quinta-feira, 17 de abril de 2014

HAJA VISTA OU HAJA VISTO?

Haja vista ou haja visto
Muita polêmica se tem gerado em torno da forma correta de escrita desta expressão, não havendo consenso entre os estudiosos da língua. A maioria considera correta a expressão haja vista. Sendo uma expressão, é invariável, ou seja, não se flexiona em gênero e número. Esta expressão indica que se deve ter em consideração algo que será mencionado, sendo sinônima de: tendo em conta, tendo em vista, a julgar por, considerando-se, basta ver e tendo por exemplo. É possível, contudo, encontrarmos na língua portuguesa a estrutura haja visto, sendo que esta não constitui uma expressão mas sim uma conjugação perifrástica, ou seja, um tempo composto por um verbo auxiliar e um verbo principal.

Em se tratando da forma considerada pela maioria dos estudiosos como correta, a expressão haja vista é uma estrutura semântica invariável, que permanece inalterada independentemente da frase onde está inserida.


Exemplos:

·         Fazer essa cadeira não é nada fácil, haja vista a má nota da maioria dos estudantes.
·         Fazer essa cadeira não é nada fácil, haja vista as más notas da maioria dos estudantes.
·         Fazer essa cadeira não é nada fácil, haja vista o mau resultado da maioria dos estudantes.
·         Fazer essa cadeira não é nada fácil, haja vista os maus resultados da maioria dos estudantes.

Alguns estudiosos, contudo, consideram que pode haver flexão em número do verbo haver (singular com haja e plural com hajam), mas não flexão da palavra vista, dado se tratar de um substantivo comum relacionado com a visão e com o olho e não um verbo.


Exemplos:

·         Fazer essa cadeira não é nada fácil, haja vista a má nota da maioria dos estudantes.
·         Fazer essa cadeira não é nada fácil, hajam vista as más notas da maioria dos estudantes.
·         Fazer essa cadeira não é nada fácil, haja vista o mau resultado da maioria dos estudantes.
·         Fazer essa cadeira não é nada fácil, hajam vista os maus resultados da maioria dos estudantes.

Além dessas duas leituras diferentes da expressão haja vista, ainda há uma série de desacordos relativamente à regência da mesma. Há registros do uso desta expressão com diferentes preposições: haja vista a ou haja vista em.


Atenção!
A utilização de haja visto para indicar esta expressão é errada! É possível a utilização da estrutura haja visto em português, sendo a junção do verbo auxiliar haver na 1ª ou na 3ª pessoa do singular do presente do subjuntivo (haja) com o particípio do verbo principal ver (visto). Esta estrutura verbal é pouco utilizada, sendo mais utilizado pelos falantes o verbo auxiliar ter (tenha).


Exemplos:

·         Tomara que o diretor haja visto o que aconteceu no recreio entre aqueles dois alunos.
·         Suponho que ela haja visto este filme com as amigas.

·         Tomara que o diretor tenha visto o que aconteceu no recreio entre aqueles dois alunos.

·         Suponho que ela tenha visto este filme com as amigas.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

APRENDA COM OS MELHORES!

Caloura de medicina da UFRJ conta segredos para texto nota 1.000 no Enem

Lucas Rodrigues
Do UOL, em São Paulo
  • Arquivo Pessoal
    Beatriz Pêgo Damasceno, 18, gabaritou a Uerj e é aluna nota 1.000 na redação do Enem
    Beatriz Pêgo Damasceno, 18, gabaritou a Uerj e é aluna nota 1.000 na redação do Enem
Após ser a primeira candidata a gabaritar um exame de qualificação da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Beatriz Pêgo, 18, conseguiu ótimos resultados nos vestibulares que prestou e foi aluna nota 1.000 na redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2013. Ela contou ao UOL os segredos que a fizeram ser caloura do curso de medicina em uma universidade pública.
Beatriz já foi premiada em dois concursos de redação da Academia Brasileira de Letras. Ela conta que seu interesse pela escrita começou quando escreveu um texto que foi selecionado para integrar um livro feito pelo Colégio Pedro II e pela Folha Dirigida.
"Desde então, passei a ser cada vez mais incentivada e com o tempo fui percebendo que escrever era, além de prazeroso, muito gratificante".
Para ir bem na redação, ela diz que o essencial é acompanhar de perto as notícias e estar por dentro das atualidades. "Esses assuntos podem participar diretamente da temática elaborada pela banca, como aconteceu no Enem 2013", analisa. Estar atualizado ajuda a conquistar pontos na competência que pede a abordagem de assuntos interdisciplinares no exame, afirma.
No ano passado, o tema de redação do Enem foi "Os efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil". A aluna de medicina da UFRJ diz ter achado a proposta bastante interessante por possuir relações com a temática de cidadania, legislação e conscientização social.
"Um tema assim no Enem, além de ser extremamente atual, é uma forma de cobrar da juventude consciência crítica sobre a Lei Seca e o aprimoramento da legislação brasileira, seus efeitos e também suas falhas."

Lista de conquistas

O desempenho no Enem garantiu o 2º lugar de direito na PUC e o 3º também em medicina na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Além de ter ficado no 14º lugar de medicina da Uerj, Beatriz foi 1º lugar na Unigranrio e na Petrópolis para o mesmo curso. No final, a Universidade Federal do Rio de Janeiro foi a escolhida. 
O sucesso em tantos vestibulares foi conquistado com uma rotina bastante regrada. Beatriz preferiu adotar uma disciplina de estudo diário para não acumular matéria e não ficar nervosa antes das provas. O tempo de dedicação aos livros depois da escola girava em torno de 4h30.
Nesse período, a estudante conta que ficava longe de qualquer aparelho eletrônico que pudesse lhe distrair do foco de estudar e acredita que o grande diferencial para os vestibulandos é praticar por meio de simulados.
"Realizar simulados como se estivesse realmente fazendo a prova, controlando o tempo, sem consultar livros e outras fontes de pesquisa e sem qualquer ajuda para solucionar as questões é um bom exercício", diz. "Isso porque é apenas fazendo e refazendo provas antigas que pegamos a prática e nos acostumamos com a rotina cansativa de provas."
Ela recomenda ainda que os vestibulandos tentem definir uma rotina de exercícios físicos. "Acho que eles são essenciais, tanto para a saúde, como para relaxar um pouco a mente", analisa. "Eu fazia academia todos os dias pois era a minha melhor fonte de lazer durante a semana." 

sábado, 12 de abril de 2014

TEXTO, CONTEXTO, INTERTEXTO...



Texto é, literalmente, um tecido verbal estruturado de tal forma que as ideias formam um todo coeso, uno, coerente. A imagem de tecido contribui para esclarecer que não se trata de feixe de fios entrelaçados (frases que se inter-relacionam).
Todas as partes de um texto devem estar interligadas e manifestar um direcionamento único. Assim, um fragmento que trata de diversos assuntos não pode ser considerado texto. Da mesma forma, se lhe falta coerência, se as ideias são contraditórias, também não constituirá um texto. Se os elementos da frase que possibilitam a transição de uma ideia para outra não estabelecem coesão entre as partes expostas, o fragmento não se configura texto. Essas três qualidades - unidade, coerência e coesão - são essenciais para a existência de um texto. Um texto é mais ou menos eficaz dependendo da competência de quem o produz, ou da interação de autor-leitor, ou emissor-receptor. O texto exige determinadas habilidades do produtor, como conhecimento do código, das normas gramaticais que regem a combinação dos signos. A competência na utilização dos signos possibilita melhor desempenho.
Textos orais e escritos

Define-se como informações que acompanham o texto. Por isso, sua compreensão depende da compreensão do contexto. Assim sendo, não basta a leitura do texto, é preciso retomar os elementos do contexto, aqueles que estiveram presentes na situação de sua construção.
O contexto deve ser visto em suas duas dimensões: estrutura de superfície e estrutura de profundidade. A estrutura de superfície considerada os elementos do enunciado, enquanto a estrutura de superfície considera os elementos do enunciado, enquanto a estrutura de profundidade considera a semântica das relações sintáticas. Num caso, o leitor busca o primeiro sentido pelo produzido pelas orações; no outro, vasculha a visão do mundo que informa o texto.
O contexto pode ser imediato ou situacional.
O contexto imediato relaciona-se com os elementos que seguem ou precedem o texto imediatamente. São os chamados referentes textuais.
O contexto situacional é formado por elementos exteriores ao texto. Esse contexto acrescenta informações, quer históricas, quer geográficas, quer sociológicas, quer literárias, para maior eficácia da leitura que se imprime ao texto.

Além do contexto, a leitura deve considerar que um texto ode ser produto de relações com outros textos. Essa referência e retomada constante de textos anteriores recebe o nome de paráfrase, paródia, estilização.
A paráfrase pode ser ideológica ou estrutural. No primeiro caso. O desvio é mínimo: varia a sintaxe, mas as ideias são as mesmas. Há apenas uma recriação das ideias. Pode-se entender a paráfrase ideológica como simples tradução de vocábulos, ou substituição de palavras por outras de significado equivalente. No segundo caso há uma recriação do texto e do contexto. O comentário crítico, avaliativo, apreciativo, o resumo, a resenha, a recensão são formas parafrásticas estruturais de um texto.
A estilização exige recriação do texto, considerando, sobretudo procedimentos estilísticos. O desvio em relação ao texto, original é maior do que no caso da paráfrase.
Na paródia, o desvio é total; às vezes invertem-se as ideias, vira-se o texto do avesso. Há uma ruptura, uma deformação propositada, tendo em vista mostrar a inocência do texto original ou simplesmente apresentar outras ideias que o texto original omitiu ou não se interessou em expor.
Textos virtuais: a onda do momento

Os elementos estruturais do texto são: o saber partilhado, a informação nova, as provas, a conclusão.
Por saber partilhado entende-se a informação antiga, do conhecimento da comunidade. De modo geral, o saber partilhado aparece na introdução, um local privilegiando para a negociação com o leitor.
O emissor negocia com o leitor, coloca-se num nível de entendimento, estabelece um acordo, para em seguida, expor informações novas.
A informação nova serve para desenvolver o texto, expandi-lo. O autor considera como não sendo do conhecimento de todos e, portanto, capaz de estimular o leitor a continuar na leitura. A existência de um texto implica ter algo de novo para dizer.
O saber partilhado mais a informação nova não são suficientes para a realização de um texto. É preciso acrescentar provas, fundamentos das afirmações expostas.
O autor do texto cita como prova de suas afirmações o livro. Se o leitor duvidar de suas asserções, poderá recorrer ao livro e chegar às mesmas conclusões que ele.

Ao saber partilhado, à informação nova, às provas o autor junta seus objetivos, pois todo texto visa chegar a algum lugar.
(Fonte: http://www.angelfire.com/bc/fontini/resenha.html)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

ENTREVISTA COM ROGER, DO ULTRAJE

Roger, do Ultraje: “a gente não saiu da ditadura”

POR MORRIS KACHANI
10/04/14  15:40
'selfie' do Roger
‘selfie’ do Roger
Com mais de meio milhão de seguidores no twitter e protagonizando o programa “The Noite”,  no SBT, ao lado de Danilo Gentili, Roger Moreira, 57, está revivendo o sucesso.
Conhecido pelo deboche e pela verve iconoclasta, ganhou fama nos anos 80 à frente da banda de rock Ultraje a Rigor, emplacando hits como “Inútil”, “Mim quer tocar” ou “Nós vamos invadir sua praia”.
Depois Roger andou meio esquecido, com aparições pontuais nos holofotes como por exemplo em 99, por conta da edição da G Magazine que o trazia nu.
O programa “The Noite” estreou há um mês e vem ganhando uma boa audiência. Atingiu 5,5 pontos no ibope, quando a média no horário anterior a sua estreia era de 4. Já venceu Jô Soares por três vezes.
Para muitos, a parceria de Roger com Gentili, selada em 2010, quando este apresentava um talk show na Band, antes de levá-lo ao SBT, simbolizava a decadência do Ultraje. Mas Roger nunca considerou que a banda fosse mero apoio ao programa, como acontece com os músicos de Jô.
São várias suas intervenções durante as entrevistas. Há um mês a apresentadora Rachel Sheherazade cantou em duo com ele “Nós vamos invadir sua praia”, em um dos pontos altos do “The Noite”.
Fui entrevistá-lo no camarim do estúdio do programa, no SBT. A ideia era desfiar seu pensamento político, revisitando as letras de suas canções, que tanto sucesso fizeram em outro tempo. Eis a conversa:
*
Você ainda acha que “a gente somos inútil”?
Eu acho. Quando fiz essa música estava voltando dos Estados Unidos, onde fui morar em 79. Tomei um baque grande de ver o que era a democracia de verdade. A gente ainda estava no finzinho da ditadura, a maioria não fazia ideia e nem hoje faz do que seja realmente uma democracia. Tudo aqui é uma merda. Quando vamos mudar o padrão de uma tomada, ao invés de adotar o padrão internacional, inventamos um padrão esdrúxulo.
E o que é uma democracia?
Um governo orientado para satisfazer o povo, por exemplo. Não como aqui onde predomina o favor e o paternalismo. Lá, quando a população tem necessidade, ela exige que seja atendida. É o lance do capitalismo funcionando direito, todos têm chance. Cheguei como estrangeiro, só pegava empregos que ninguém queria como garçom, lavador de prato, diarista. Ganhava bem, levava uma vida boa. É o que acontece com qualquer brasileiro que vai para lá, ele aprende rapidamente porque é um passo pra cima. Lá ninguém joga lixo no chão. O problema é que quando o brasileiro volta pra cá, ele esquece disso.
Estamos numa democracia?
Estamos em uma democracia fingida como na Venezuela. Não é só porque tem votação que tem democracia. Não é porque a maioria quer que isso é democracia. A democracia prevê um embate das forças e alternância de poder. E aqui há diversos subterfúgios, inclusive de dar dinheiro pro povo, espécie de coronelismo que sempre existiu.
Então nos Estados Unidos a vida é melhor?
Morei lá com minha irmã, que tinha bronquite. Quantas vezes não fomos atendidos gratuitamente no hospital. Aqui não, se você vai ao hospital público vê todo mundo morrendo, deitado no chão. Eu não, claro, graças a Deus, porque tive estudos. Não por isso sou menos brasileiro, a esquerda está sempre tentando jogar uns contra os outros.
E por que você voltou, então?
Saí de lá sinceramente porque não queria essa vida pra sempre, não usava minha cabeça pro trabalho, era só o braçal. Também senti falta de minha cultura, mas na volta senti esse baque e comecei a notar que o Brasil não funciona por causa do brasileiro. Há um vício de colocar a culpa em alguém, de esperar que o governo resolva, de não assumir. Na letra de “Inútil” usamos o português errado, porque aqui não tem educação direito.
“A gente não sabemos escolher presidente”, ainda?
Ainda não. Praticamente todos os partidos estão do mesmo lado pra começo de conversa. Os políticos prometem de tudo e o povo brasileiro meio que aceita. A gente tem essa mania histórica de corrupção e preguiça, uma série de más qualidades que fingimos que não vemos. Em português claro, o brasileiro merece tomar uns pitos de correção e não tem quem vá fazer isso porque político só rouba e promete, e trata o povo como se fosse coitado. A segunda frase desta música é “a gente não sabemos tomar conta da gente”. A gente não sabe se administrar.
O que precisa ser feito?
A gente tem que tomar as rédeas do sistema. Mas está tão corrompido que a gente nem sabe qual é esse caminho.
O país melhorou?
Melhorou. A gente saiu de uma ditadura e passou a fazer eleição direta. Mas agora estamos regredindo rapidamente sem perceber, pro ponto que a gente estava.
Como assim?
Entrei na escola em 64, naquele tempo a aula de história era muito orientada, só os melhores momentos eram apresentados e ainda assim de forma deturpada. Hoje é assim só que ao contrário. Continua a deturpação, só que por outro lado.
Dê um exemplo.
O caso da Raquel Sheherazade, que foi afastada, em férias compulsórias durante um tempo por conta de uma ação movida pela deputada Jandira Feghali (PC do B). Então é censura, só que por outro lado. Parece que desde os anos 30 mudamos de uma ditadura para outra, sempre disfarçando de democracia.
Mas a Sheherazade pisou na bola?
Ela não falou nada de mais. Ela disse que era compreensível quando amarraram um ladrão no poste. Compreensível significa que eu entendo a revolta da população que não agüenta mais ser roubada. Não quer dizer que eu ache que todo ladrão deva ser amarrado, mas interpretaram dessa maneira.
Você acompanhou os protestos de junho?
Não tenho mais idade para isso. Mas apoiei, achei legal. Pena que esvaziaram de maneira brilhante colocando black blocs na rua e com os políticos convocando reuniões, como sempre fazem. Vamos mudar de assunto, nada aconteceu, agora tem Copa e carnaval, tem sido assim de ditadura em ditadura.
O governo Lula foi bom para o Brasil?
Sinceramente acho que foi ruim, o que ele fez foi manter a inflação estabilizada com um programa que vinha do governo anterior. O que ele mais fez foi demagogia o tempo inteiro. Dizem que elevou a classe c mas pra falar a verdade não sei se isso não aconteceria naturalmente com o dinheiro estabilizado.
A ascensão da classe c não é um avanço?
Sem dúvida. Mas o pessoal acha que isso aconteceu porque o governo foi bonzinho com a gente. E pensam assim, “agora não sou mais miserável, porque posso comprar TV”. Errado, o contrário da miséria é o conhecimento, não é só comer e tal. Lula botou na cabeça do brasileiro essa luta de classes que não era pra existir. Fez o povo acreditar que quem tem dinheiro é contra os pobres.
E Dilma?
Se o país estivesse progredindo ok, mas não está. Estamos parados. E o Bolsa Família, que era para ser um analgésico, vai continuar para sempre, para garantir os 40% de votos que ela necessita para ser reeleita.
Como você se define politicamente?
Voto normalmente pra coisa ficar equilibrada. Esse é o segredo da democracia, se o poder está pendendo muito pra direita, é bom calibrar um pouco pra esquerda, e vice-versa. De todo jeito, sou mais pelo indivíduo do que pelos grupos – na coletividade, sempre tem a desculpa de que “a culpa não é minha, é do grupo”.
O que você defende?
Como força política acredito no liberalismo capitalista. Vivi isso, sei que funciona e não é só nos Estados Unidos. Na China, que é comunista, investiram pesado e estão na liderança do mundo. Gosto da ideia de que quanto menos interferência do Estado, melhor. Ele tem que regular, fiscalizar, mas não gosto da burocracia.
Que reflexão faz sobre os 50 anos do golpe militar?
Após tantos anos de ditadura criou-se a ideia de que a esquerda é tudo de bom, de que é boazinha e tal. Não vejo assim. Qualquer esquerda, não só a brasileira, é uma merda falida, com uns exemplos como Fidel Castro que socializou a miséria. Todo mundo quer é igualdade na riqueza. Isso não é fútil, as pessoas querem conforto e serviços. Agora aqui todo mundo só quer o direito, não quer os deveres.
E o que dizer sobre a direita?
A direita aqui é inexistente. A esquerda gosta de associar a direita a torturadores militares ou a Hitler, como se eles fossem o único tipo. Mas veja não sou de direita, tenho valores da direita e da esquerda, por incrível que pareça.
Exemplos.
Por exemplo cultivo um valor de direita que é a honestidade. A esquerda acha que tudo bem você ser desonesto, pra fazer supostamente um bem maior. A meritocracia por exemplo também é uma coisa mais à direita e acho que está certo. Agora, quando você não tem as mesmas chances, aí estou mais pra esquerda. Outra posição de esquerda: hoje em dia acho que deveria liberar a maconha porque não vejo muita diferença entre ela e o álcool. Não uso mais, nenhum dos dois.
Como viveu o período da ditadura?
Olha eu cresci durante a ditadura, mas não via nada disso. Tive uma infância super tranquila. Já na adolescência comecei a saber sobre bombas e atentados, mas não tinha conhecimento político, pois não se falava a respeito na escola e meus pais não eram tão ligados. Eu ouvia falar em terrorismo, comunismo e subversivos, pra mim era tudo mais ou menos a mesma coisa. Mas quando comecei a prestar atenção, percebi que havia receita de bolo nos jornais ou um filme que demorava muito para chegar.
Agora, naquele tempo a gente falava a mesma coisa que hoje em dia: não há interesse em dar educação ao povo porque quanto mais burro, mais fácil de controlar. Então vou dizer que era muito mais seguro nas ruas naquele tempo. Meus pais não sofreram perseguição e nem seus amigos. A gente só sabia que estavam censurando. Só fui conhecer mesmo a realidade no colegial, e depois na faculdade. Não estou elogiando a ditadura. Já era ruim só que hoje é a mesma coisa.
A mesma coisa?
Hoje em dia me parece que piorou até, porque tem censura também, e antes não tinha o brasileiro contra o brasileiro como tem hoje em tudo que é lugar. O deputado Jean Willys por exemplo, talvez tenha boas intenções mas acho ele uma besta, sinceramente. Isso que ele faz é incitação de classes, não sei se conscientemente ou não, de gay contra hétero, de homem contra mulher, de pobre contra rico.
mais "selfies"...
mais ‘selfies’…
Será? Você parece muito desiludido.
A gente achava por exemplo que não ia mais ter “Hora do Brasil”, e continuou. Por que? Assim como o horário gratuito eleitoral. A geração de 80 foi muito feliz porque todo mundo achava que ia sair da idade das trevas, que haveria um progresso, lutando pela democracia. Mas a gente não saiu da ditadura e agora estamos vivendo um período de ditadura do proletariado. Estão aparelhando tudo, roubando paca. Tanto tempo no poder é perigoso. Pra mim tanto faz porque estou com a vida ganha de certa forma, tenho uma vida de classe média alta porque graças a Deus trabalhei por 30 anos e soube economizar.
Você sofre preconceito na classe artística por conta de suas opiniões?
Não, pra minha surpresa a maioria está do meu lado. Tem um ou outro enganado que foi pro outro lado. Naturalmente estou mais próximo dos artistas de minha geração, como a turma do Casseta, o Lobão, Paralamas. Entre a velha guarda a convivência é pacífica.
Como era nos anos 80?
Naquele tempo estávamos todos do mesmo lado contra a ditadura. Hoje em dia ganhei consciência da ditadura quando comecei a dar minhas opiniões no twitter. De repente apareceu uma patrulha ideológica de esquerda, cheia de militante virtual, que eu não sabia que existia. Sempre falei mal do governo mas agora estão me xingando. É ridículo.
Você lê muito? Como se informa?
Já li muito. Andersen, Grimm, quando criança. Muito gibi. No colegial li coleções inteiras sobre filósofos, muita ficção científica e muitas crônicas. Hoje em dia quase não consigo ler pois tenho déficit de atenção. Começo vários livros mas não termino nenhum. Mas leio jornais e fico na internet vendo links e blogs.
Como você e Danilo Gentili se conheceram?
Quando o Danilo me convidou, em 2010, para seu programa na Band, a gente só se conhecia de twitter. E eu lhe disse, ‘estou quase que me aposentando, já estou brecando na vida, enquanto você está acelerando’.
Qual seu papel no programa?
É servir de contraponto pro Danilo, fazer umas piadas, e basicamente apresentar convidados com a parte musical. Estou adorando pois era fã do ‘The Late Show’ do David Letterman e já sabia o que tinha que fazer no ar. O Ultraje já vivia tirando sarro com um espírito de fundão de escola no ginásio. Encontramos o ambiente propício para fazer a mesma coisa na TV. É bem menos tedioso que fazer show.
Que acha do programa do Jô?
Assistia bastante. Ele aumentou a parte de entrevistas e tal, com relação ao formato do ‘Late Show’. Já o Danilo está chegando mais perto do formato original. Nossa função no programa é muito maior. Embora o programa seja do Danilo, ele funciona justamente porque tem uma turma de pessoas que se identifica com o ambiente. Temos afinidade nas ideias. E não é tudo centralizado no Danilo, nem é objetivo dele, eu por exemplo tenho liberdade de falar o que quiser a qualquer hora. Se a entrevista não está indo bem por exemplo, se o entrevistado é tímido ou só responde monossílabo, a gente interfere. (Uol.com.br)

quinta-feira, 3 de abril de 2014

REDAÇÕES NOTA 1000 NO ENEM 2013

Enem 2013: veja exemplos de redações nota 1000

  • Tirou nota máxima? Mande seu texto para megazine@oglobo.com.br que a gente publica
O GLOBO
Publicado: 
 
Atualizado: 
Gráfico mostra os percentuais de notas de redação em cada faixa de pontuação Foto: .
Gráfico mostra os percentuais de notas de redação em cada faixa de pontuação .
RIO - O MEC liberou, nesta quarta-feira (2), o texto corrigido das redações do Enem 2013. O espelho da prova pode ser conferido na página do exame no site do Inep. Este ano, foram corrigidos mais de cinco milhões de textos, dos quais apenas 481 tiveram nota mil.
Com regras mais rígidas estipuladas este ano pelo MEC para a correção, atingir a nota mil não foi nada fácil. Os 481 alunos que alcançaram a pontuação têm motivos de sobra para comemorar. O estudante de Medicina da Universidade Estadual do Pará (UEPA) Igor Cerejo, de 18 anos, disse que teve “uma felicidade extrema” ao saber do resultado.
- Fórmula mágica não existe. Mas na redação do Enem você tem um ‘esqueleto’ que não muda. É uma receita a ser seguida: é preciso ter introdução sobre o tema, depois o desenvolvimento, com argumentos e análise crítica, e uma conclusão que, no caso do Enem, pede uma proposta ao problema - ensina o estudante.
Outro que obteve nota mil foi o agora aluno de Ciência da Computação da PUC Rio, André Mazal Krauss, de 18 anos.
- As pessoas têm que ser informadas para fazer a prova, saber o que escrever e como escrever, mas também não podem muito ficar se debatendo com o tema porque em uma hora de prova não dá para demorar muito.
Confira abaixo algumas redações que tiraram nota mil


Este foi o primeiro ano em que a redação do Enem foi aplicada utilizando critérios mais rígidos de correção após O GLOBO publicar reportagem mostrando que redações que receberam nota mil no Enem 2012 tinham erros grosseiros de português, como “enchergar”, “trousse” e “rasoavel”, além de desvios graves de concordância.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

CORREÇÃO DA REDAÇÃO DO ENEM DISPONÍVEL!!!

02/04/2014 12h21 - Atualizado em 02/04/2014 12h50

Candidato já pode ver a correção 


da sua redação do Enem 2013


Ao todo, foram corrigidos 5 milhões de textos; 481 tiveram nota mil.
Tema da redação foi sobre a lei seca.

Do G1, em São Paulo
Espelho traz as notas em cada uma das competências da redação do Enem (Foto: Reprodução/Inep)Espelho traz as notas em cada uma das competências da redação do Enem (Foto: Reprodução/Inep)
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) disponibilizou nesta quarta-feira (2) os espelhos com as correções das redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2013. Para acessar, o candidato precisa entrar na página do Inep e inserir a senha e o número do CPF. O acesso tem caráter pedagógico, pois os alunos não podem mais recorrer para alterar a nota da prova. A redação teve como tema "Os efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil".
  •  
NÚMEROS DA REDAÇÃO DO ENEM 2013
Total corrigido
5.049.248 redações
Nota 1000
481 redações
Nota zero
106.742 redações
Em branco
32.991 redações
Anuladas
73.751 redações
Fuga ao tema
1.398 redações
Fonte: Inep
 Ao todo, foram corrigidos 5.049.248 textos. Destes, 481 tiveram nota mil, a pontuação máxima. Em branco, foram 32.991 e outros 73.751 foram anulados, totalizando 106.742 redações com nota zero.
Segundo o Inep, 48,9% das redações ficaram com notas igual ou abaixo de 500 pontos, que é a pontuação média. A maior concentração (27,9%) ficou na faixa de 501 a 600 pontos. Menos de 1% conseguiu mais de 900 pontos.
A principal novidade no Enem 2013 diz respeito aos critérios de correção. Desvios gramaticais ou de convenções de escrita só foram aceitos como exceção e quando não apresentaram reincidência no texto. Além disso, receberam nota zero, 1.398 redações (0,028% do total) que apresentaram parte do texto deliberadamente desconectada com o tema proposto. Em 2012, candidatos conseguiram nota mesmo quando inseriram no meio do texto uma receita de miojo ou o hino do Palmeiras.
No espelho da correção o candidato pode saber qual foi o resultado em cada uma das cinco competências avaliadas e comparar seu desempenho com o dos demais. A prova exige a produção de um texto do tipo dissertativo-argumentativo. Isto significa defender uma ideia, expor opinião e argumentar.
As competências são:
1) Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.
2) Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das varias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.
3) Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
4) Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
5) Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Enem contou com 7.121 avaliadores. As redações foram avaliadas por dois corretores independentes, que atribuíram uma nota de zero a 200 pontos para cada competência. Uma terceira correção foi feita em caso de discrepância maior do que 100 pontos na soma total (em 2012, era de 200 pontos) ou maior do que 80 pontos em uma ou mais competências. Persistindo a discrepância, a redação foi encaminhada para uma banca especial, formada por três membros, que atribuiu a nota final.
Foram encaminhadas 2.496.754 redações para um terceiro corretor, o equivalente a 50%. A banca de especialistas avaliou 306.821 textos, correspondentes a 6% do total.
Espelho da redação do Enem mostra a pontuação final e a comparação com outros candidatos (Foto: Reprodução/Inep)Espelho da redação do Enem mostra a pontuação final e a comparação com outros candidatos (Foto: Reprodução/Inep)