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quarta-feira, 15 de julho de 2015

REDAÇÃO AVALIA CAPACIDADE DE REFLEXÃO

Da Folha de S. Paulo
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A prova de redação é considerada por muitos professores de cursinho a maneira mais eficiente de avaliação dos candidatos. As habilidades necessárias para apresentar um bom texto são, de fato, diversas. Capacidade de argumentação, uso da norma culta da língua portuguesa e adequação à estrutura exigida são apenas algumas delas.

Para a vice-diretora-executiva da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular), Maria Thereza Fraga Rocco, não se exige um texto impecável do aluno, mas, sim, uma redação coerente e original. "Há graus de originalidade. Não se espera a originalidade de um escritor maduro. O fato de o candidato ter 18 anos não o impede de pensar e se expressar com suas próprias palavras, principalmente porque, no caso da Fuvest, já houve uma pré-seleção na primeira fase", diz Maria Thereza.

O professor de redação do cursinho da Poli, Marcelo Donatti, aposta na sólida capacidade de reflexão dos alunos como melhor forma de preparação: "Uma vida cultural intensa é muito importante". Para isso, o professor sugere leituras diversas e organiza sessões em que os estudantes assistem a clássicos do cinema.

Para o apresentador de TV e colunista da Folha Pasquale Cipro Neto, o aluno deve ficar atento também à decodificação de linguagens como letras de música, poesia, charge e tiras de jornal. "A imprensa é a grande referência, pois é muito difícil apresentar algo que não se reflita nela", afirma Pasquale Cipro Neto.

Filosofia
Vários professores de redação falam da importância das aulas de filosofia no ensino médio justamente para auxiliar nessa capacidade de reflexão. Para a professora do Intergraus Eliete Bindi, os alunos têm preguiça de pensar e, muitas vezes, nem mesmo consideram o interlocutor.

Apesar da importância no vestibular, parte dos alunos não se preocupa muito com a aula de redação. "Se for preciso, ele sacrifica a aula para não perder o fio da meada em outra disciplina", diz Odilon Soares Leme, professor de redação do Anglo. Para o professor, a redação não é uma área do conhecimento com limites bem definidos: "Na verdade, é uma grande habilidade, cuja percepção de melhora por parte do aluno não é tão clara".

Da Folha de S. Paulo

sábado, 28 de setembro de 2013

TEXTO MARAVILHOSO DE MARCOS BISPO!

MINHA FILHA, JOVENS NO SHOPPING, AMIG@S E VAIDADES Q TODOS TEMOS  
Por: Marcos Bispo Santos
Começou a Primavera! E o mês de outubro na Igreja Católica sempre foi dedicado à Juventude. Isso e mais o que tenho visto e vivido, aliado à angústia de ficar sem escrever (só lendo e lendo muito!), me fez voltar ao teclado e proclamar este texto. Dia desses fui ao Shopping “garimpar” filmes clássicos no saldão da Americanas (estou à procura de ‘Os Miseráveis’). E tomei UM SUSTO com uma multidão de jovens que estavam por lá numa noite de sábado. O que Frei Betto já correlacionou em um dos seus livros (“... que o Shopping Center é a ‘Catedral’ do mundo moderno”), eu confirmei de modo estarrecedor: meninos e meninas, de 17, 16, 15, 14 e até 13 anos, SOZINHOS, maquead@s, cabelos fashion e roupas pós-modernas idolatravam o único deus que lhes foi dado a conhecer: O HEDONISMO. A grande maioria não fazia, literalmente, nada. Apenas demonstravam um imenso prazer de estar ali, com vitrines, marcas, vendo exibições e exibindo-se.
Eu eduquei minhas filhas e o meu filho com valores idênticos aos das comunidades dos Atos dos Apóstolos, de Canudos, das CEBs e dos primeiros Franciscanos que chegaram ao Convento dos Capuchinhos de Itabuna, em fins dos anos 80. Sei que a maioria dos jovens e muitos dos adultos, dirão que são valores ultrapassados, sem espaço no mundo pós-moderno, dos IPhones, IPads, Tablets e fast-foods multinacionais. Será mesmo que duas décadas de novas manifestações culturais podem apagar séculos e milênios de modos de vida que produziram felicidade para muito mais gente e por muito mais tempo??? Sei também que muit@s d@s minhas/meus antig@s companheir@s se perderam em outras idolatrias, como a políticos, partidos, facções ideológicas e a marcas de cerveja, cada vez mais hegemônicas, nos comerciais de TV e no tempo que toma de cada um/a delas/es. E por isso, produtos (como livros) e valores (como todas as primeiras religiões) que duraram séculos, foram e estão sendo devastados pelo mercado, que precisa urgentemente, contar com os hormônios e a gula consumista das gerações “Y” e “Z”, marcadas por uma dificuldade imensa de ler, analisar, debater e espiritualizar a sua existência.
Mesmo minhas filhas e o meu filho (que receberam de mim todo o ideário do Cristo, de Francisco de Assis, de Gandhi, de Antônio Conselheiro, de Chico Mendes e Marina Silva), percebo que são tragad@s paulatinamente pela sociedade de consumo. Eu mesmo, dia desses precisei trocar os óculos. Fiz orçamentos em 3 óticas, como me acostumei a fazer nas compras da Escola. Pesquisei nas que considero as 3 maiores, por ser pioneiras ou ter melhores preços e estrutura. Resultado: a que oferecia a melhor armação para o novo tratamento indicado para meus olhos, tinha a armação “nike”. E aí? Não compraria óculos por ter esta marca. Não, não pude rejeitar o melhor orçamento porque seria em armações desta marca multinacional. Até porque o segundo melhor orçamento, em armações de uma marca menos “vilã”, me custaria R$ 100 a mais. Parece então que não temos saída. O que então é possível fazer para viver num mundo globalizado (outra vez parafraseando Frei Betto, “globo-colonizado”) e altamente bombardeado por apelos consumistas e dominado pelas grandes marcas, sem perder o essencial de nossa identidade?
Talvez o caminho escolhido por alguns de meus melhores amigos, de não ter “facebook” seja uma alternativa de resistência. Alguns especialistas recomendam distância das drogas para não viciar-se nelas. Nas redes sociais, vê-se um desfile interminável de vaidades, que vai desde a lista de amig@s (???), passando por fotos e mais fotos de lugares supostamente irresistíveis, chegando até à troca de informações do que se julga ser objeto de cobiça ou admiração alheia. Vou usar os meus óculos com a marquinha da Nike com certa angústia, mas compensarei tal sentimento com o prazer de continuar usando sapatilhas e sandálias de couro cru, compradas em Euclides da Cunha. Mesmo sabendo que tenho “N’s” filmes nos canais por assinatura, vou teimar em desligar a TV por uma ou duas horas à noite e vou ler novos livros (todos os de Laurentino Gomes) e reler os clássicos e Poesia, como Neruda, Graciliano, Cora Coralina, Rachel de Queiróz, Thiago de Mello, Jorge Amado, Fernando Pessoa e José Saramago.
Minha filha de 19 anos decidiu partir para Salvador e tentar trabalhar e viver por lá. Tomou essa decisão em total desalinho com o que a ensinei e demonstrei a vida inteira: sem formação completa (apenas com o Ensino Médio) e sem uma base segura de apoio, não mude para longe de sua primeira família. Num mundo globalizado, que expliquei e exemplifiquei até aqui, ninguém quer dividir preocupações, nem responsabilidades (por menores que seja) com ninguém. Tod@s vivem em função de conquistar espaços e títulos, pagar as contas e alimentar o “facebook”. Tenho tentado, com meus exemplos e com todo o meu amor, direcioná-la para “portos seguros”, mas sinto que à distância e sem apoios consistentes na capital, ela tem trilhado caminhos diferentes dos que um bom pai gostaria e isso tem sido causa de muita insônia e sensação de que estou perdendo esta importante batalha para o “deus hedonista”. Quem tem filh@s e ama @s filh@s, sabe: não @s geramos e criamos para serem submetidos às mesmas explorações e pressões capitalistas pelas quais passamos. Sei que nenhum ser humano é uma ilha, mas gostaria de criar minha própria Ilha, com a capelinha e o pregador que existiu em Canudos, todos os meus familiares QUE AGEM COMO FAMÍLIA, amig@s e colegas das CEB’s, dos primeiros grupos de Crisma, do Grupo Temático Pedro Casaldáliga, do C.A. de Letras e gente das Aldeias Indígenas. E lá, todos os dias, no início da noite, teríamos celebrações, e logo em seguida, uma cantoria e arrastapé, com todos os cantores pernambucanos, paraibanos, alguns cearenses e tantos outros do norte e sul da Bahia.
* Marcos Bispo Santos é professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira da Rede Municipal de Itabuna; diretor do Colégio Estadual da Aldeia Indígena Caramuru Paraguaçu, Pau Brasil – BA. Colaborador da Revista Viração:     www.revistaviracao.com.br/ Fones: 73) 8177-1734 / 8805-9893/ 9141-8713.       educadorpolitico@hotmail.com