domingo, 15 de julho de 2012

ORTOGRAFIA: A LEI DA ESCRITA




Observe que podemos pronunciar ésselentchi, esselente, esselenti, mas só podemos escrever deste modo: EXCELENTE! De modo geral, todas as variações de pronúncia das palavras se resumem, na escrita, a uma forma única, aliás, determinada por lei! A que atualmente rege a ortografia do Brasil data de 1971. Veja que esta é, a rigor, a única manifestação da linguagem que pode ser objeto específico de legislação oficial: o modo “correto” de grafar as palavras. E é também o aspecto menos importante: se algum dia o Congresso Nacional aprovasse uma lei, sancionada pela presidência, determinando o fim do acento gráfico das palavras proparoxítonas (perola em vez de pérola, abobora no lugar de abóbora), ou a substituição da cedilha pelo “esse” (cansasso em vez de cansaço), todo mundo continuaria falando do mesmo jeito de sempre – só a decoreba ortográfica que iria mudar...
A ortografia, desde o princípio, estabeleceu-se como mera convenção. A intenção foi boa: no seu primeiro momento, a escrita da língua portuguesa pretendia imitar a fala das pessoas (quer dizer, a fala das pessoas que escreviam e liam, não de todas as pessoas!). Mas, com o tempo, essa fala foi mudando e a escrita foi ficando do mesmo jeito. Também, em muitos casos, escrevia-se não como se falava, mas como a palavra era escrita em latim, a língua que deu origem ao português, espanhol, italiano, francês, etc. O “h” de homem é um exemplo que se conservou. Assim, até hoje temos palavras que carregam a memória milenar dos primeiros escribas.
A questão ortográfica é, em si, simples – trata-se da grafia única, oficial, das palavras, grafia transcrita nos dicionários. Em palavras avulsas, vivemos esbarrando aqui e ali na ortografia: escreve-se facínora ou fascínora? Explêndido ou esplêndido? Consultando-se o dicionário, descobrimos que a forma legalizada (portanto correta!) é “facínora” e “esplêndido”. Veja-se que muitas vezes não há uma lógica “visível” na ortografia – trata-se de pura convenção, consolidada ao longo da história. Às vezes se escreve de modo diferente palavras que se pronunciam da mesma forma (paço e passo), às vezes de modo igual palavras que se pronunciam diferentemente (esse, pronome demonstrativo, e esse, letra).
Porém, a ortografia a gente tira de letra: lendo todos os tipos de texto! Qualquer dúvida, é só consultar também o velho e bom dicionário e descobrir qual a forma “certa” de se escrever a palavra. Veja que esse é um problema tão fácil que um programa de computador consegue resolver em segundos.

EXERCÍCIOS

1. Empregue corretamente o X e o CH:


en____oval
pu____ar
pi____e
____u____u
pe___in ____a
____ingar
a____atar
dei____ar
amei____a
co_____a
cai____eiro
en____ovia
en____ugar
cartu____o
bro_____e
in____ado
____ adrez
deslei_____o
en____ada
_____ícara
a____incalhar
bai____o
trou____a
en____arcada

2. Tantas _________________ constituem __________________________.

a)      excessões – privilégios – inadimissíveis
b)      exceções – privilégios – inadmissíveis
c)      esceções – previlégios – inadimissíveis
d)      exceções – privilégios – inadimissíveis
e)      exceções – previlégios – inadmissíveis

3. Perguntei ao João Alves _____________ ia e ____________ ficaria e _____________ eu poderia encontrá-lo.


a)      aonde – onde – onde
b)      onde – aonde – aonde
c)      aonde – onde – aonde
d)      onde – aonde – onde
e)      onde – onde – onde

4. Não tinha __________ para a tarefa; ___________ vivia desnorteado, perdido entre ___________ e gestos antagônicos.

a)      jeito – por isso – idéias
b)      geito – por isso – idéias
c)      jeito – porisso – idéias
d)      jeito – por isso – idéia
e)      jeito – porisso – idéia

5. Complete as lacunas usando adequadamente mau/mal/mais/mas.

Pedro e João ________ entraram em casa, perceberam que as coisas não estavam bem, pois sua irmã caçula escolhera um ________ momento para comunicar aos pais que iria viajar nas férias; ________ seus dois irmãos deixaram os pais ________ tranqüilos quando disseram que a jovem iria com as primas e a tia.

6. Na __________ plenária estudou-se a ____________ de direitos territoriais a _____________.

a)      sessão – cessão – estrangeiros
b)      seção – cessão – estrangeiros
c)      secção – sessão – extrangeiros
d)      sessão – seção – extrangeiros
e)      seção – sessão – estrangeiros

7. Leia as frases abaixo:
Assisti a um _____________ da máquina. Os ______________ não são ignorantes. Ele fez ao filho a _____________ de uma parte das terras. De tempo em tempo se faz um novo __________ da população.

a)      conserto – incipientes – sessão – censo
b)      concerto – incipientes – sessão – censo
c)      conserto – insipientes – secção – senso
d)      conserto – incipientes – cessão – censo
e)      concerto – incipiente – cessão – senso

8. Empregue devidamente por que, por quê, porque e porquê.

a)      _________ você não paga a conta?
b)      Não pago _________ estou sem grana.
c)      Nós já sabemos o __________ da sua revolta.
d)      A infância é a fase dos ____________.
e)      Queria saber ___________ a gente está nesse mundo.
f)       Você foi lá __________ ?
g)      O ideal ___________ lutamos é elevado.
h)      ___________ ela ri tanto?
i)        Você sabe __________ os homens foram à Lua?
j)        Ainda não descobri __________ existe tanta incompreensão entre os homens.

9. Observe o emprego do mas, más e mais e preencha as lacunas:

MAS – é conjunção adversativa, mostra idéias contrárias: Ia matar a sucuri, mas se arrependeu.
MÁS – o mesmo que ruim, adjetivo feminino, plural de má: As más línguas difamam as pessoas.
MAIS – é advérbio de intensidade ou acréscimo: Aproximou-se mais da barraca do rio.

a)      Fale menos e trabalhe __________.
b)      Gritaram alto, ________ não foram ouvidos.
c)      As pessoas ________ incomodam os semelhantes.
d)      Sabíamos o segredo, _________ não falamos nada.
e)      As ________ conversas esparramam discórdia.
f)       O avarento não se fartava, queria sempre ________ e ________ !
g)      O celular _________ a internet são os meios de comunicação do futuro.

10. Nas frases abaixo, empregue corretamente o e o A:

a)      Daqui ______ pouco vem me pedir um trocado.
b)      Ainda ______ pouco falávamos de você.
c)      _______ séculos o Vesúvio inquieta a população do sul da Itália.
d)      Daqui _______ cinco minutos, todos a postos para iniciar o jogo.
e)      ______ muito tempo que não o vejo.
f)       ______ uma pedra no meio do caminho.
g)      ______ pedra é um mineral inorgânico. 

sábado, 14 de julho de 2012

UM POUCO DE ARTE...




1. ANÁLISE CRONOLÓGICA DA HISTÓRIA DA ARTE

Em todas as civilizações há uma atividade humana que está sempre presente: a arte e suas manifestações (canto, dança, pintura, escultura, etc.).
A arte tem sido usada como um dos principais meios de manifestação dos sentimentos, crenças, valores & emoções dos homens.
Ao longo dos séculos, a arte passou por grandes transformações, mas não podemos afirmar que ela evoluiu como se estivesse passando de um estágio primitivo para um avançado. A grande arte é um eterno presente, ela não envelhece.

1.1 ARTE RUPESTRE

Nas paredes das cavernas, artistas pré-históricos traçaram linhas, compuseram desenhos e figuras e nos legaram uma imagem do seu mundo.
A arte Pré-Histórica se divide em período Paleolítico (inferior e superior) e Neolítico. No primeiro, também chamado de época da Pedra Lascada, a arte era incipiente e usada principalmente em rituais, crenças religiosas. O homem paleolítico superior (30.000 a. C.) é o responsável pelas artes deixadas nas cavernas, como Lascaux, na França, ou Altamira, na Espanha; pegadas humanas nas grutas, ou seja, pelo que chegou a nós da arte rupestre. Na segunda fase, chamada de época da Pedra-Polida, houve o desenvolvimento da agricultura, aldeias foram formadas, cestas, vasos cerâmicos e metalurgia começaram a ser usados. São dessa época os menis, cromlek e os dólmens, sendo o mais famosos deste último o Stonehenge, no Reino Unido.

1.2 ARTE GREGA E ROMANA

O apogeu da arte grega ocorreu no século V a. C. É a época de Péricles (o grande estadista ateniense), dos filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles e dos grandes poetas trágicos Sófocles, Eurípedes e Esquilo.
Nessa época a escultura alcança sua expressão máxima, dominada por um humanismo radical, coloca o homem no centro de suas representações. 
As características básicas desse período são: o realismo anatômico, a expressividade individual, a procura da harmonia (proporção) e a captação dos movimentos nas figuras.
A arquitetura dá seus melhores frutos através da construção de templos, teatros e estádios (Acrópole, Paternon, Templo de Atena Vitoriosa, Templo de Erectéion, etc.)

1.3 PERÍODO HELENÍSTICO

As conquistas militares de Alexandre Magno no século IV a. C. e a construção de um imenso império grego marcam o surgimento de um novo período, não mais estritamente grego, mas nasce da influência da tradição grega com as tradições de outros povos integrados na órbita do império, fundado por Alexandre, O Grande.
Obras famosas desse período: estátua da Vitória Latra de Samotrácia e a conhecida Vênus de Millo (ambas estão no museu do Louvre); o grupo escultórico que representa a morte do ateniense Laocoonte e seus filhos quando são atacados e mortos por duas serpentes monstruosas (desenterrado em 1506 em Roma, inspirou Michelângelo, na Renascença).

1.4 ARTE ROMANA

Chegado o momento dos impérios universais, uma nova potência se aproveita da ocasião: Roma, que aos poucos se apodera das colônias gregas. Em 146 a. C. a Grécia torna-se colônia romana, mas a arte grega não desaparece. Os romanos assimilam, dando continuidade e impulso, levando-a aos mais distantes povos do seu império.
Na arquitetura, o belo convive com o útil, e esse é o ponto chave da arte romana. Na escultura inspiram-se claramente nos artistas gregos e copiam numerosas obras. A pintura romana sobreviveu em grande quantidade (ao contrário da pintura grega) e os mosaicos que adornavam paredes e pavimentos nos revelam o aspecto criativo do artista romano.

1.5 ARTE MEDIEVAL

A Idade Média (I.M.) foi um período muito longo (durou de 500 até 1500). Presenciou a consolidação do poder do Catolicismo. Houve vários momentos de crise, mas a igreja Católica conseguiu superá-los e manteve sua hegemonia até o século XVI, quando ocorreu o movimento da reforma protestante, liderada por Lutero.
A arte é basicamente uma arte religiosa.
As pinturas e esculturas serviam para transmitir mensagens para os fiéis (passagens bíblicas e fatos das vidas dos santos). Não faltavam também representações do inferno, que serviam para incutir medo aos fiéis e temor a Deus, representados com um realismo impressionante.
Na arquitetura destacam-se dos estilos principais de construção de templos ou basílicas: Românico e o Gótico.

1.6 ROMÂNICO

Significa à moda romana. Teve seu apogeu no século XI e na primeira metade do século XII. Caracterizando-se pelo uso do arco redondo, pela presença de grossas paredes de pedra e janelas pequenas. Os portais e colunas eram decorados com escultura, as paredes e os tetos eram decorados com afrescos (Ascensão de Cristo e Juízo Final).

1.7 GÓTICO

Ao longo do século XII e XIII, o romano foi sendo substituído pelo Gótico. Com o desenvolvimento da engenharia, os construtores aprimoraram as proporções arquitetônicas para dar às estruturas uma altura cada vez maior.
O estilo gótico apresenta arcos ogivais, agulhas altíssimas, vitrais rosáceos e elaboradas fachadas esculpidas. O seu interior recebia muita luz devido aos vitrais que eram decorados com imagens e cenas religiosas.
As esculturas eram muito mais realistas do que tinham sido até então na I. M. Época das grandes catedrais européias. Difusão da pintura sobre madeira.
O artista gótico está interessado em exprimir principalmente a atmosfera mística e divina dos episódios religiosos. Por isso não se preocupa em dar à obra uma rigorosa profundidade espacial, ou seja, a terceira dimensão, que tornaria a obra mais realista. Os rostos humanos serenos e idealizados exibem traços estilizados, assim como elementos arquitetônicos (janelas, arcos, etc.) e os elementos naturais (como árvores, rocha, etc.).
Difundiu-se por toda a Europa. Em alguns lugares até o século XVI.
O artista mais original dessa época é o holandês Jeronimus Bosch (Os Sete Pecados Capitais).
A escultura gótica concentra-se principalmente no exterior das catedrais e apresenta como característica a forma alongada das figuras. Por outro lado, o tema da virgem Maria com o menino Jesus é muito explorado. Assim como os temas da crucificação e da Pietá. Originalmente eram pintadas, as vestes tinham cores vivas e nelas eram muitas vezes engastados vidros coloridos ou pedras coloridas.

1.8 RENASCENÇA

Renovação científica e cultural ocorrida na Europa (séculos XV e XVI). Começou em Florença, na Itália, e foi criando aspectos diferentes à medida que se difundia na Europa. A base desse movimento encontra-se no crescimento gradativo da burguesia comercial e das atividades econômicas entre as cidades européias. O aperfeiçoamento da imprensa (Gutenberg) facilitou a difusão de novas idéias, contribuindo para o enriquecimento do ambiente cultural.
Os artistas (pintores, escultores, arquitetos, etc.) inspiravam-se nas antigas obras dos gregos e romanos, que se transformaram em modelos, por isso dizia-se que a gloriosa arte antiga estava RENASCENDO.
Um dos precursores foi o pintor Gioto (1267 - 1337), que antecipa o renascimento.
A representação fiel do corpo humano e a preocupação com a elaboração da perspectiva estão presentes nos afrescos de Masatio (afresco da Trindade, Igreja Santa Maria Novela, em 1427).
No renascimento a burguesia torna-se também uma poderosa patrocinadora das artes, ao lado do clero e da aristocracia. Exemplo disso é o quadro O Casal Yardofine, pintado pelo holandês Ian Vanaick.
No renascimento desenvolveu-se também o estudo do corpo humano e do mundo natural, que passam a serem representados pelos pintores de forma bem detalhada, como nunca se tinha feito antes.
A escultura por sua vez independeu-se da arquitetura e readquiriu a autonomia que possuia na antiguidade clássica, desenvolvendo-se admiravelmente. O escultor mais famoso: Michelângelo (estátua de Davi e o grupo escultórico da Pietá).
Ao lado das histórias bíblicas, as mitologias gregas e romanas são explorados como tema para pinturas, esculturas, decoração de teto e parede, artesanato, etc. (Nascimento de Vênus, de Sandro Bocicelli).
A pintura da Capela Cistina feita por Michelângelo em 1508 a 1512 é um dos pontos altos da arte do Renascimento e do mundo.
O retrato tem em Leonardo da Vinci seu principal nome (La Gioconda ou Monalisa)

1.9 BARROCO

A arte barroca estendeu-se por todo o século XVII e primeiras décadas do século XVIII. Surgiu em Roma e espalhou-se aos poucos pela Europa e América Latina, assumindo características diversas ao longo do tempo. O barroco nasceu na Roma dos papas e foi frequentemente usado como forma de expressão da mensagem Católica da Contra-reforma.
É uma arte que procura emocionar ou comover o espectador. Nesse sentido a igreja converte-se numa espécie de espaço cênico sagrado onde são representados os dramas da salvação humana, numa mistura de arte e catequese.
A música muito valorizada nos ofícios religiosos a partir da Contra-reforma desenvolveu-se muito e contribuiu, junto com as artes plásticas, para envolver os fiéis numa experiência religiosa (Johan Sebastian Bach). De certa maneira, assistimos a uma retomada do espírito religioso e místico da I. M., numa espécie de ressurgimento da visão teocêntrica do mundo.
A exuberância da arte barroca foi considerada de mal gosto pelos Neoclássicos do século XVIII, e foi a partir de 1750 que a palavra "barroco" passou a ter sentido pejorativo, designando uma arte extravagante. Só a partir do ano de 1850 que a arte barroca começou a ser revalorizada.
Característica marcante é o efeito de ilusão buscada pelos artistas. Isso se manifesta principalmente nas pinturas feitas em tetos e paredes de igrejas ou palácios. Os artistas pintam cenas e elementos arquitetônicos (como colunas, escadas, balcões e degraus) que dão uma incrível ilusão de movimento e ampliação de espaço.
Na arquitetura barroca o emprego frequente da coluna sinuosa é uma forma de romper com a rigidez renascentista, inspirada na antiguidade grega e romana (Baldaquino de Bronze, Gian Lorenzo Benini, altar-mor da Basílica de São Pedro).
Mas do que estrutura, porém, o artista barroco procurava o embelezamento de portas e janelas e a ornamentação de interiores. Colunas, altares e púlpitos eram recobertos com espirais, flores, monstros e anjos, num jogo de cores e formas, que juntando pintura, escultura e arquitetura, provocavam um grande impacto visual.
A característica marcante da pintura barroca é a iluminação dramática das cenas, numa exploração dos jogos de luz e sombra que acentuam o caráter místico e emocional que predomina no barroco. (El Grecco: A Agonia de Cristo no Jardim das Oliveiras; e Juan Valdez Leal: Num Piscar de Olhos). Caravagio é um dos principais nomes da pintura barroca. Seu quadro A Morte de São Mateus é uma das obras mais importantes. Outro grande pintor que explorava bastante o jogo de luzes foi Rembrandt. Uma das telas mais importantes também desse período é As Meninas, do espanhol Diego Velásquez, considerada uma obra prima da arte.
A escultura barroca privilegia o movimento. As figuras deixam de ser representadas numa atitude de repouso para serem flagradas no meio de uma ação. Uma das obras primas é a decoração que Benini representou na Capela da família Cornaro, na igreja Santa Maria da Vitória, em Roma.
A arte barroca teve desenvolvimento no Brasil com a descoberta de minas de ouro e pedras preciosas. O maior representante é Antônio Francisco Lisboa, o aleijadinho.

1.10 NEOCLASSICISMO

Por volta de 1750, começa a surgir uma reação contra os exageros da arte barroca: o Neoclassicismo Essa reação propunha uma retomada da simplicidade e harmonia das formas clássicas, inspirando-se na antiga arte grega e romana. Vigorando até o início do século XIX quando então é superado pelo movimento romântico.
Os temas e modelos da antiga arte clássica voltaram à moda e um dos fatores que provocaram essa revalorização foi a redescoberta, no século XVIII, de Pompéia e Herculano, cidades romanas destruídas pela erupção do Vesúvio, no ano de 79 da era cristã.
Muitos escritores, artistas e historiadores visitaram as ruínas das duas cidades e divulgaram  os achados encontrados nos escombros, que passou a ser imitada nas pinturas, na escultura, na arquitetura e nas artes decorativas.
Na escultura um dos principais nomes é o de Antônio Canova.

1.11 ROMANTISMO

O século XIX presenciou o surgimento de importantes movimentos artísticos, dentre eles o romantismo, que durou até 1850.
Caracteriza-se pelo predomínio da emoção e do sentimento, sobre a razão. É o triunfo da paixão e da sensibilidade.
O artista romântico é profundamente subjetivo e tem grande atração pelos ambientes solitários, noturnos e misteriosos. Deleita-se com o espetáculo da natureza, principalmente com a majestade das imensas florestas, os largos horizontes, as noites enluaradas, quando então seu espírito pode divagar e sonhar. E nessa solidão busca o contato íntimo com Deus, numa experiência de intensa religiosidade. Para o espírito melancólico do artista romântico, a visão das ruínas é um momento muito especial, contemplando os restos de uma época gloriosa, os românticos meditam sobre as incertezas do destino dos homens e a brevidade da vida.
Intenso nacionalismo e sua exaltação apaixonada da liberdade da liberdade, não só individual, como também política, que o faz lutar contra todas as formas de opressão. (Delacroix, A Liberdade Guiando o Povo, 1830). Alguns dos grandes nomes da pintura é Whilliam Blake e Francisco Goya.

1.12 REALISMO

O excesso de fantasia e subjetivismo que predominava na arte romântica, provocou reação num grupo de jovens pintores franceses, que acreditavam ser missão do artista pintar exclusivamente o que podiam vivenciar com os sentidos, numa volta à realidade social e material.
Alguns artistas voltam-se então para a representação da vida dura e sofrida, da massa anônima, dos homens e mulheres que trabalham no campo ou no interior das fábricas.
Alguns grandes nomes da pintura realista: Françoise Myé, Charle Cotê, Gustave Coubert e Edouard Manet.
Contemporâneo dos realistas, mas ocupando um lugar à parte por seu estilo forte e original está Rodin, o escultor mais importante do século XIX e da história da arte. Rodin tirou a escultura duma fase de cópia e estagnação e transformou-a novamente numa forma de arte de forte expressão individual.

1.13 IMPRESSIONISMO

Monet e Renoir viam o realismo como uma abordagem estética exageradamente presa ao real. Também recusavam a arte acadêmica, mas queriam algo diferente. Começaram a sair do ateliê para pintarem ao ar livre, buscando captar os fugazes efeitos da luz. Abandonando os temas históricos e mitológicos e a composição física da pintura tradicional, os impressionistas querem captar o momento presente. São pintores fascinados pela luz. De 1874 a 1886, sua inovação fecundaram outros movimentos e influenciaram muitos pintores importantes.

1.14 PÓS-IMPRESSIONISTAS

Grupo de artista que estiveram em atividade no final do século XIX. Embora sejam muito diferentes entre si, revelam influência marcante do impressionismo.
Os pintores mais destacados dessa fase são: Cézanne, Gaugin e Van Gogh.

1.15 ARTE NO SÉCULO XX

Em 1907, o espanhol Pablo Picasso e o francês Jorge Brach desenvolvem as idéias do CUBISMO. Na pintura cubista o artista dá simultaneamente várias visões de um só tema, tomada a partir de diversos pontos. Há um abandono da perspectiva e os elementos do quadro são estilizados em forma geométrica. Essa forma inusitada de representar a natureza e a figura humana provocou estranhamento que pertubou o público e gerou muitas polêmicas. (Picasso, As Senhoritas de Avignon).
Exprimir as emoções e o mundo interior do artista, usando a distorção violenta, a cor forte e o traço exagerado, esse era o objetivo do EXPRESSIONISMO, surgido nos primeiros anos do século XX. O precursor e maior nome é do norueguês Edvar Moong (O Grito).
Nascido na primeira década do século XX, o ABSTRACIONISMO se baseia na convicção de que cor e forma têm seu valor artístico intrínseco, não sendo necessário imitar ou representar a realidade exterior. O abstracionismo tem relações com o cubismo mas leva mais longe a autonomia do artista. Se o cubismo fragmenta o objeto em formas geométricas, no fundo tem a intenção de fazer a imagem inicial surgir de modo mais intenso, dentro de um espaço próprio.
O mesmo ocorre com o FUTURISMO cujas investigações sobre o movimento procura imprimir com mais vigor o tema tratado. Por mais difícil que seja identificar o objeto num quadro cubista ou futurista, eles estão ali. No abstracionismo o objeto desaparece completamente, o quadro deixa de figurar, de representar, de uma vez por todas, a realidade exterior. Vale por si mesmo, independentemente de qualquer referência externa. Isso constituiu uma verdadeira revolução no conceito de arte. Principal pintor abstrato foi o russo Vassili Kamynski.
O SURREALISMO surgido em 1924, na Suiça, é um importante movimento que marcou o século XX. Buscava libertar o artista dos limites da razão, propondo a expressão plena dos conteúdos da imaginação e do inconsciente, num registro automático sem nenhuma espécie de censura. Sob a influência de Freud, os surrealistas passaram a explorar os sonhos e a livre associação de idéias, procurando expressar os conteúdos mais profundos da mente. Principais nomes são: George Piquirico, Salvador Dalí, Juan Miró, entre outros.

2. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A arte continuará a ser a referência que a humanidade terá sobre o seu passado, presente e também o futuro. Por isso, aprofundar-se nesse tema é algo grandioso e, ao mesmo tempo, enriquecedor: aprende-se a olhar para a sua própria história e, em conseqüência disso, para a história do mundo.

3. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

PROENÇA, Graça. Descobrindo a História da Arte. 1º edição, 4ª impressão. São Paulo: Editora Ática, 2009.

TUFANO, Douglas. História da Arte. VHS. São Paulo: Editora Ática, 2000.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

SAIBA AS DIFERENÇAS DE PALAVRAS COM S OU Z


"S” OU “Z”


1. Normalmente, quando a palavra original, primitiva, ou o verbo no infinitivo é com “S” no final as outras derivadas também serão grafadas com “S”. Exemplo: Paralisar = paralise, paralisação, etc.



2. Quando a palavra não tiver o “S” no final geralmente os seus derivativos serão grafados com “Z”. Exemplo: Bonito = boniteza. Usa-se também em substantivos e adjetivos terminados em -ico, -ismo, -ista.  Exemplo: Anárquico = anarquizar. Obs.: não se usa “Z” em nenhuma declinação dos verbos “querer” e “pôr”. Exemplo: Pus, quis, etc.


TREINO:




Ironi___ar
Exorci___ar
Linde___a
Gentile___a
Avi____o
Evangeli___ação
Simple___mente
Bele____ ura
Reali___ar
Ca____amento
Safade____a
Análi_____e
Leve____a
Juí____o
Pi___ar
Brabe____a
Ali___ar
Raí____es
Organi___ar
Simboli___ado
Capitali___ação
Infeli____mente
Je____uíta
Anarqui___ar

quinta-feira, 12 de julho de 2012

REMINISCÊNCIAS ROMÂNTICAS EM MACHADO DE ASSIS



A novela a Mão e a Luva (1874), de Machado de Assis, é uma das narrativas iniciais do Bruxo do Cosme Velho, ainda sob a influência do romantismo e do convencionalismo oitocentista. Por isso, é caracterizada como da primeira fase do escritor carioca, juntamente com as obras Contos Fluminenses (1870), Ressurreição (1872), Histórias da Meia-Noite (1873), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878). 
Tais obras primeiras, ainda com um Machado em idade prematura, inocente, imbuído dos ideais românticos de sua época, não rompem de vez com o costume da sociedade e pretendem acariciar as leitoras suspirantes, que ruborizam com os apelos do coração, e a crítica ainda afeita aos traços românticos.
É nesse mister que Afrânio Coutinho informa na Introdução da obra: “Caracteriza-a uma narrativa monolinear, com intriga sem maiores complicações, crescendo em ordem cronológica, em torno de pequeno número de personagens. A ação simples, diz o autor na advertência de 1907, serveapenas de tela em que lancei os contornos dos perfis’. (p. 17)
Assim, passamos a analisar os aspectos formais de A Mão e a Luva, como texto narrativo que se propõe.

ENREDO

O enredo de A mão e a Luva pode ser facilmente identificado com uma marcação um tanto quanto fixa:

a)           A exposição ou a apresentação: no capítulo inicial os personagens principais Estevão, Guiomar e Luís Alves são mostrados e descritos, no ambiente e no tempo em que a estória se desenrola.
b)           A complicação: os conflitos da novela se dão quando o amor que Estevão sente por Guiomar não é correspondido, os problemas começam a surgir daí.
c)            O clímax: há alguns picos de tensão em A Mão e a Luva, quando Estevão decide se declarar pela segunda vez a Guiomar, quando Luís Alves fala para o amigo que ela o ama e vão se casar, mas o principal é quando Guiomar tem que decidir entre dois pretendentes: Luís Alves ou o primo, Jorge.
d)           O desfecho: o final da novela se dá com os preparativos do casamento de Luís Alves com Guiomar, com um Estevão covardemente assistindo a tudo da praia, tentando em vão se suicidar.

PERSONAGENS

Pode-se analisar os personagens do livro quanto ao papel desempenhado no enredo:
a)           Principais: Guiomar, Luís Alves e Estevão.
b)           Secundários: a baronesa, a inglesa Mrs Oswald, Jorge e mais alguns poucos que freqüentavam as festas em casa da baronesa.

Pode-se também analisar os personagens quanto à caracterização que têm no romance:
a)           Esféricas ou cíclicas: apenas Luís Alves tem essa característica, pois é um personagem que é deixado de lado, sem descrições, paira sempre um mistério sobre ele e a sua índole. No entanto, no final da novela ele dá uma reviravolta e casa-se com a outra personagem principal, Guiomar.
b)           Personagens planas: como já foi afirmado acima, todos os outros se caracterizam por ter uma índole mais ou menos previsível, atitudes e nuances que fazem supor as suas ações no desenrolar do romance, não trazendo nenhuma reviravolta ou surpresa.

FOCO NARRATIVO

Ainda sob a influência do romantismo, Machado cria um narrador que tenta buscar o leitor o tempo todo, tal qual um contador de história que necessita da atenção dos leitores. Poder-se-ia afirmar que o narrador é em terceira pessoa, narrador-observador ou onisciente, que conta a estória como se estivesse assistindo-a de longe, vendo os fatos se desenrolarem.
No entanto, ele também é um narrador intruso, como podemos ver nessas passagens: “e que o leitor saberá daqui a pouco” (p. 27), “Demos-lhe razão ao despeito com que fechou e atirou ao chão” (p. 44), “estas minúcias que aqui lhes aponto, em desempenho deste meu dever de contador de histórias” (p. 45), etc.

TEMPO

O lapso temporal do romance são de dois anos e poucos meses, tempo em que, cronologicamente, Estevão tem uma desilusão amorosa com Guiomar, forma-se em bacharel em São Paulo e retorna à corte. Daí os fatos vão acontecendo e sendo descritos pelo narrador: “Claro é que dous anos depois, quando tomou o grau de bacharel(...)” (p. 37)
Não há praticamente tempo psicológico, somente quando Estevão tenta a todo custo sobreviver das lembranças do amor ou do carinho que Guiomar tivesse dado a ele no passado, quando do primeiro flerte. São raros flash-backs apenas para acentuar o amor/a dor da personagem: “Estevão tinha-a visto pela primeira vez, seis meses antes, e desde logo sentiu-se preso por ela (...)” (p. 30)

ESPAÇO

A estória está ambientada no Rio de Janeiro, como quase em todos os romances de Machado, mais especificamente no bairro do Botafogo, onde Luís Alves e a baronesa são convenientemente vizinhos de chácaras ou sítios. Os lugares, assim como as paisagens, são pouco descritas, exceto no capítulo II (Um Roupão) e no III (Ao Pé da Cerca), quando Estevão se depara com Guiomar em um ambiente bucólico (a chácara da baronesa) e faz sentido com o ambiente interno, romantizado, que o primeiro vive.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Mão e a Luva, considerado um livro menor de Machado de Assis, por não ter rompido com o convencionalismo romântico faz com que o(a) leitor(a) sinta empatia com Luís Alves, não considerando-o um vilão, assim como a Estevão, representativo do amor visceral, romântico, à moda de Werther (referência dentro do livro de Machado), que caracterizava a época. É o que parece concordar o crítico Helio de Seixas Guimarães:

“(...) é pelos olhos do personagem (Estevão) que o leitor assiste à vitória de Guiomar e Luís Alves, assim como é o seu sofrimento que apela à simpatia do leitor, ainda que se dê em registro cômico. A comicidade associada ao personagem tem um objetivo: despertar a identificação do leitor com Estevão para corrigir, pelo riso, as idéias que o leitor eventualmente compartilhe com o personagem, caracterizado por Machado como quintessência do romantismo” (grifo nosso, p. 143)

Da mesma forma, o livro supracitado de Machado foi composto para agradar a críticos e a leitores que não viram o anterior, Ressurreição, com bons olhos:

As referências, embora negativas e associadas a uma visão de mundo e a um gosto manifestadamente retrógrados, são apresentadas de modo bastante simpático, fazendo de Estevão o principal foco de identificação do leitor e quem sabe da própria crítica que, diante de Ressurreição, cobrara de Machado um romance mais ortodoxo” (idem, p. 143-144)

Podemos ver que, mesmo atrelado ainda aos traços estilísticos da sua época, com José de Alencar, Manuel Antonio de Almeida, Joaquim Manuel de Almeida, entre outros, Machado se destacava com um estro particular, diferente dos demais. Isso se dava por não atribuir aos personagens características marcadamente tropicais (MIGUEL-PEREIRA, p. 62-3), ou seja, ele os universalizava, tanto que em pleno século XXI continua sendo clássico e atual.
Em relação à novela A Mão e a Luva, podemos ver que os personagens principais (Guiomar, Estêvão e Luís Alves) são cidadãos urbanos, de classe média (Estêvão) e classe alta (Luís Alves e Guiomar, de origem simples, mas criada pela madrinha baronesa), bacharéis (os homens) e vivem um romance que tanto poderia se passar no Brasil como no Canadá ou na Inglaterra.
Ao mesmo tempo, Machado não pintou os personagens acima sendo marcadamente protagonistas e antagonistas, bons e maus, mocinhos e bandidos (Idem, p. 62-3). Guiomar quer um marido forte emocionalmente, viril e sensível, para isso nega o amor de dois dos seus pretendentes que não atendiam a esse apelo e opta por Luís Alves; Estêvão é o romântico da vez, adorna-o um amor juvenil por Guiomar, uma paixão forte, irresistível e da mesma forma de caráter fraco, covarde; e Luís Alves, valoroso, bom caráter, honesto e também frio, ambicioso, interesseiro e que não respeitou a dor do amigo, vindo a se casar com Guiomar.
Vê-se, portanto, que as personagens de A Mão e a Luva, assim como de Ressurreição, Helena e Iaiá Garcia, não são marcadamente heróis, totalmente bons, nem maus. São pessoas que mais se aproximam da realidade, da gente que povoa o planeta, ao contrário das tendências romantizadas que desejavam o bem supremo (inocente) contra o mal (vilania, amor não correspondido, etc).
Tais características distinguem Machado de Assis dos escritores românticos tradicionais e também lançam, ainda que incipientes, os germens que farão ele se tornar um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos.
O rompimento de Machado, no entanto, com as correntes literárias românticas e o que era considerado “normal” literariamente na sua época só vai se tornar efetivo com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, em 1881. Mas aí já é uma outra história.

BIBLIOGRAFIA

ASSIS, Machado de. A Mão e a Luva. Rio de Janeiro: Edições de Ouro.

CARA, Salete de Almeida. Machado de Assis nos anos 1870: A Preparação do Romance Realista. In: O Bruxo do Cosme Velho. Machado de Assis no Espelho. São Paulo: Alameda, 2004. P. 29 a 49.

GANCHO, Cândida Vilares. Como Analisar Narrativas. Série Princípios. São Paulo: Editora Ática, 1991.

GUIMARÃES, Hélio de Seixas. Os Leitores de Machado de Assis. O romance Machadiano e o Público de Literatura no Século 19. São Paulo: Edusp. P. 138 a 147.

MIGUEL-PEREIRA, Lúcia. Machado de Assis. In: Prosa de Ficção (De 1870 a 1920). [SR]

quarta-feira, 11 de julho de 2012

É INTERESSANTE FICAR DE OLHO...

Hoje, revisando Dissertação com alunos do terceiro ano, e Textos Jornalísticos com o nono, indiquei duas fontes televisivas que seriam interessantes ficarmos de olho.



A primeira delas é o digníssimo Profissão Repórter, apresentado pelo grande Caco Barcellos, na programação das terças-feiras, após novela das 11 (onze). 

(É notório que os programas que prestam dessa emissora, a dita cuja global, sejam somente em horários como esses... Ou então 5 (cinco) da matina! Fica difícil acompanhar, mas creio que há reprises no youtube ou no próprio site do programa).

Imagino o quão difícil seja fazer esse programa para quem tem a história e o passado que tem a Rede G... Porém, devemos prestigiar, pois aprofunda em temas interessantes, muitas vezes assuntos que são pouco abordados nos grandes programas televisivos da casa por se tratarem de "complicados".



Já o programa estrelado por Pedro Bial, o Na Moral, promete uma coisa interessante na telinha: juntar em um mesmo tempo e espaço pensamentos divergentes, contraditórios, polêmicos. 

Para quem escreve dissertações ou está perto de prestar vestibular ou concurso é interessante dar uma vislumbrada para ver os argumentos utilizados pelos participantes. 

Mas, a contar pelo programa de estreia, talvez não seja para tanto: rasteiro, superficial, enfadonho.  

Nada que a nossa querida Regina Casé não tenha idealizado e feito, com temática parecida, no seu programa dominical, e com todo o carisma que lhe é outorgado, com justiça aliás...

Bons programas!!!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O USO CORRETO DE ALGUNS VERBOS


OS VERBOS Ver, Dar, Ler, Estar, CRER, TER E VIR

OS VERBOS NO INFINITIVO:
     Se problema existe em distinguir está de estar ou ver de , a primeira causa é a nossa má pronúncia. Acontece que no mais das vezes, ao falar descompromissadamente, “comemos” o r final do infinitivo: *vou isso, *é bom vê isso logo, *vou uma olhada, *você vai ficá linda, *pode me fazê um favor?, *não tem jeito de gostá dela, *vamo(s) vendê a casa, *quero o jornal agora, *preciso está lá ao meio-dia, *é melhor falá com ele...
    
OS VERBOS NA TERCEIRA PESSOA DO SINGULAR:
     O segundo fato é que essa pronúncia do infinitivo sem o r fica igual à pronúncia da 3ª pessoa do presente do indicativo de alguns verbos como ver, ler, dar e estar (ele vê, ela lê, você dá, a senhora está).
    
RESULTADO:
     1. Assim sendo, o correto é escrever e pronunciar o r final quando o verbo está no infinitivo e principalmente quando usado com outros verbos, no que se chama uma locução verbal (verbo auxiliar na frase):


  • Vou ver isso. É bom ver isso logo.
  • Vou dar uma olhada.
  • Você vai ficar linda.
  • Pode me fazer um favor?
  • Não tem jeito de gostar dela.
  • Vamos vender a casa.
  • Quero ler o jornal agora.
  • Preciso estar lá ao meio-dia.
  • É melhor falar com ele.


     2. E devemos usar o acento gráfico quando empregamos os verbos ver, dar, ler e estar na terceira pessoa do singular do presente do indicativo, caso em que ele estará sozinho, sem outros verbos de apoio:

  • Ela tudo com bons olhos.
  • Ana Maria suas receitas para todos.
  • Você está bem?
  • Ele dois livros por mês.

OS VERBOS NA TERCEIRA PESSOA DO PLURAL:
    Os mesmos verbos ler, dar e ver, acrescidos do crer, na terceira pessoa do plural forma-se o hiato (ee) e não se acentua com circunflexo mais, de acordo com a nova ortografia. Ex.: leem, deem, creem e veem (a regra é válida também para as suas derivações, como descrer, rever, etc.). Ao contrário dos verbos ter e vir, que acentuam na terceira pessoa do plural para diferenciar do singular, mas não dobram a vogal. Ex.: eles têm; João e Maria vêm.

EXERCÍCIO

Formule frases com os seguintes verbos abaixo:


a)   Vê -
b)    Lê -
c)    Dá -
d)    Está -
e)    Crê -
f)    Tem -
g)    Vem -
h)    Ver -
i)     Ler -
j)     Dar -
k)    Estar -
l)     Crer -
m)  Ter -
n)    Vir -
o)    Têm -
p)    Vêm -
q)    Veem -
r)    Leem -
s)    Creem -
t)     Deem -