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domingo, 23 de agosto de 2026

UM BOM TEXTO PARA REFLETIR...

 MAS SERÁ O BENEDITO!

Rita Gottardi 


Tem palavra que não morre porque é antiga. Morre porque ninguém mais tem coragem de usar.

Isso é uma pena.

Eu me recuso a aceitar que mocoronga, borocochô e requenguela desapareçam deste mundo enquanto “crush”, “ranço” e “shippar” seguem firmes, fortes e fazendo carreira.

Mocoronga, por exemplo, é uma palavra que já nasce com uma personalidade. Você não precisa explicar nada.

— Eita, que mocoronga!

Pronto.

Todo mundo entende.

Mocoronga não é simplesmente uma pessoa boba. Não. Mocoronga tem um componente de desajeito, de lerdeza, de “minha nossa senhora, como é que pode?”. É uma palavra completa. Tem CPF, RG e provavelmente uma tia chamada Nadir.

E borocochô?

Borocochô é patrimônio imaterial da humanidade.

— Hoje eu estou meio borocochô.

Isso explica tudo.

Você não está triste. Não está deprimida. Não está indisposta. Não está emocionalmente desregulada.

Você está borocochô.

É muito mais elegante.

Agora, se além de borocochô você estiver toda requenguela, aí a coisa complicou.

Porque requenguela é aquela criatura meio desmantelada, molenga, sem aprumo, que parece que saiu de casa sem terminar de se montar.

A pessoa acorda, olha no espelho e pensa:

— Hoje estou uma requenguela.

Suspira fundo e segue...

Sem terapia.

Sem podcast.

Sem precisar “processar os sentimentos”.

Antigamente, uma boa expressão resolvia metade dos problemas psicológicos.

A pessoa chegava em casa acabrunhada.

A mãe perguntava:

— Que cara é essa, menina?

— Estou borocochô.

— Então, tome um banho quentinho e pare de fazer manha.

Pronto. Problema resolvido.

Hoje você precisa de três profissionais, um aplicativo de meditação e uma assinatura de streaming para descobrir que estava apenas amuada.

Que palavra maravilhosa é amuada!

Cadê o amuado? Sumiu.

Foi substituído por “estou precisando de espaço”.

Dizíamos:

— Não vou falar com você porque estou amuada.

Ninguém discutia.

Respeitava-se o amuo.

Quem lembra dessa expressão?

— Ai, pior que a mãe do sarampo!

Essa eu não sei nem explicar direito.

Mas precisava? Claro que não!

A graça estava justamente em não precisar.

Era uma exclamação, uma praga, uma interjeição, um diagnóstico e um desabafo ao mesmo tempo.

E quando alguma coisa dava muito errado, vinha o clássico:

— Mas será o Benedito!

Benedito podia ser qualquer coisa.

O problema.

A confusão.

A desgraça.

O sujeito inconveniente.

O boleto.

A sogra.

A segunda-feira.

Bastava ouvir, e todo mundo sabia que coisa boa não era.

Tem também bestar, bulir, lambisgoia, xexelento, paspalho, janota, pirangueiro, sirigaita, catita, furdunço, arranca-rabo, cafundó, trololó, nhenhenhém, patuscada, fuzuê, quiprocó.

Isso não é vocabulário.

Isso é uma família inteira!

E o maravilhoso nhenhenhém?

Nhenhenhém é a reclamação que não tem começo, meio nem fim.

— Para com esse nhenhenhém!

É diferente de reclamar.

Nhenhenhém é reclamar com insistência, repetição e uma certa vocação para encher o saco.

Temos que preservar.

Pelo bem da humanidade.

E lambisgoia?

Lambisgoia é palavra que já vem com sobrancelha levantada.

Não existe lambisgoia neutra.

É quase uma profissão.

Precisamos recuperar furdunço.

Porque atualmente tudo virou “evento”. Antigamente era furdunço.

Tinha aniversário? Furdunço.

Tinha casamento? Furdunço.

Tinha briga na rua? Furdunço!

Tinha alguém dançando bêbado em cima da mesa?

Furdunço de alto nível.

A língua portuguesa está ficando séria demais.

Está precisando de um furdunço.

Eu proponho, inclusive, uma campanha nacional:

SALVEM AS PALAVRAS VELHAS!

Porque palavra também envelhece.

E algumas envelhecem lindamente.

Não sei vocês , mas creio que certas palavras não servem apenas para dizer alguma coisa.

Servem para temperar a língua.

Assim, da próxima vez que alguém disser:

— Estou meio cansada hoje.

Não aceite.

Pergunte:

— Cansada ou borocochô?

Se a pessoa responder:

— Acho que estou meio pra baixo...

Você olha bem para ela e sentencia:

— Minha filha, você está é acabrunhada.

E quando a situação sair completamente do controle:

—Mas será o Benedito!

Pronto.

A língua portuguesa estará respirando novamente.

Porque enquanto houver alguém dizendo mocoronga, borocochô, requenguela, paspalho, furdunço e nhenhenhém, a nossa língua ainda terá alguma graça.

Convenhamos:

num mundo cheio de algoritmo, inteligência artificial e reunião por videoconferência...um bom “mas será o Benedito!” está fazendo uma falta danada.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

terça-feira, 27 de agosto de 2013

MAS QUE COISA!!!


Para quem gosta da Língua Portuguesa, curiosidade como esta é interessante. Acompanhe o texto e veja que "coisa estranha" para se pensar. 
O substantivo "coisa" assumiu tantos valores que cabe em quase todas as situações cotidianas . 
A palavra "coisa" é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português. 
A natureza das coisas: gramaticalmente, "coisa" pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma "coisificar". E no Nordeste há "coisar": "Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar ”. 
Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as "coisas" nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. "E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios" (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, "coisa" também é cigarro de maconha. Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: "Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já." E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a Coisinha. 
Na literatura, a "coisa" é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica O Coisa em 1943. A Coisa é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu A Força das Coisas, e Michel Foucault, As Palavras e as Coisas. 
Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de "a coisa". A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: "Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!". 

Devido lugar 

"Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (...)". A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro. "Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca." Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas. Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta "Alguma coisa acontece no meu coração", de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa). 
Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim! Coisa de cinema! A Coisa virou nome de filme de Hollywood, que tinha o seu Coisa no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem "Coisinha de Jesus". 
Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, "coisa nenhuma" vira "coisíssima". Mas a "coisa" tem história na MPB. 
No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré ("Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar"), e A Banda, de Chico Buarque ("Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor"), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som Livre remasterizou. Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas: "Coisa linda / Coisa que eu adoro". 

Cheio das coisas 

As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essas coisas são títulos de canções interpretadas por Roberto Carlos, o "rei" das coisas. Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coisas. Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade (afinal, "são tantas coisinhas miúdas"). Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade ("ô coisinha tão bonitinha do pai"). Todas as Coisas e Eu é título de CD de Gal. "Esse papo já tá qualquer coisa... Já qualquer coisa doida dentro mexe." Essa coisa doida é uma citação da música Qualquer Coisa, de Caetano, que canta também: "Alguma coisa está fora da ordem." 
Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma. 
A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa: "Agora a coisa vai." Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas! 

Coisa à toa 

Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa-à-toa. Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema Eu, Etiqueta, Drummond radicaliza: "Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente." E, no verso do poeta, "coisa" vira "cousa". 
Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para ser usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más. 
Mas, "deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida", cantarola Fagner em Canteiros, baseado no poema Marcha, de Cecília Meireles, uma coisa linda.
Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: "amarás a Deus sobre todas as coisas"
Entendeu o espírito da coisa?

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A LÍNGUA PORTUGUESA É UMA MARAVILHA!



Você notou que muitos nomes de anjos ...Gabriel, Rafael, Miguel e outros anjos...

Todos terminam com 'el'.

Com base nos escritos de estudiosos sérios, teólogos e rabinos, alguns desses nomes foram decifrados:

GABRIEL:"AQUELE QUE DEUS ENVIOU";

MIGUEL: "IGUAL A DEUS";

RAFAEL: "ANJO MENSAGEIRO" 

e assim vai...


Sendo assim, veja no texto abaixo as novas descobertas
relativas aos estudos desses seres protetores.

NOVOS ANJOS:

Aluguel- anjo mau. Não deixa a pessoa conseguir sua casa
própria; 
Embratel- anjo protetor do monopólio das comunicações;
Chanel- anjo protetor dos costureiros, estilistas e
outros boiolas ;
Papai Noel - anjo protetor do comércio. Só aparece no
fim do ano para acabar com seu 13º. anda sempre acompanhado pelo anjo Jingobel;
Tonel- anjo protetor dos alcoólatras anônimos e
bêbados em geral;
Pastel- anjo protetor das colônias japonesas e chinesas;
Gel- anjo que protege as pessoas com cabelos rebeldes;
Manoel- anjo protetor das piadas preconceituosas; 
Papel- anjo protetor daqueles com intestinos soltos;
Anatel - anjo criado em Brasília, que não serve para porra nenhuma.
Motel - Esse...serve para fazer mais anjos !!!

(AUTORIA ANÔNIMA)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

MAIOR PALAVRA EM LP

Um detalhe: essa palavra é o nome de uma doença de alguém que aspira fumaça de vulcão! Como o Brasil não tem vulcão, será difícil alguém falar...