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terça-feira, 22 de outubro de 2013

DEZ ERROS PARA SE EVITAR NA REDAÇÃO DO ENEM

Redação do Enem: dez erros que podem diminuir a nota dos candidatos

Especialistas em língua portuguesa dão dicas para que os alunos evitem penalidades

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Candidato deve ficar atento aos erros mais comuns (Foto: Wikimedia Commons)Candidato deve ficar atento aos erros mais comuns (Foto: Wikimedia Commons)
Faltam apenas cinco dias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Na sua preparação, será que você parou para ver os erros mais comuns na redação da prova? Pode não parecer, mas tropeços na construção de frases e em estratégias de argumentação não passam em branco pelos avaliadores. É bom ficar atento para evitar esses erros e garantir uma boa nota, afinal, a redação vale mil pontos, ou seja, representa 20% da nota final.
A avaliação da redação do Enem segue uma matriz de referência composta por cinco competências, segundo o Guia do Participante. A primeira competência é o respeito à norma culta da língua. Segundo Isabel Veja, professora de língua portuguesa do Colégio Pedro II, pontuação, regência e concordância são os itens em que os candidatos mais falham. 

“Uma boa dica é não cometer o erro de pontuação separando sujeito e verbo por vírgulas. Outra boa dica, de concordância, é evitar colocar o sujeito depois do verbo. Erros de crase costumam aparecer em textos de alunos. Muitos são evitados quando os estudantes lembram que verbos não são antecedidos por crase”, explica Isabel. 

Enem 2013 (Foto: Wikimedia Commons)Redação exige que o candidato elabore propostas de solução (Foto: Wikimedia Commons)
Professora de língua portuguesa do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Dilza Magioli chama a atenção dos candidatos para tempos e modos verbais. O mau uso deles compromete a argumentação – item chave da redação –, por prejudicar a construção das frases e o seu sentido. Dilza também lembra que o uso da linguagem coloquial não é permitido na prova do Enem. “Expressões da internet e gírias devem ser evitadas”, esclarece.


“Compreender a proposta de redação” é a segunda competência do exame que os participantes devem cumprir, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). De acordo com Isabel, para se ter êxito nesta habilidade é importante ler o tema com calma e fazer um recorte, procurando uma linha de raciocínio a seguir. Para ela, essa é a melhor forma de evitar penalidades na hora da correção. 
“Fica mais fácil selecionar argumentos para o texto, que deve ser fundamentado com estatísticas e referências. Causas e consequências da situação proposta pelo Enem não podem ser deixadas de lado”, explica Isabel. 
A professora Dilza reforça que o candidato deve ter a capacidade de propor ideias para resolver os problemas apresentados pela redação: “O Enem espera que o aluno proponha soluções viáveis”, afirma. De acordo com a professora, os candidatos não podem elaborar uma solução vaga, difícil de ser alcançada. Para isso, é importante deixar claros os caminhos que levarão à solução proposta, sempre respeitando os direitos humanos. Dilza é complementada por Isabel, que estabelece três perguntas a serem respondidas pelos participantes na hora de elaborar a proposta de solução. São elas:
- O que fazer para mudar a situação? 
- Quem vai colocar a solução em prática? 
- Como colocar a solução em prática?

Guia do Participante com critérios de avaliação da redação (Foto: Valter Campanato/ABr)Ministro da Educação, Aloízio Mercadante, apresenta o Guia do Participante em coletiva de imprensa (Foto: Valter Campanato/ABr)
Por falta de planejamento, muitos candidatos se perdem na hora de argumentar ou de propor soluções. Com isso, acabam ultrapassando o limite de trinta linhas e muitas vezes não atendem a uma ou mais competências da prova de redação. Dilza revela que criar um “esqueleto” antes de escrever o texto pode evitar o problema.
“Na folha de rascunho ou em uma página em branco do caderno de questões, o candidato pode listar o seu ponto de vista e argumentos que o sustentem. Na lista também deve constar uma proposta de solução e ideias para a conclusão – que deve ir de encontro ao ponto de vista”, finaliza.

Dez erros que podem diminuir sua nota na redação do Enem
Separar sujeito e verbo por vírgulas;
Colocar crase antes de verbos;
Usar gírias e expressões da internet;
Ler o tema da redação com pressa;
Fugir da proposta de redação;
Estabelecer um ponto de vista vago;
Não colocar causas e consequências da situação proposta pela prova;
Não separar os argumentos que vão construir o texto;
Propor soluções inviáveis, difíceis de serem concretizadas;
Desrespeitar os direitos humanos


segunda-feira, 25 de março de 2013

AI, MEUS NEURÔNIOS...


Enem 2012: textos nota 1000 têm erros como ‘enchergar’ e ‘trousse’

Redações também apresentam graves desvios de concordância


LAURO NETO (EMAIL·FACEBOOK·TWITTER)
Publicado:17/03/13 - 23h00
Atualizado:18/03/13 - 8h20

RIO — “Rasoavel”, “enchergar”, “trousse”. Esses são alguns dos erros de grafia encontrados em redações que receberam nota 1.000 no Exame Nacional de Ensino Médio 2012 (Enem). Durante um mês, O GLOBO recebeu mais de 30 textos enviados por candidatos que atingiram a pontuação máxima, com a comprovação das notas pelo Ministério da Educação (MEC) e a confirmação pelas universidades federais em que os estudantes foram aprovados. Além desses absurdos na língua portuguesa, várias redações continham graves problemas de concordância verbal, acentuação e pontuação.
Apesar de seguirem a proposta do tema “A imigração para o Brasil no século XXI”, os textos não respeitavam a primeira das cinco competências avaliadas pelos corretores: “demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita”. Cada competência tem a pontuação máxima de 200 pontos.
Segundo o “Guia do participante: a redação no Enem 2012”, produzido pelo MEC, os 200 pontos na competência 1 são atingidos apenas se “o participante demonstra excelente domínio da norma padrão, não apresentando ou apresentando pouquíssimos desvios gramaticais leves e de convenções da escrita. (...) Desvios mais graves, como a ausência de concordância verbal, excluem a redação da pontuação mais alta”.
O manual aponta, entre os desvios mais graves, erros de grafia, acentuação e pontuação. Na mesma redação em que figura a grafia “rasoavel”, palavras como “indivíduos”, “saúde”, “geográfica” e “necessário” aparecem sem acento. E ao menos dois períodos terminam sem o ponto final.
Em outro texto recebido pelo GLOBO, aparecem problemas de concordância verbal, como nos trechos “Essas providências, no entanto, não deve (sic) ser expulsão” e “os movimentos imigratórios para o Brasil no século XXI é (sic)”. O mesmo candidato, equivocadamente, conjuga no plural o verbo haver no sentido de existir em duas ocasiões: “É fundamental que hajam (sic) debates” e “de modo que não hajam (sic) diferenças”.
Uma terceira redação nota 1.000 apresenta a grafia “enchergar”, além de problema de concordância nominal no trecho “o movimento migratório para o Brasil advém de necessidades básicas de alguns cidadãos, e, portanto, deve ser compreendida (sic)”. Em outro texto, além da palavra “trousse”, há ausência de acento circunflexo em “recebê-los” e uso impróprio da forma “porque” na pergunta “Porém, porque (sic) essa população escolheu o Brasil?”.
Pós-doutor em Linguística Aplicada e professor da UFRJ e da Uerj, Jerônimo Rodrigues de Moraes Neto diz que essas redações não deveriam receber a pontuação máxima.
— A atribuição injusta do conceito máximo a quem não teve o mérito estimula a popularização do uso da língua portuguesa, impedindo nossos alunos de falar, ler e escrever reconhecendo suas variedades linguísticas. Além disso, provoca a formação de profissionais incapazes de se comunicar, em níveis profissional e pessoal, e de decodificar o próprio sistema da língua portuguesa — aponta Moraes Neto.
Claudio Cezar Henriques, professor titular de Língua Portuguesa do Instituto de Letras da Uerj, reitera que, ao ingressar na universidade, esses alunos terão de se ajustar às normas da língua de prestígio acadêmico se quiserem se tornar profissionais capacitados. Ele observa que a banca corretora não usa o termo “erro”, mas “desvio”, algo que, segundo ele, é “eufemismo da moda”.
— A demagogia política anda de braço dado com a demagogia linguística. É preciso lembrar que as avaliações oficiais julgam os alunos, mas também julgam o sistema de ensino. Na vida real, redações como essas jamais tirariam nota máxima, pois contêm erros que a sociedade não aceita. Afinal, pareceres, relatórios, artigos científicos, livros e matérias de jornal que contiverem esses desvios/erros colocarão em risco o emprego de revisores, pesquisadores e jornalistas, não é? — ele indaga.
Logo que o MEC liberou a consulta ao espelho da redação, em fevereiro, o site do GLOBO publicou uma reportagem pedindo que estudantes enviassem redações com nota 1.000, junto com seus comprovantes. O objetivo era expor os bons exemplos no site. Porém, ao ler as redações, a equipe percebeu erros gritantes em várias dissertações. Foram enviadas ao MEC, então, quatro delas. Para não expor os alunos, os textos foram digitados, e as informações pessoais (nome, CPF e número de inscrição), omitidas. O GLOBO perguntou se os desvios não desrespeitavam os critérios estabelecidos pelo manual do MEC, e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anysio Teixeira (Inep) alegou que não comenta redações: “por respeito aos participantes, a vista pedagógica é dada especificamente a quem prestou o exame”.
Segundo o Inep, “uma redação nota 1.000 deve ser sempre um excelente texto, mesmo que apresente alguns desvios em cada competência avaliada. A tolerância deve-se à consideração, e isto é relevante do ponto de vista pedagógico, de ser o participante do Enem, por definição, um egresso do ensino médio, ainda em processo de letramento na transição para o nível superior”.
Sobre os critérios usados na correção da redação do Enem 2012, estabelecidos pela coordenação pedagógica do exame, a cargo de professores doutores em Linguística da Universidade de Brasília (UnB), o Inep informa que a análise do texto é feita como um todo. Segundo a nota, “um texto pode apresentar eventuais erros de grafia, mas pode ser rico em sua organização sintática, revelando um excelente domínio das estruturas da língua portuguesa”.

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