segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

PROFESSOR: O ALUNO NÚMERO UM



O professor é um sujeito que vive entre o paraíso e o inferno. Podendo navegar no mar das contradições, voar no meio de turbulências e rodopiar na fúria de ciclones que, muitas vezes, não têm calmarias e está longe de um consenso: a educação do ser humano.
Ele, o magister, era visto antigamente como o repositório de sabedoria e autoridade, além de ser a única voz altissonante em sala de aula. Na sua gaveta, instrumentos de tortura como a caderneta, milhos e a palmatória. Naquele tempo, a figura do professor era um estereótipo de sujeito gordo, de óculos, suarento e antipático. As professoras vestiam a carapuça de macérrimas, infelizes e ostentavam uma verruga horripilante no nariz.
Atualmente há professores para todos os gostos e para todos os mercados: palhaços, teatrais, introspectivos, dominadores ou gentis. Na aparência física a coisa mudou, de certo. Com adereços típicos da moda ou não, pode-se encontrar magros, altos, baixos, gordos, brancos, índios ou negros. Jovens, quarentões ou senis. Nacionais ou importados. Gente. Tão gente quanto qualquer outra pessoa ou exótico como nenhuma outra.
É bem verdade que a cartilha, a tabuada e coisas do gênero não existem mais. Entretanto, muitas idéias arcaicas ainda pairam sobre a cátedra. Uma delas é a forma de dar aula: o cuspe e giz ainda são os únicos recursos pedagógicos disponíveis aos profissionais da área, salvo raras exceções. As salas de aula não mudaram muito, desde Comênius, na Idade Média.
Outra idéia negativa recai sobre a figura “diabólica” do aluno, que é visto como um número (um índice de aprovação em vestibulares), um sujeito que não quer nada com a voz do Brasil, um desajustado, um conversador ou um ser imaturo! Isso parte do próprio erro dos educadores que generalizam os seus ensinamentos, não levam em consideração o contexto social em que vivem os discentes e uma visão conteudística do educador, sem falar que muitos não têm simpatia ou afeto para com os educandos.
O magistério não é algo acabado, finito e objetivo. Pelo contrário, desperta-se no outro o interesse para as coisas da vida. E a existência está sempre em mutação, por isso não é algo definitivo. Ora, todos estão aprendendo desde quando nasceram e até quando morrerem, sabe-se lá se antes e depois também não se aprende! Então, não se pode tratar como instituição padronizada. Da mesma forma, o educar é o encontro com outros saberes, outras mentes e outros corações. Mãos dadas com visões de filosofias, ciências e artes que foram precedidas (e das vanguardas que estão por vir!) por quem aprende. Altamente íntimo e emblemático, logo, imagético e subjetivo.
É uma certeza matemática que o partilhar da existência com o aluno torna o professor um auto-mestre, pois o encontro com o outro é a visita a si mesmo. Portanto, se quiser formar leitores, faça-se leitor, apaixonado e viciado, feliz e sôfrego, como gostaria que os seus alunos fossem; se quiser formar pessoas de caráter, ensine-os como, seja digno, honesto, pregue e pratique a compaixão e a caridade; se quiser formar vencedores, seja um vencedor, ajude-os a superar obstáculos, superando os seus próprios. O exemplo é e será sempre o melhor remédio, a maior educação.
Gustavo Atallah Haun - Professor.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

APOLOGIA AO LIVRO


Os bons escritos merecem de nós toda sorte de loas, hinos e reverências. Por isso, eu gostaria de afirmar em alto e bom som que não desejo nada dos outros, mas se um dia quiserem me dar algo, lembrem-se dos bons e velhos livros. Os livros causam fascínio em mim. Gosto de olhá-los na estante e senti-los meus, gosto de olhá-los e vê-los arrumadinhos e colorindo o ambiente.
Nunca cobicei fortuna alheia, nem jamais pensei em herança que alguém pudesse deixar para mim. No entanto, se algum parente, amigo ou conhecido tiver a caridade de lembrar-se de mim no leito de morte (ou em qualquer instante), que me deixem livros, que me presenteiem livros, que me dêem livros, um monte deles.
Livros que não tenho. Livros que já li. Livros que procuro. Livros que já desisti de achar. Eles são seres vivos: paridos. Eu acredito piamente nisso.
Antes de iniciar uma leitura de um livro há todo um ritual que antecede o ato, que vai desde tocá-lo e sentir o seu cheiro, até os pormenores que para muitos são insignificantes: observar e ler a capa, contracapa, sumário, pré e pósfácio, etc.
Sempre estou rodeado deles. Toda vez antes de dormir na minha enorme cama eles estão por lá me fazendo companhia. Noites solitárias ou frias; noites calmas ou quentes. É uma grata presença ao lado, em cima ou embaixo da cama ou do travesseiro. Eles estão sempre a me espreitar faceiros!
Bendito seja o povo que reuniu pela primeira vez seus escritos, suas sapiências, num papiro ou num volume, imitando o que seria futuramente com Gutenberg, uma brochura, um calhamaço, um livreto... Talvez O Livro dos Mortos dos egípcios? Quem sabe Os Vedas dos hindus? Ou um pedaço de couro de carneiro rabiscado e perdido na região dos Sumérios? Seja lá qual a nação que detenha essa fantástica descoberta, que tenha sido festejada e merecedora dessa tentativa e logro.
Pois, para mim, ao abrir as páginas de um livro, sei que estou abrindo o principiar de uma nova existência que vou viver por deliciosos e verdadeiros momentos. Há todo um respeito da minha parte nisso.
Vejamos um exemplo concreto: uma bela donzela tentadora deitada no ninho de amor à espera do seu homem. Acaso esse varão deverá agir de forma abrupta desvirginando sonhadora moça em leito de prazer? Penso que não. O que faria então esse distinto e privilegiado cavalheiro? Mansa e suavemente se deitaria ao lado de esplêndida jovem, trocaria carícias desconcertantes, sentiria os odores selváticos que o envolve. Delicadamente se despiria e, só assim, ao som do crepitar das chamas de velas e estalar de doces beijos, entregar-se-ia à sordidez da primeira vez (nunca a última!) em intimidade reconfortante.
Assim é o ato de ler um livro, qualquer um. O livro é a donzela tentadora e vaporosa que espera o seu homem e merece carinho na primeira vez – não somente na primeira como em todas, pois jamais encontrei ex-leitores ou ex-amantes! O cavalheiro boníssimo que deflorará bonita rapariga são os leitores: os vorazes devoradores da intimidade alheia, mas com respeito e galhardia.
Ah! E como tem sido escandalosamente inebriante encontrar, às vezes, jovens rebeldes e desvirginadas na alcova e descarados senhores da vida alheia...
Gustavo Atallah Haun - Professor.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O QUESITO LEITURA NO PAÍS DO SAMBA – II


Só há uma forma de aprender a escrever bem: lendo
Alberto Manguel
 
               A maior queixa de professores dos ensinos básico e superior é a falta de leitura por parte dos estudantes. Isso é dito sempre de boca cheia pelos docentes que, com certeza, desconhecem a culpa pelo despreparo e falta de incentivo do alunado e, conseqüentemente, da ruim (para não dizer coisa pior!) Educação atual.
Há um tempo atrás, uma pesquisa feita dentro da Universidade pública local mostrou que, curiosamente, os discentes que menos freqüentam a biblioteca do campus são os do curso de Letras(?!), justamente um dos agentes protagonistas que irão encarar a sala de aula nos quesitos leitura, interpretação e escrita, embora todas as disciplinas trabalhem interdisciplinarmente com tais fatores.
Não existe fórmula mágica: só formamos leitores quando somos leitores, quando somos exemplos. Tenho certeza de que isso é válido para tudo o que desejamos transmitir, ensinar ou fazer compreender na Educação do ser humano.
Por outro lado, ensinar a ler é complicado, pois esse é um ato complexo e que nunca iremos atingir na sua totalidade. Como ensinar às pessoas algo heterogêneo, subjetivo e que depende mais delas próprias? O que nós educadores devemos fazer – e já é uma grande vitória quando conseguimos – é despertar a vontade, o tesão, o desejo da leitura, além de ficarmos incentivando, mostrando os diferentes ângulos de interpretação, dando pistas, tampando as prováveis lacunas lingüísticas, textuais, enciclopédicas (KLEIMAN, A.: 1986) e tentando fazê-las enxergar nas entrelinhas, o que está por trás do discurso oral, escrito ou não-verbal.
Leitores são formados desde o ventre e continuamos até o fim da existência. Os pais, se bem orientados, podem colaborar e muito para tornar o(s) seu(s) filho(s) leitor(es): contando histórias desde a gravidez, lendo poemas, parlendas, cantigas de roda, narrando “causos” do folclore para as crianças. Afinal, quem não se recorda das fábulas e lendas contadas pela avó ou pela mãe no balanço da rede?
Após essa introdução feita pelos familiares, a escola entra (ou pelo menos deveria entrar!) com profissionais preparados para prosseguirem o trabalho de formação de leitores. Os docentes que lidam diretamente com essa questão devem orientar com lucidez os seus pupilos. Entretanto, muitas vezes, o que realmente acontece em sala de aula são os professores mandarem ler um texto e, depois de lido, ficarem perguntando absurdos, do tipo: “qual o sujeito do primeiro parágrafo?”, ou então, “retire um substantivo concreto da segunda frase”... Jamais discutem o sentido, a essência do texto, ou seja, o que na verdade lemos, que não é o que está escrito e, sim, os silêncios que existem entre uma palavra e outra, como dizia o filósofo Foucault, em sua obra A ordem do discurso.
Da mesma maneira, aprender a pensar bem só é possível se lermos bons textos, lermos, é claro, interpretando os múltiplos significados que dão sentido ao texto. Assim, intrinsecamente ligado à leitura e ao aprender a pensar, iremos produzir bons textos, escrever melhor. O naturalista e crítico literário francês Buffon (1707-1788) pregava que “os nossos conhecimentos são os germes das nossas produções”.
Portanto, os verbos ler, pensar e escrever estão ligados uns aos outros como um elo indestrutível, uma corrente indissociável e serão eternamente conjugados fazendo a diferença entre os homens medíocres, indiferentes, horizontais e os sagazes, inteligentes, profundos.
Gustavo Atallah Haun - Professor.

sábado, 14 de janeiro de 2012

O QUESITO LEITURA NO PAÍS DO SAMBA


  “A leitura é para a mente o que o exercício é para o corpo.
Richard Steele
              
               Muitas pessoas nos têm pedido para escrever sobre a leitura, a importância desta e, principalmente, acerca da posição que o Brasil aparece nas pesquisas de analfabetismo e interpretação de textos feitas por órgãos internacionais.
Encaramos, aliás todo educador deveria encarar, com uma dor profunda todas as estatísticas negativas, mas não podemos esquecer que vivemos num país dito “em desenvolvimento”, cujo salário mínimo não ultrapassa os cem dólares mensais.  No Brasil, ou se come ou se lê; ou se paga as contas ou se lê; ou se veste ou se lê... Não dá para competir com as necessidades básicas! Esse é um dos motivos por continuarmos lendo, em média, dois livros por ano.
Lembramos que o genial Monteiro Lobato asseverava que um país se constrói com homens e livros, dessa forma percebemos que existem dois tipos de pessoas: as que lêem e as que não lêem. As primeiras estão mais bem preparadas para a vida, consciência desperta para as lutas do cotidiano, livres, por assim dizer, pois o conhecimento propicia a liberdade de pensar, logo de transformar. Já as segundas estão chafurdadas no lodo das manipulações, passivas frente aos embates da existência, deslocadas para as margens da sociedade.
Num país como a França, em que a média de leitura é de quatorze livros por ano e que foi palco das principais manifestações culturais, índices de analfabetismo, por exemplo, inexistem. Além disso, o país tem uma forte identidade cultural, defendendo com unhas e dentes suas tradições.
Já se tornou um senso comum a afirmação de que em Buenos Aires existem mais livrarias do que em todo território brasileiro. E com um detalhe importantíssimo: as livrarias funcionam 24 horas!
Visto por este ângulo, percebemos, também, que o quesito leitura é um problema cultural. Por um lado, não temos renda suficiente para abarrotar as estantes de livros e, por outro, não temos o costume de ler. Temos, sim, o costume de pegar as idéias emprestadas de outrem, não usar o pensamento e imaginação, além de querer as informações mastigadas e padronizadas como na TV (que tem acesso fácil e barato), sem falarmos que o lazer predileto do brasileiro é a mesa de bar...
É uma pena, porque entendemos a leitura (e, por conseguinte, o conhecimento) como a mola impulsionadora da transformação social e cultural de uma nação. Todo o patrimônio histórico intelectual da humanidade está condensado na escrita (toda a sabedoria religiosa, antropológica, literária, etc.) e acessar essa maravilha só depende de ação, boa vontade e dinheiro no bolso.
No dia em que formos viciados em livros, devorarmos revistas e jornais, ouvirmos boas músicas, participarmos de bons debates, entre outras coisas, iremos sair das últimas posições de analfabetismo, de capacidade de interpretar textos e de sermos “paus mandados...” Afinal, como dizia um escritor, o conhecimento nos traz o poder.
Gustavo Atallah Haun - Professor.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A ARTE PELA ARTE


O que é arte? Para que serve arte? Qual a função social da arte, se é que ela tem alguma? Como distinguir o que é belo para cada pessoa? Essas e muitas outras questões povoam a cabeça de professores, artistas e críticos pelo mundo. Uma reflexão séria sobre o assunto é cada vez mais escassa nos meios de comunicação. Aliás, os textos que versam sobre alguma obra artística, hoje em dia, não passam de releases pré-moldados, nada mais tem que ver com uma crítica, uma apreciação de valor.
A verdade é que a arte, seja ela qual linguagem for, é para poucos. Mas também ela tem, e deve, sobreviver. E isso ela só consegue através da comercialização dos seus produtos, assim como todos os outros no sistema capitalista. Como fazer um bom livro, peça, filme, e ao mesmo tempo ser vendável? Como conciliar os dois, muitas vezes postos em extremos? É claro que o ideal seria que todas as obras de arte fossem de alta qualidade e ao mesmo tempo consumidas pelas massas.
No entanto, isso não acontece. Um músico como Caetano Veloso, tido como bom, não passa de 200 mil cd’s vendidos a cada lançamento. Já músicos como Amado Batista, tido como brega, batem recorde de milhões de cd’s vendidos. Por que será? A população tem gosto chulo? O popular também é arte? Ou a arte que está vivendo em guetos, elitizada?
Pode-se ampliar a reflexão para o cinema: o brasileiro e o hollywoodiano, para ficar só nesses dois. Aqui no Brasil a média de criação de filmes não deve passar de vinte, trinta, longas-metragens por ano. Mas dessa quantidade, é possível extrair uns dez que sejam de bons a excelentes. Em Hollywood a média de filmes passa de 600 longas por ano, de orçamentos milionários, tirando 15, 20, que prestam. A média daqui é muito melhor, muito superior. Porém, não é vista, não é cultuada. Assistimos a todas as quinquilharias feitas nos EUA, as mídias televisivas nos impõem goela abaixo, no mais das vezes.
Até meados do século XX, tínhamos três grandes escritores cultuados no mundo: Jorge Amado (o mais lido), Guimarães Rosa (para muitos, merecedor do Prêmio Nobel de Literatura) e Clarice Lispector. Um trio de respeito de artistas literários que nos representava com orgulho e galhardia. Hoje, vemos a ascensão de Paulo Coelho como representante da nossa escrita planeta afora. A classe média européia se rendeu ao mago, ao exótico dos trópicos. E ele escreve literatura? Escreve bem? Começa por aí... E termina em altas vendagens como paradoxo!
Sem falar em escultura, dança, fotografia, artes plásticas...
Enfim, enquanto alguns tentam mostrar para os incautos de que há salvação, como apregoava alguns estetas, como Sartre e Schopenhauer, através da arte, da velha e boa arte, criando catarse e sublimando a existência, seguimos na nossa pacata província, nesse pedacinho de chão do sul da Bahia, acreditando que um dia a arte não será elaborada apenas pela arte, e sim para a consumação de saberes e sabores, como diz o poeta Jorge Araújo.
Gustavo Atallah Haun - Professor.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

OS GÊNEROS PRINCIPAIS DE REDAÇÃO


I - NARRAÇÃO

Narrar é contar um fato, um episódio; todo discurso em que algo é CONTADO possui os seguintes elementos, que fatalmente surgem conforme um fato vai sendo narrado:

                                     onde ? 
                                        |
         quando?  ---      FATO    --- com quem?
                                        |
                                    como?

 A representação acima quer dizer que, todas as vezes que uma história é contada (é NARRADA), o narrador acaba sempre contando onde, quando, como e com quem ocorreu o episódio. É por isso que numa narração predomina a AÇÃO: o texto narrativo é um conjunto de ações; assim sendo, maioria dos VERBOS que compõem esse tipo de texto são os VERBOS DE AÇÃO. O conjunto de ações que compõem o texto narrativo, ou seja, a história que é contada nesse tipo de texto, recebe o nome de ENREDO.

As ações contidas no texto narrativo são praticadas pelas PERSONAGENS, que são justamente as pessoas envolvidas no episódio que está sendo contado ("com quem?" do quadro acima). As personagens são identificadas (=nomeadas) no texto narrativo pelos SUBSTANTIVOS PRÓPRIOS.

Quando o narrador conta um episódio, às vezes( mesmo sem querer) ele acaba contando "onde" (=em que lugar)  as ações do enredo foram realizadas pelas personagens. O lugar onde ocorre uma ação ou ações  é chamado de ESPAÇO, representado no texto pelos ADVÉRBIOS DE LUGAR.

Além de contar onde , o narrador também pode esclarecer "quando" ocorreram as ações da história. Esse elemento da narrativa é o TEMPO, representado no texto narrativo através dos tempos verbais, mas principalmente pelos ADVÉRBIOS DE TEMPO. É o tempo que ordena as ações no texto narrativo: é ele que indica ao leitor "como" o fato narrado aconteceu. A história contada, por isso, passa por uma INTRODUÇÃO (parte inicial da história, também chamada de prólogo), pelo DESENVOLVIMENTO do enredo (é a história propriamente dita, o meio, o "miolo" da narrativa, também chamada de trama) e termina com a CONCLUSÃO da história (é o final ou epílogo). Aquele que conta a história é o NARRADOR, que pode ser PESSOAL (narra em 1a pessoa : EU...) ou IMPESSOAL (narra em 3a. pessoa: ELE...).

Assim, o texto narrativo é sempre estruturado por verbos de ação, por advérbios de tempo, por advérbios de lugar e pelos substantivos que nomeiam as personagens, que são os agentes do texto, ou seja, aquelas pessoas que fazem as ações expressas pelos verbos, formando uma rede: a própria história contada.

II - DESCRIÇÃO

Descrever é CARACTERIZAR alguém, alguma coisa ou algum lugar através de características que particularizem o caracterizado em relação aos outros seres da sua espécie. Descrever, portanto, é também particularizar um ser. É "fotografar" com palavras.

No texto descritivo, por isso, os tipos de verbos mais adequados (mais comuns) são os VERBOS DE LIGAÇÃO (SER, ESTAR, PERMANECER, FICAR, CONTINUAR, TER, PARECER, etc.), pois esses tipos de verbos ligam as características - representadas linguisticamente pelos ADJETIVOS - aos seres  caracterizados - representados pelos SUBSTANTIVOS. Ex. O pássaro é azul . 1-Caractarizado: pássaro / 2-Caracterizador ou característica: azul / O verbo que liga 1 com 2: é

Num texto descritivo podem ocorrer tanto caracterizações objetivas (físicas, concretas), quanto subjetivas (aquelas que dependem do ponto de vista de quem descreve e que se referem às características não-físicas do caracterizado). Ex.: Paulo está pálido (caracterização objetiva), mas lindo! (carcterização subjetiva).   

III - DISSERTAÇÃO

Além da narração e da descrição há um terceiro tipo de redação ou de discurso: a DISSERTAÇÃO.

Dissertar é refletir, debater, discutir, questionar a respeito de um determinado tema, expressando o ponto de vista de quem escreve em relação a esse tema. Dissertar, assim, é emitir opiniões de maneira convincente, ou seja, de maneira que elas sejam compreendidas e aceitas pelo leitor ; e isso só acontece quando tais opiniões estão bem fundamentadas, comprovadas, explicadas, exemplificadas, em suma: bem ARGUMENTADAS (argumentar= convencer, influenciar, persuadir). A argumentação é o elemento mais importante de uma dissertação.

Embora dissertar seja emitir opiniões, o ideal é que o seu autor coloque no texto seus pontos de vista como se não fossem dele e sim, de outra pessoa ( de prestígio, famosa, especialista no assunto, alguém...), ou seja, de maneira IMPESSOAL, OBJETIVA e sem prolixidade ("encher lingüiça"): que a dissertação seja elaborada com VERBOS E PRONOMES EM TERCEIRA PESSOA. O texto impessoal soa como verdade e, como já citado, fazer crer é um dos objetivos de quem disserta.

Na dissertação, as idéias devem ser colocadas de maneira CLARA E COERENTE e organizadas de maneira LÓGICA:

a) o elo entre pontos de vista e argumento se faz de maneira coerente e lógica através das CONJUNÇÕES (=conectivos) - coordenativas ou subordinativas, dependendo da idéia que se queira introduzir e defender; é por isso que as conjunções são chamadas de MARCADORES ARGUMENTATIVOS.

b) todo texto dissertativo é composto por três partes coesas e coerentes: INTRODUÇÃO, DESENVOLVIMENTO e CONCLUSÃO.

A introdução é a parte em que se dá a apresentação do tema, através de um CONCEITO (e conceituar é GENERALIZAR, ou seja, é dizer o que um referente tem em comum em relação aos outros seres da sua espécie) ou através de QUESTIONAMENTO(s) que ele sugere, que deve ser seguido de um PONTO DE VISTA e de seu ARGUMENTO PRINCIPAL. Para que a introdução fique perfeita, é interessante seguir esses passos:

1. Transforme o tema numa pergunta;

2. Responda a pergunta (e obtém-se o PONTO DE VISTA);

3. Coloque o porquê da resposta (e obtém-se o ARGUMENTO).

O desenvolvimento contém as idéias que reforçam o argumento principal, ou seja, os ARGUMENTOS AUXILIARES e os FATOS-EXEMPLOS (verdadeiros, reconhecidos publicamente).

A conclusão é a parte final da redação dissertativa, onde o seu autor deve "amarrar" resumidamente (se possível, numa frase) todas as idéias do texto para que o PONTO DE VISTA inicial se mostre irrefutável, ou seja, seja imposto e aceito como verdadeiro.

Antes de iniciar a dissertação, no entanto, é preciso que seu autor: 1. Entenda bem o tema; 2. Reflita a respeito dele; 3. Passe para o papel as idéias que o tema lhe sugere; 4. Faça a organização textual (o "esqueleto do texto"), pois a quantidade de idéias sugeridas pelo tema é igual a quantidade de parágrafos que a dissertação terá no  DESENVOLVIMENTO do texto.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

15 TEMAS POSSÍVEIS DE REDAÇÃO PARA O CONCURSO DA PM/BA:


1. As justificativas sociais da violência atual;
2. Como combater o crime?;
3. Os Direitos Humanos são respeitados?;
4. As relações de poder e autoridade;
5. O seu direito começa onde acaba o do outro;
6. A ética no serviço público;
7. Qual o papel do cidadão ante a lei?;
8. A corrupção policial como agravante do crime;
9. A multiplicação dos presídios;
10. A igualdade de todos perante a Lei;
11. A impunidade no Brasil;
12. O combate à pedofilia/ao trabalho infantil/ à prostituição infantil;
13. A união entre as polícias civil e militar;
14. Abusos de poder no cumprimento das ações;
15. Fazer justiça com as próprias mãos etc.

Boa sorte!!!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

COMO ELABORAR UMA REDAÇÃO NOTA DEZ



Você já ouviu aquela história de que um vestibulando da Fuvest tirou 10 numa redação cujo tema era "O Lápis e a Borracha" apenas escrevendo a frase "O que o lápis escreve a borracha apaga"? Se ouviu, pode esquecer o mau exemplo, porque tentar "dar uma de esperto" não vai te ajudar a escrever bem no vestibular.

"Há o mito de que existe uma receita pronta para se fazer uma boa redação. Coisas como 'não usar verbo no título' ou 'não escrever usando letras de forma', por exemplo. Nenhuma dessas informações tem a menor relevância", esclarece o professor de redação Eduardo Antônio Lopes, autor do material didático do Curso Anglo e do Sistema Anglo de Ensino.

Portanto, não desperdice sua energia tentando guardar fórmulas mágicas e modelos de redação. O ideal para se dar bem no vestibular é praticar bastante. O professor Lopes conta que costuma comparar aprender a escrever bem com tocar um instrumento musical: "você não imagina que alguém vai aprender a tocar violão sem nunca praticar o instrumento. Com a redação acontece a mesma coisa, é preciso ensaiar sempre".

Isso não significa que você deve escrever um texto burocrático e sem graça na sua redação do vestibular. "As bancas valorizam textos com marca autoral, que mostram que o estudante é um participante crítico da realidade. Escrever algo sem nenhum 'sabor' não é bem visto", afirma Lopes.

Ou seja, o ideal é não pensar em criatividade no sentido de ter uma sacada sensacional que salve a sua redação mal feita no vestibular - como a história do lápis e da borracha tenta convencer - mas sim pensar em ter senso crítico apurado e ser original nos seus argumentos. O professor do Cursinho da Poli Gesu Wanderlei Costa também confirma a exigência de originalidade: "os textos mais bem avaliados são de alunos ousados, críticos, que não acreditaram em regrinhas ou fórmulas de fazer redação".

Ficou com medo de errar a medida? Veja alguns conselhos para quem quer se dar bem na redação.

Na hora de estudar: Costa afirma que os vestibulandos deveriam fazer da prática da redação um "sacerdócio". Ele próprio escreve duas crônicas e um conto semanalmente, só para não perder a prática. "Para escrever bem, o aluno tem que mudar de comportamento, e se preocupar em se tornar um escritor independentemente do vestibular", afirma.

Para ajudar seus alunos a se familiarizar com esse universo, ele costuma aplicar exercícios de "desbloqueio" bem no começo do curso - nesses exercícios os alunos são estimulados a escrever todas as suas idéias sobre um determinado assunto num papel, aleatoriamente, só para "perder o medo" da escrita.

A partir daí, ele conta que há três níveis de aperfeiçoamento na redação. Em primeiro lugar, é preciso aprender as normas gramaticais - ou seja, dominar regras de acentuação gráfica, ortografia, pontuação e se sentir confortável para escrever na norma culta, garantindo assim a clareza do texto.

Num segundo momento, o aluno deve se preocupar com a coesão textual, o que significa cuidar para demonstrar o encadeamento lógico e a precisão das suas idéias, construindo um texto dotado de começo, meio e fim.

E depois de ter superado esses dois níveis de aprendizado da escrita, ele deve começar a praticar a sua argumentação, tendo em mente que precisa convencer o leitor da consistência crítica dos seus argumentos.

Como saber se você está conseguindo superar esses três estágios do aprendizado? "É essencial ter alguém pra corrigir o seu texto", afirma Costa. "Costumo dizer para os meus alunos que às vezes ter alguém para ler o texto chega a ser mais importante do que vir à aula. Quem não faz cursinho pode pedir para o professor do colégio ou até para um amigo corrigir os seus textos de vez em quando." Ele recomenda que os alunos comparem suas redações com os melhores textos de vestibulares passados, como os da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular), que organiza o processo seletivo da USP (Universidade de São Paulo.

E para quem está tentando adivinhar sobre que assunto vai ter que escrever na redação do vestibular, mais um conselho: "ficar preocupado com qual vai ser o tema da prova durante esse treinamento é bobagem", afirma Costa. Ele explica que, ao ler jornais, revistas e livros durante o preparo para a prova, é importante tentar captar o posicionamento do autor em relação ao tema, e que interesses podem estar envolvidos na sua escrita.

Ele lembra que, depois de 1998 - em que a FUVEST pediu para os estudantes analisarem cinco trechos de pensamentos filosóficos refinados, numa das provas de redação mais difíceis da história dos vestibulares - os exames têm preferido abordar temas relacionados ao cotidiano social dos adolescentes. Ou seja, é muito remota a possibilidade de você ter que escrever a sua redação sobre um tema do qual nunca ouviu falar.

Na hora da prova: As dicas para fazer uma boa prova são do professor do Anglo Eduardo Lopes. Ele acredita que o vestibulando deve ler a proposta atentamente e, ainda antes de iniciar o texto, planejar o objetivo da sua argumentação. "Vai ficar muito difícil encadear os parágrafos e selecionar os argumentos sem ter certeza de onde se quer chegar", explica.

Depois disso, o estudante deve utilizar esse direcionamento para reler a coletânea de textos (fragmentos dados na proposta), com a intenção de não apenas alcançar um bom resultado, e sim de escrever algo que atenda às expectativas da banca examinadora da prova. "A coletânea é como uma pesquisa que a banca faz para o vestibulando, com a finalidade de diminuir a artificialidade dessa situação, em que alguém escreve sem ter a possibilidade de pesquisar sobre o assunto", afirma Lopes.

Outro recado importante na hora de escolher os argumentos que vão sustentar a redação: cuidado para não emitir opiniões preconceituosas e infundadas, problemas que aparecem nos textos de vestibular com mais freqüência do que você pode imaginar. "A banca espera que o aluno demonstre apreço pela cidadania e pelos valores democráticos. Qualquer posicionamento é válido, desde que respeite os direitos humanos universais, os direitos do indivíduo e os interesses da maioria", finaliza Lopes.

Com um bom preparo e muito treino, com certeza você não vai precisar de sorte para se dar bem na redação do vestibular!

(Site Universia)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A FORÇA DO VERBO



Nunca me expressei bem oralmente, apesar de ter me tornado professor. As palavras expositivas jamais corresponderam ao que gostaria de dizer ou ao que eu havia preparado para tal. As pregas vocais não acompanham com fidedignidade a minha mente, além de certo bloqueio com o público. O pensamento se faz um pouco mais completo quando escrevo. No ato da escrita eu tento ser sincero e razoável no meu pensar, nas minhas reflexões e devaneios. Escrever é uma forma de botar para fora o urso interior que desperta esfomeado da longa hibernação.
Eu assisto admirado aos inúmeros palestrantes marketeiros empresariais, de auto-motivação, administradores que largaram as suas empresas e se tornaram oradores profissionais, cobrando milhões por apresentação! Eles brincam com a retórica, fazem gracejos com a platéia segurando nota de dinheiro, copo com água, folha em branco. São ovacionados, aplaudidos de pé, prendem a respiração e a atenção dos ouvintes, além do principal: alienam multidões, vendem seus incansáveis livros, etc. Apesar de estarem em baixa no momento, vez por outra surge uma nova celebridade da área e se vai com a mesma presteza com que veio. Cada um mais arrebatador e inflamado do que o outro!
E como o brasileiro é um povo que necessita ouvir, precisa de heróis, carece de gente em que se possa espelhar, tem a auto-estima baixa e anda sempre no vermelho financeiro, esses retumbantes palradores assumem um lugar de importância magna, mesmo que seja tossindo clichês, abobrinhas e chavões, porém com um certo estilo e pompa, jocosamente sábio para a platéia incauta em busca de curas físicas ou espirituais.
Se todos os bons livros literários viessem com um apresentador dessa estirpe, a nossa média de leitura no Brasil subiria vertiginosamente, tenho quase certeza. Já imaginaram um elegante coroa, perfumado, aparentemente feliz e desinibido representando oralmente uma tragédia de Sófocles ipsis literis com a mesma desenvoltura? Ou então uma quarentona loira num tailler falando sobre as digressões machadianas para o pessoal da terceira idade ou para os vendedores de seguros? Talvez isso fizesse com que as pessoas despertassem, pegassem os livros e fossem ler os originais, entretanto aquela seria a representação oral, marca forte da cultura nacional tupiniquim, de conteúdos interessantes, ricos, e muitas vezes chato na escrita.
Já tivemos grandes mestres da “fala”, do “discurso”, como os irmãos Mangabeira, Ruy Barbosa, os poetas condoreiros, entre eles Castro Alves, só para ficar nesses. Hoje em dia, quão inebriante não é assistir na nossa região grapiúna, por exemplo, um Ari Quadros Teixeira, gênio da oratória, relatar para nós uma historieta qualquer de Malba Tahan, com toda a lhaneza que lhe é peculiar! Ou um Ruy Póvoas, narrando as lendas e mitos dos povos nagô, queto, jêje e ijexá, raízes da sua cultura africana. Homens assim faltam em nossas vidas. A aproximação mais sagaz, embora sem as mesmas características, é o teatro, encenando de forma bela, caricata e grandiosa a alma humana, com todos os seus matizes.
O ato de dizer algo realmente está imbricado com toda a simbologia que nasceu com os povos latinos: o dizer com as mãos, o dizer com os gestos, o dizer com o corpo, acompanhando a língua discorrer, extasiando ainda mais o ouvinte concentrado. Eu de cá na minha pequenez fico só imaginando um Sócrates nas praças e feiras públicas de Atenas, atacando ferozmente os políticos corruptos, a religião vazia e a filosofia insípida até aquele momento. Sem falar de Moisés, Jesus, Buda, Confúcio, Francisco de Assis, Gandhi e muitos outros que jamais escreveram uma linha, mas falaram, gesticularam e disseram tudo!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

DICAS PARA ESCREVER UMA BOA REDAÇÃO

Faça letra legível: 
Você acha que alguém vai tentar decifrar sua redação, tendo outras 1000 para corrigir?

Ordenação das Idéias:
A falta de ordenação de idéias gera um texto sem encadeamento e, às vezes, incompreensível, partindo de uma idéia para outra sem critério, sem ligação.

Coerência:
Você não deve apresentar um argumento e contradizê-lo mais adiante.

Coesão:
A redundância denuncia a falta de coesão, assim como a falta de ligação entre frases e parágrafos. Não dê voltas num assunto, sem acrescentar dados novos. Isso é típico de quem não tem informações suficientes para compor o texto.

Inadequação:
Não fuja ao tema proposto, escolhendo outro argumento com o qual tenha maior afinidade. O distanciamento do assunto pode custar pontos importantes na avaliação.

Estrutura dos Parágrafos:
Separe o texto em parágrafos. Sem a definição de uma idéia em cada parágrafo, a redação fica mal estruturada. Não corte a idéia em um parágrafo para concluí-la no seguinte. Não deixe o pensamento sem conclusão.

Aspecto gramatical:
· Faça a concordância e a flexão correta dos tempos verbais;
· Não fragmente a frase, separando o sujeito do predicado;
· Cuidado com a pontuação, acentuação e ortografia das palavras.

Conselhos úteis:
· Evite a repetições de sons, que é deselegante na prosa;
· Evite a repetições de palavras, que denota falta de vocabulário;
· Evite a repetição de idéias, que demonstra falta de conhecimento geral;
· Evite o exagero de conectivos (conjunções e pronomes relativos) para evitar a repetição e para não alongar períodos;
· Evite o uso exagerado de palavras e expressões do tipo: problema, coisa, negócio, principalmente, devido a, através de, em nível de, sob um ponto de vista, tendo em vista, etc.;
· Nunca utilize coloquialismos: só que, daí, aí, ta, tou, pra, pro, etc.;
· Cuidado com o emprego ambíguo dos pronomes: seu, seus, sua, suas;
· Cuidado com as generalizações: sempre, nunca, todo mundo, ninguém;
· Seja específico: utilize argumentos concretos, fatos importantes;
· Não faça afirmações levianas, como: todo político é corrupto;
· Não use expressões populares e cristalizadas pelo uso, como: a união faz a força;
· Não use palavras estrangeiras nem gírias, como: deletar, tipo assim;
· Observe as palavras desnecessárias. Ex.: “Necessita de ajudar o próximo”
· Cuidado com o uso de conjunções:
. mas, porém, contudo são adversativas, indicam fatores contrários;
. portanto, logo são conclusivas;
. pois é explicativa e não causal;
· Não escreva períodos muito curtos (que travam o texto) nem muito longos (que possibilitam o erro);
· Não use a palavra “eu” nem a palavra “você” e evite a palavra “nós”: a dissertação deve ser impessoal; não se dirija ao examinador como se estivesse conversando com ele;
· Não deixe parágrafos soltos: faça uma ligação entre eles, pois a ausência de elementos coesivos entre orações, períodos e parágrafos é erro grave.

Prof. Gustavo · a melhor preparação para a prova de Redação
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A ESCOLA NO CINEMA

Na mesma tônica da frase “de louco e de médico todo mundo tem um pouco”, a Educação sofre de idêntica vertigem: todos acham que podem e devem opinar sobre o assunto, mesmo não se diplomando em uma licenciatura ou tendo experiência em sala de aula.
Ainda assim, alguns curtas e longas-metragens vêm trazendo à tona um arsenal muito rico e bastante variado sobre a docência, estudantes, métodos, salas de aula, problemáticas educacionais, entre outros assuntos que se interrelacionam com esses.


Ao Mestre, Com Carinho (1966) emocionou uma legião de fãs que, depois de assisti-lo, tornaram-se professores. Sidney Poitier, o primeiro negro a ganhar um Oscar nos EUA como ator principal, faz um engenheiro desempregado que resolve dar aula em uma escola no subúrbio de Londres. Vale a pena assistir, deliciar-se com os desafios propostos pelos alunos rebeldes e, emocionar-se no final, quando todos veneram o professor que conseguiu conquistá-los. Ao Mestre, Com Carinho foi refilmado para a TV, em 1995.
Seguindo uma linha totalmente difusa, o filme Pink Floyd The Wall (1982) ficou mundialmente famoso por retratar uma cena que se passa com o protagonista quando ainda estudante. Ridicularizado pelo professor por escrever poesia, ele era sempre a cobaia do mestre, chegando a imaginar uma total destruição da escola. Tal fragmento do filme virou o próprio videoclipe da banda. Produzido pelo diretor britânico Alan Parker, lançado pela MGM, o roteiro foi escrito pelo então vocalista e baixista da banda Pink Floyd, Roger Waters. Apesar de Waters ter cogitado ser o próprio protagonista do filme, foi escolhido o ator Bob Geldof.


Já o filme Mentes Perigosas (1995), estrelado pela bela Michelle Pfeiffer, é uma “sessão da tarde” interessante. Michelle faz uma oficial da marinha que abandona a carreira militar para realizar o antigo sonho de ser professora de inglês. Mas, o grupo de alunos rebeldes que tem pela frente logo na primeira escola em que leciona será capaz de deixar o telespectador colado na telinha para saber até onde ela é capaz de agir, tentar mudar as consciências, etc.


Mais recentemente, foi lançado nos EUA um longa baseado em uma experiência real, Escritores da Liberdade (2007), tendo a atriz Hilary Swank como protagonista. O filme aborda, de uma forma comovente e instigante, o desafio da educação em um contexto social problemático e violento. Hilary vive a personagem da professora Erin Gruwell, por volta do ano de 1992, na cidade de Los Angeles, que passa por uma verdadeira guerra nos seus bairros mais pobres, causada, sobretudo, por gangues que são movidas pelas tensões raciais. Vale a pena conferir e se emocionar!


Por fim, gostaria de falar sobre um documentário brasileiro tão pouco visto e que, infelizmente, não teve o debate e o respaldo merecidos pela imprensa no Brasil. O brilhante Pro Dia Nascer Feliz (2006), do diretor João Jardim, apresenta um panorama sobre as adversidades enfrentadas pelo adolescente brasileiro da escola pública e também a visão de mundo dos jovens urbanos da escola particular. Um excelente documentário, que mudará muitos preconceitos arraigados no imaginário do país sobre a escola que temos.
Seja como for, a sorte está lançada. Dentre tantas películas boas que o cinéfilo tem à sua disposição, eis algumas poucas que tratam da Educação. Agora é só conferir.
Gustavo Atallah Haun - Professor.