acenou para o cara, fazendo um sinal de positivo. E ele o fez de maneira bastante amigável.
Indignado lhe perguntei: 'Por que você fez isto? Este cara quase arruína o seu carro e nos manda para o hospital!'
Foi quando o motorista do taxi me ensinou o que eu agora chamo de "A Lei do Caminhão de Lixo."
Ele explicou que muitas pessoas são como caminhões de lixo. Andam por aí carregadas de lixo, cheias de frustrações, cheias de raiva, traumas e de desapontamento. À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar, e às vezes descarregam sobre a gente.
Não tome isso pessoalmente. Isto não é problema seu!
Apenas sorria, acene, deseje-lhes o bem, e vá em frente. Não pegue o lixo de tais pessoas e nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, EM CASA, ou nas ruas. Fique tranquilo... respire E DEIXE O LIXEIRO PASSAR.
O princípio disso é que pessoas felizes não deixam os caminhões de lixo estragarem o seu dia. A vida é muito curta, não leve lixo.
Limpe os sentimentos ruins, aborrecimentos do trabalho, picuinhas pessoais, ódio e frustrações.
Ame as pessoas que te tratam bem. E trate bem as que não o fazem.
A vida é dez por cento o que você faz dela e noventa por cento a maneira como você a recebe!
Tenha um
bom dia e se livre de lixo!
(Autoria Anônima)
domingo, 25 de agosto de 2013
CONFLITO DE GERAÇÕES E O MEIO AMBIENTE
Na fila do
supermercado o caixa diz a uma senhora idosa que deveria trazer suas próprias
sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não eram amigáveis ao
meio ambiente. A senhora pediu desculpas e disse: “Não havia essa onda verde no
meu tempo.”
O empregado respondeu: "Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha
senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio
ambiente. "
"Você está
certo", responde a velha senhora, “nossa geração não se preocupou
adequadamente com o meio ambiente.
“Naquela época, as
garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidas à loja. A
loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes
de cada re-uso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas
tantas outras vezes.
“Realmente não nos
preocupávamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não
havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até o comércio,
ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que
precisamos ir a dois quarteirões.
“Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então,
as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas
secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de
220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os
meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e
não roupas sempre novas.
“Mas é verdade:
não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só
tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um
telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?
“Na cozinha,
tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que
fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio,
usávamos jornal amassado para protegê-lo, não plástico bolha ou pellets de plástico
que duram cinco séculos para começar a degradar.
“Naqueles tempos
não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um
cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não
precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a
eletricidade.
“Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente.
Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos
plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos
com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonávamos as
navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes
só porque a lâmina ficou sem corte.
“Na verdade,
tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde
ou de ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao
invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma
tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar
uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de
satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais
próxima.
“Então, não é
risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão
de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?”
Autoria Anônima
quarta-feira, 10 de julho de 2013
EDUCAÇÃO É A SAÍDA?
Nunca me decepcionei com a Educação. Eu me decepciono é
com o que está no entorno, digamos assim, da coisa. São doze anos de
magistério, que vivo em busca do melhor de mim e da formação daqueles que
oriento.
Se me perguntarem se é ruim trabalhar com o ensino,
direi sempre que não, não é mal. É um trabalho de muita honra, responsabilidade
e, desde que seja competente, tem razoável oferta no mercado.
Agora, um dos percalços que se encontra no meio é os
de quem comandam a educação no Brasil, e os que estão próximos destes. Essa é uma
real derrocada do setor.
Enquanto os sindicatos dos bancários, só para
exemplificar, marcam em cima os gerentes, diretores e subdiretores que assediam
moralmente seus subalternos, isso é uma praxe cotidiana no ambiente escolar e,
o pior, ninguém faz nada, nem sindicato de instituições educacionais particulares
nós temos na região.
De cima para baixo, o pau quebra. O professor, culpado
de todas as mazelas, é destratado e desrespeitado pelos alunos, pelos
coordenadores, pelos diretores e pelos pais. Então, é fácil perceber que está
difícil quebrar a cadeia viciosa: ou se adéqua ou se cria uma big revolução! Como ninguém hoje em dia tem
o ímpeto e a força de um Guevara, ou se frustra ou vai-se empurrando com a
barriga!
O mais difícil é aceitar entrar no sistema ganhando
miséria. Se pelo menos valesse a pena financeiramente, poder-se-ia aguentar um
mau humor aqui, uma indisciplina ali, um esporro acolá, uma sala com sessenta
alunos, uma falsa amizade lá adiante e por aí vai.
Mas a vida do docente, se não for concursado e
sobreviver de escolas particulares, é a de engolir sapo(s)! E a pressão alta, o
stress, a rouquidão, a exploração, a correria por prazos e o assédio moral,
como já foi dito, é o comum nos corredores dos colégios ditos nobres.
A docência é a única profissão em que, faltando a
aula, mesmo com atestado médico, o infeliz é obrigado a repor a aula perdida. O
sujeito pode ter estado no leito de morte, não importa, é obrigado. E quando
chega ao trabalho, no outro dia, moribundo ainda, todos o olham com cara
fechada, como se o elemento fosse um criminoso. Sequer telefonam para perguntar
se o desgraçado já desencarnou ou se ainda está entre os vivos!
Não, jamais foi a educação o problema do nosso país,
muito menos a cultura. Elas são, na verdade, as molas impulsionadoras da
vitória íntima, ou familiar, ou coletiva, isso sim. A desgraça cotidiana são os
mal educados, a puxação de saco, os incultos, a “filadaputagem” dos vaidosos que
estão por trás das mesas administrativas estudantis, de olho no lucro, nos
tapinhas das costas dos patrões e subservientes aos genitores que deixam os
filhos ao léu porque endinheirados, descomprometidos ou despreparados.
A educação e a cultura são os únicos meios de evolução
de um povo, instrumentos de se chegar à verdade que liberta, formar
consciências despertas e promover viagens cognitivas sem sair do lugar, além de
preparar para o mercado de trabalho, é claro. Porém, o preço que se paga para
isso é alto, quer dizer, o preço pago do lado fraco da corda, porque do lado
negro da força...
Gustavo
Atallah Haun – Professor, formado em Letras na UESC. Editor de obloderedacao.blogspot.com.br.
Escreve para jornais e sites da região sul da Bahia. É maçom, da Loja Acácia
Grapiúna.
terça-feira, 9 de abril de 2013
SERÁ QUE CHEGA ATÉ A COPA?
![]() |
| Interior da Arena Fonte Nova. |
Com a reinauguração da (Itaipava?)
Arena Fonte Nova, um amigo confidenciou-me: não dou dois meses para estar tudo
destruído. Fui mais otimista: no primeiro rebaixamento de ambos – Bahia ou
Vitória – os torcedores destruirão os assentos, farão das barras de ferro armas
e invadirão o campo arrasando com tudo!
Em primeiro lugar, é uma infelicidade
tremenda chamar um estádio de futebol de “arena”. Parece um retorno à barbárie,
quando nas arenas da antiguidade se esfolava, matava, queimava etc., por mera
distração dos imperadores entediados, além de diversão e alienação das massas.
Mas a verdade é que nós, brasileiros,
não temos a educação anglo-saxônica que a Fifa impõe em competições internacionais.
Se na Europa os torcedores podem beber cerveja, assistir a jogos sem alambrados
e fosso, sentadinhos e quietos em cadeiras acolchoadas, é porque tem uma
Polícia eficiente, uma Justiça que funciona, uma fiscalização competente. E
educação!
No Brasil, o que manda são os
cambistas, a impunidade, o suborno e a falta de trato com o patrimônio
público... Salvo raríssimas exceções.
Antes de reinaugurar os estádios das
Copas que virão logo mais, tinha-se que fazer um amplo projeto de educar o
povo, de conscientizar a população, de ensinar a nação a usar um bem que custou
caro - quase todos ultrapassaram seus orçamentos iniciais – e que é de todos!
Aliás, um bem que não é essa “coca-cola” toda!
Reportagens do UOL de domingo e
segunda, dias 07 e 08 de abril, traziam os inúmeros defeitos da recente Fonte
Nova: fiações soltas, tapumes impedindo acesso, problema de estacionamento, materiais
de construção largados na obra, poltronas sem parafusar, as vias inacabadas no
entorno, poças de água embaixo dos assentos e, o pior, mais de 06 mil lugares
com ponto cego no estádio, ou seja, o sujeito vai para assistir e não assiste!
Porque no Brasil, querido leitor, é
assim, tudo feito nas coxas, afinal, aqui é terra de ninguém! Faz-se o que
quer: ninguém reclama, ninguém quer se comprometer, ninguém prende os que (des)
mandam!
Um espaço que custou quase 700
milhões de reais, acusado de a maioria da verba ter sido desviada do FUNDEB, e
ainda mal feito. É brincadeira!
Ai, ai, ai... E ainda têm os que
sonham com isso aqui civilizado! Polido! Urbanizado! Com certeza não será para
esta, nem para as próximas gerações. É esperar para ver.
Gustavo Atallah Haun - Professor.
quarta-feira, 6 de março de 2013
SORRIR É O REMÉDIO II
Como
as intempéries da vida nos levam sempre aos descaminhos nem sempre planejados
das nossas existências, a única saída é realmente sorrir, para não dar vazão a
nenhuma depressão inconveniente ou oportunista.
E
foi assim que fiz mais uma vez, sentado à beira da praia e ouvindo as
estarrecedoras estórias de um amigo desavisado que, como sempre, merece a
divulgação, sempre na tentativa humílima de divertir e dar certa leveza aos
dias quentes de verão que estamos vivendo.
Antigamente,
o carnaval de Itabuna era comemorado em plena avenida do Cinquentenário. E
nosso amigo contador de “causos”, devidamente omitido o nome, estava tomando conhaque
Cinco Estrelas, a noite toda, na barraca do colega e amigo bancário de alcunha Tijolão.
Saindo
da festa de Momo amanhecendo o dia, travado, trocando as pernas, dirigiu-se à
sua residência, tomou banho, pegou uma mochila e partiu para a rodoviária, ia a
Santo Antônio de Jesus, atrás da namorada, pois a visitava de 15 em 15 dias.
Chegou
na rodoviária, mostrou a passagem e sentou-se na poltrona do ônibus da Águia
Branca, cochilou rápido. Bêbado, pocado, o sono parece uma eternidade. Aquela
coisa de um minutinho só. Quando se deu conta, o veículo estava trafegando em
direção à BR 101, na altura da, hoje, garagem da Rota. Quando viu os ônibus ali
estacionados, se desesperou, dando uma de valente:
-
Para o ônibus, para o ônibus! Que eu vou para Santo Antônio de Jesus, peguei o
ônibus errado! – imaginando estar indo em direção contrária, em lado oposto.
O
cobrador tentou amenizar, segurando-lhe o braço:
-
Não, moço...
-
Me larga, me larga, me larga...
-
Moço, você está dentro do ônibus para Santo Antônio...
Ele,
totalmente em paranoia, misto de ressaca e sono:
-
Me larga, me larga, me larga, que eu tenho que ir para Santo Antônio de Jesus!
Aquela
confusão infrene alardeou todos os passageiros, despertando-os para a loucura
do caso inusitado em questão.
O
motorista se zangou e encostou no posto de gasolina ao lado e ele se dirigiu à
rodoviária. Chegando lá, percebeu a besteira que fez:
-
Ih, eu tava no ônibus... E agora?
Pegou
um táxi e foi atrás do automóvel, só alcançando-o em Ubaitaba. Pagou um
dinheiro da zorra pela corrida.
-
Aqui você não vai entrar, não!
Ele
tentou contemporizar:
-
Não, o senhor me desculpe aí, passou já... É que eu amanheci no carnaval de
Itabuna, estou meio desnorteado... mas já tou beleza já... já sarei já!...
E
sob os olhares desconfiados de todos os que assistiam a cena, principalmente da
senhora que estava na poltrona ao seu lado, ele subiu de novo no buzu, podendo,
enfim, tirar o seu sagrado sono de folião ensandecido, enquanto as rodas
singravam o asfalto em direção à cidade desejada.
* Gustavo
Atallah Haun é professor, formado em Letras, UESC, e ministra aula em Itabuna e
região. Escreve para jornais de Itabuna, Ilhéus e edita
oblogderedacao.blogspot.com (g_a_haun@hotmail.com). É maçom, da Loja Acácia
Grapiúna.
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