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terça-feira, 19 de novembro de 2013

É BOM FICAR DE OLHO!

19/11/2013 15h19 - Atualizado em 19/11/2013 17h32

MEC vai fechar vestibulares de mais de 200 

cursos com baixa avaliação


Ministério da Educação vai divulgar o Conceito Preliminar de Curso. 
'É preciso rigor na oferta do ensino', diz ministro Aloizio Mercadante,

Paulo GuilhermeDo G1, em São Paulo
43 comentários
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante (Foto: Paulo Guilherme/G1)O ministro da Educação, Aloizio Mercadante
(Foto: Paulo Guilherme/G1)
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse nesta terça-feira (19) que ainda esta semana o Ministério da Educação vai anunciar o fechamento de mais de 200 novos vestibulares de cursos de instituições superiores de educação que obtiveram um índice insuficiente no Conceito Preliminar de Curso (CPC). O conceito será divulgado nos próximos dias e utiliza, entre outros critérios, o desempenho do curso no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade).
Mercadante não revelou quantos cursos serão afetados pela medida administrativa, mas destacou que "será um número expressivo, maior do que o do ano passado". Em 2012, MEC fechou os vestibulares de 207 cursos, o que provocou o congelamento de 38.794 vagas no ensino superior.
O Conceito Enade tem escala de 1 a 5. Cursos com notas 1 e 2 são abaixo da média esperada e é preciso ter nota 3 ou mais para ser considerado satisfatório.. Segundo levantamento feito pelo G1 a partir dos dados divulgados peloMinistério da Educação (MEC) na tarde desta segunda-feira (7), 39,5% dos cursos de ciências econômicas tiveram nota 1 ou 2 (veja tabela mais abaixo)
Além do Enade, o CPC avalia infraestrutura e instalações, recursos didático-pedagógicos e corpo docente. Os cursos recebem conceitos de 1 a 5. Cursos com conceitos 1 ou 2 estão sujeitos a medidas administrativas, entre elas a suspensão da abertura de novas vagas por meio de processos seletivos. Ou seja, a universidade pode fazer vestibular em geral, mas não pode ofertar vagas no processo seletivo em cursos que foram suspensos.
"É preciso ter rigor na oferta de um ensino superior de qualidade", afirmou Mercadante durante a entrega do Prêmio Santander Universidades, na tarde desta segunda-feira (19), em São Paulo. "No ano passado já fechamos vários vestibulares e agora vamos fechar ainda mais. Não adianta expandir, tem que expandir com qualidade", afirmou o ministro.
Mercadante explicou que cursos que mostrarem uma tendência de queda no CPC em relação à avaliação anterior, e estiverem abaixo da média (conceito 3), serão submetidos a avaliação mais profunda do MEC e podem ter os vestibulares fechados.
A edição de 2012 do Enade teve a participação de 7.228 cursos de 1.646 instituições de ensino superior em 17 áreas: administração, ciências contábeis, ciências econômicas, design, direito, jornalismo, psicologia, publicidade e propaganda, relações internacionais, secretariado executivo, tecnologia em gestão comercial, tecnologia em gestão financeira, tecnologia em gestão de recursos humanos, tecnologia em logística, tecnologia em marketing, tecnologia em processos gerenciais, turismo.
Segundo nota técnica do MEC, "cursos com conceito 3 serão aqueles que atendem plenamente aos critérios de qualidade para funcionarem. Da mesma forma, cursos com conceito 5 serão cursos de excelência, devendo ser vistos como referência pelos demais. O conceito permanente servirá como referência para subsidiar o processo de regulação dos cursos de graduação no país".
Espanhol sem fronteiras
O ministro disse ainda que o governo vai lançar o programa Espanhol sem Fronteiras, que vai oferecer cursos on-line de aprendizado em espanhol para estudantes interessados em participar das bolsas de intercâmbio do Ciência sem Fronteiras. Há um ano o governo lançou o inglês sem fronteiras para cursos on-line com o mesmo propósito. "Vamos lançar também o Francês sem Fronteiras, e futuramente investir em alemão e mandarim", disse o ministro.
Prêmio para projetos
O Santander Universidades anunciou nesta terça-feira os 21 vencedores da 9ª edição dos Prêmios Santander Universidades, nas categorias empreendedorismo, ciência e inovação, universidade solidária e Guia do estudante – Destaques do Ano. Foram distribuídos R$ 2 milhões em prêmios, incluindo bolsas de estudos internacionais na Babson College, nos EUA e Bolsas Ibero-Americanas. Em 2013, foram 16.838 projetos inscritos de 618 instituições de ensino superior.

terça-feira, 16 de abril de 2013

SOBRE A REDAÇÃO DE ALUNOS NO ENADE...


Respostas de formandos no Enade 2012 têm erros de português como ‘egnorância’ e ‘precarea’

·         Estudantes que estão concluindo ensino superior cometem equívocos grosseiros de ortografia e construção frasal.
·         Inep diz que há rigor na correção.

LAURO NETO (EMAIL·FACEBOOK·TWITTER)
Publicado:15/04/13 - 7h45
Atualizado:15/04/13 - 8h24

RIO - Não é apenas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que os estudantes cometem erros absurdos de ortografia. No Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), alunos que estão se formando no ensino superior cometem desvios tão ou mais graves como “egnorancia”, “precarea” e “bule” (bullying).
Esses e outros exemplos foram repassados por uma corretora do Enade 2012, que avaliou concluintes de cursos como Direito, Comunicação Social, Administração, Ciências Econômicas, Relações Internacionais e Psicologia. A professora entregou o material pessoalmente ao GLOBO, mas, por ter assinado contrato de sigilo com o Ministério da Educação (MEC), não pode ser identificada. A docente procurou o jornal depois de ler, também no GLOBO, a reportagem, publicada no dia 18 de março, mostrando que redações que receberam nota 1.000 no Enem tinham erros como “trousse”, “enchergar” e “rasoável”.
Em dez respostas à segunda questão discursiva, há erros, sobretudo, de estrutura frasal, imprecisão vocabular e fragmentação de sentido. Segundo a professora, mesmo corrigidos equívocos de pontuação, regência, ortografia e concordância, esses textos continuariam errados.
A questão pedia que, a partir da análise de charges e da definição de violência formulada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o candidato redigisse um texto sobre a violência atual, contemplando três aspectos: tecnologia e violência (3 pontos); causas e consequências da violência na escola (3 pontos); proposta de solução para a violência na escola (4 pontos).
Um formando escreveu: “A violencia e causada muitas vezes pela falta de cultura e pela egnorancia dos seres humanos, cuja a tecnologia sao duas grandes preocupação para a sociedade, causando violencia nas escolas”. Outro estudante respondeu: “Hoje o sistema de segurança publica a inda e muito precarea no Brasil precisa ater mais infraestrutura para a segurança da sociedade em geral”.
Um terceiro redigiu: “As escolas tem que orienta e ajuda estas crianças que são violêntas e pratica o bule por enquanto são crianças por que só assim elas terão chacer de melhora e ser uma pessoa melhor e mas calma”. Em outra resposta, constava: “Esperamos que com a oportunidade de farias formação academica possa futuramente acabar ou diminuir este comportamnento do sr humano”.
— Os critérios são benevolentes, mandam não pesar a mão para manter média 5. Precisa se dar à opinião pública a ideia de que o ensino está melhorando. Mas não está. As faculdades formam profissionais analfabetos funcionais. Esse é o final do filme — diz a corretora.
Em nota, o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anisio Teixeira (Inep) rebate com veemência as críticas, afirmando que “são completamente infundadas as suspeições levantadas pela suposta corretora de que ocorreu orientação para ‘aliviar’ nas correções”. De acordo com o órgão, responsável pela aplicação da prova, “isso não acontece, nem aconteceu, no Enade, Enem, ou em qualquer outro exame sob responsabilidade do Inep/MEC”. O comunicado esclarece ainda quaisquer erros tão grosseiros como os citados nesta reportagem certamente teriam “baixíssima avaliação”.
Segundo o Inep, as correções do Enade 2012 são feitas por bancas constituídas de um professor doutor como presidente e membros com titulação de doutorado ou mestrado, vinculados há, pelo menos, cinco anos a instituições de ensino superior. “São cerca de 500 profissionais do mais alto nível que podem atestar a seriedade do exame e das correções”, diz a nota.
De acordo com o órgão, “o rigor das avaliações do Enade se expressa nas medidas de supervisão e regulação adotadas pelo MEC, com base nos indicadores de qualidade como o índice geral de cursos (IGC) e o conceito preliminar de curso (CPC). Na nota do CPC, o desempenho dos estudantes representa 55% do total”. O resultado do Enade não impossibilita que os estudantes se formem, a menos que eles não compareçam à prova.
Pós-doutor em Linguística Aplicada e professor da UFRJ e da Uerj, Jerônimo Rodrigues de Moraes Neto considera gravíssimo o exercício de qualquer profissão sem o conhecimento da língua portuguesa:
— As profissões nas quais esses alunos se formam não geram à sociedade os resultados a que se destinam. Advogado que não entende cliente não consegue, na petição, se fazer entender pelo juiz. Não tem condições de interpor recursos.
Este ano, apenas 10,3% dos 114.763 participantes que prestaram o Exame de Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foram aprovados. É o pior resultado desde que passou a ser aplicado no formato unificado, em 2010. E, como mostrou pesquisa do Núcleo Brasileiro de Estágios, erros de português são o principal motivo de reprovação em processos seletivos de estágio. No estudo, que avaliou 7.219 alunos de níveis superior e médio, 28,8% perderam oportunidades por isso. Para corrigir as deficiências, universidades oferecem cursos de reforço. Na opinião de Moraes Neto, esse tipo de curso é excelente, mas o cerne da questão é a formação do professor de Português:
— O ponto crucial reside na formação do professor de Português, que deverá ensinar o aluno a falar, escrever e ler, mediante conhecimento do sistema linguístico da língua portuguesa.
Para a professora Cibele Yahn de Andrade, do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da Unicamp, nivelar o ensino superior é necessário. Mas, para ela, o centro do problema está nos ensinos fundamental e médio.
— Não é possível superar essas deficiências acumuladas, de modo satisfatório, em curto prazo. São habilidades que deveriam ser adquiridas ao longo da vida escolar, na sequência de atividades de leitura e escrita diversificadas e com desafios crescentes.

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