sábado, 21 de abril de 2012

CRITÉRIOS GERAIS PARA CORREÇÃO DE REDAÇÃO


São quatro aspectos ou critérios que quaisquer bancas examinadoras de Vestibulares, ENEM e Concurso corrigem as redações:

1. Aspecto Estético (tem caráter obrigatório, por se tratar de um documento, de um texto formal. Não se ganha ponto pelo acerto, só desconta!)

·        Nunca rasure ou borre;
·        Sobreposições;
·        Margens regulares;
·        Paragrafação bem feita;
·        Local do título;
·        Observe a quantidade de linhas solicitadas na prova;
·        Legibilidade (Cuidado! Só este aspecto estético pode eliminar o seu texto).

2. Aspecto Gramatical (todo o componente responsável pela expressão, as regras, as características formais da língua)

·        Faça a concordância e a flexão correta dos tempos verbais;
·        Não fragmente a frase, separando o sujeito do predicado;
·        Cuidado com a separação silábica;
·        Cuidado com a pontuação, acentuação e ortografia;
·        Use corretamente os pronomes;
·        Eco textual;
·        Termos coloquiais;
·        Emprego equivocado do gerúndio.

3. Aspecto Estilístico (Maneira, estilo, jeito que cada um escreve. Pode-se pedir o mesmo tema para milhares de estudantes e cada um fará o seu próprio texto!)

·        Evite repetição de palavras;
·        Não escreva períodos muito curtos (que travam o texto) nem muito longos (que possibilitam o erro);
·        Cuidado com o abuso do “e”, “mas”, “que”, “pois”;
·        Não seja prolixo;
·        Marcas da Oralidade;
·        Cuidado com o internetês ou com siglas;
·        Uso inadequado do “onde”;
·        Uso de palavras desnecessárias ou ideias repetidas.

4. Aspecto Estrutural (Critérios mais valiosos, desconta e elimina em quase todos eles)
·        Observe a estrutura solicitada;
·        Organização das ideias;
·        Não fuja do tema proposto;
·        Não faça os parágrafos/ideias incompletos, ingênuos, intimistas, racistas, etc.;
·        Não escreva em verso ou a lápis;
·        Informatividade conta muito ponto;
·        A originalidade é fundamental;
·        Cuidado com a coerência e coesão, regras de ouro na dissertação.

AGORA, MÃOS À OBRA!

terça-feira, 17 de abril de 2012

COERÊNCIA TEXTUAL

Produzimos textos porque pretendemos informar, divertir, explicar, convencer, discordar, ordenar, etc., ou seja, o texto é uma unidade de significado produzida sempre com uma determinada intenção. Assim como uma frase não é uma simples sucessão de palavras, o texto também não é uma simples sucessão de frases, mas um todo organizado capaz de estabelecer contato com nossos interlocutores, influindo sobre eles. Quando isso ocorre, temos um texto em que há coerência.
A coerência é resultante da não contradição entre os diversos segmentos textuais que devem estar encadeados logicamente. Cada segmento textual é pressuposto do segmento seguinte, que por sua vez será pressuposto para o(s) que lhe suceder (em), formando assim uma cadeia em que todos eles estejam concatenados harmonicamente. Quando há quebra nessa concatenação, ou quando um segmento textual está em contradição com um anterior, perde-se a coerência textual.
A coerência é também resultado da adequação do que se diz ao contexto extraverbal, ou seja, àquilo a que o texto faz referência, que precisa ser conhecido pelo receptor.
Ao ler uma frase como: “No verão passado, quando estivemos na capital do Ceará, Fortaleza, não pudemos aproveitar a praia, pois o frio era tanto que chegou a nevar”, percebemos que ela é incoerente em decorrência da incompatibilidade entre um conhecimento prévio que temos da realidade com o que se relata. Sabemos que, considerada uma realidade “normal”, em Fortaleza não neva (ainda mais no verão!).
Claro que, inserido numa narrativa ficcional fantástica, o exemplo acima poderia fazer sentido, dando coerência ao texto – nesse caso, o texto seria a “anormalidade” e prevaleceria a coerência interna da narrativa.
No caso se apresentar uma inadequação entre o que informa e uma realidade “normal” pré-conhecida, para guardar a coerência ao texto deve apresentar elementos lingüísticos instruindo o receptor acerca dessa anormalidade.
Uma afirmação como: “Foi um verdadeiro milagre! O menino caiu do décimo andar e não sofreu nenhum arranhão.” É coerente na medida em que a frase inicial (“Foi um verdadeiro milagre!) instrui o leitor para a anormalidade do fato narrado.

COERÊNCIA DISSERTATIVA

Na dissertação apresentamos argumentos, dados, opiniões, exemplos, a fim de defender uma determinada idéia ou questionar determinado assunto.
Se, por exemplo, numa dissertação, expusermos argumentos, dermos exemplos e dados contraditórios a privatização de empresas estatais, não poderemos apresentar como conclusão que a Petrobrás deve ser imediatamente privatizada, pois tal conclusão estaria em contradição com os pressupostos apresentados, tornando o texto incoerente.
Nas dissertações, a coerência é decorrente não só da adequação da conclusão ao que foi anteriormente apresentado, mas da própria concatenação das idéias apresentadas na argumentação.
Você pode até não concordar com as opiniões apresentadas por Darcy Ribeiro no texto As Guerras do Brasil (aliás, muita gente também não concorda). Pode até achar, como muitos, que o brasileiro é um povo cordial. Mas não há o que discutir: Darcy Ribeiro produziu um texto coerente. A partir da tese de que nossa história é marcada por conflitos de toda a ordem, ele nos apresenta argumentos que estão adequados a esse pressuposto – os conflitos violentos no Pará (Cabanagem), em Alagoas (Palmares) e na Bahia (Canudos) – para chegar a uma conclusão que retoma a tese apresentada inicialmente.
Na produção de textos dissertativos, muitas vezes discutimos assuntos polêmicos sobre os quais não há consenso. Em dissertações que discutem temas como a pena de morte e a legalização do aborto, estão presentes convicções de natureza ética e religiosa que variam de indivíduo para indivíduo. Portanto, qualquer que seja a tese que defendamos, sempre haverá pessoas que discordarão dela. O que importa em um texto dissertativo não é a tese em si, pois como vimos as pessoas têm – felizmente – opiniões diferentes sobre um mesmo tema, mas a coerência textual, ou seja, a argumentação deve estar em conformidade com a tese e a conclusão deve ser uma decorrência lógica da argumentação.

COERÊNCIA NARRATIVA

Nas narrações atribuímos ações a personagens. Essas ações se sucedem temporalmente, isto é, uma ação posterior pressupõe uma ação anterior com a qual não pode estar em contradição, sob pena de tornar a narração inverossímil.
Se, num primeiro momento, afirmamos que um determinado personagem, ao sair para fazer compras, deixou em casa o único talão de cheques que tinha, não podemos, em seguida, dizer que ele pagou as compras que fez com um cheque. Teríamos um caso de incoerência narrativa: quem não tem cheque não pode pagar com cheque.
Nas narrações, as incoerências também podem ser decorrentes da caracterização do personagem com relação às ações atribuídas a ele. Se um determinado personagem é, no início da narração, caracterizado como uma pessoa que não suporta animais, não podemos dizer em seguida, sem apresentar uma justificativa convincente, que ele criava em casa cachorros e passarinhos. A ação “criar cachorros e passarinhos” está em contradição com pressuposto apresentado de que “ele não suporta animais”.
Certamente você já deve ter assistido a um julgamento (pelo menos em filmes). Nele, juízes, promotores e advogados tentam estabelecer a verdade dos fatos, procurando descobrir incoerências no depoimento de acusados e testemunhas. Se uma testemunha afirmar que, na noite de um crime ocorrido numa rua escura da cidade, estava a duzentos metros de distância do fato e que viu claramente que o assassino tinha olhos azuis e bigodes e que atirou com uma arma de cabo marrom, seu depoimento não deverá ser considerado devido à falta de coerência narrativa, ou seja, naquelas circunstâncias ele não poderia ter visto o que disse que viu.

COERÊNCIA DESCRITIVA

Nas descrições apresentamos um retrato verbal de pessoas, coisas ou lugares, enfatizando elementos que os caracterizam. Se se trata da descrição de um funeral, recorremos a figuras como “roupas negras”, “pessoas tristes”, “coroas de flores”, “orações”, etc. Nesse caso, as figuras utilizadas são coerentes com a cena que está sendo descrita.
Se descrevermos um dia ensolarado de verão, não podemos afirmar que as pessoas andam nas ruas protegidas por pesados casacos, pois essa descrição seria incoerente, já que a figura “pesados casacos” está em contradição com o pressuposto “dia ensolarado de verão”.
Na produção de um filme (e também de novelas e minisséries para televisões), certas cenas, por motivos técnicos, muitas vezes não são feitas num mesmo dia. Para garantir que o filme não apresente incoerências, existe um profissional responsável pela continuidade das cenas.
Imagine que num dia começa-se a gravar uma cena em que um personagem vai ao banco pedir um empréstimo ao gerente e que a continuidade da gravação dessa cena venha a ocorrer no dia seguinte. Se, na primeira gravação, o personagem entra num banco vestido com uma blusa azul, no dia seguinte ele deverá estar vestindo a mesma camisa azul.
A função desse profissional é impedir que haja discrepâncias na continuidade do filme. Imagine a estranheza dos espectadores se, ao entrar no banco, o personagem estivesse usando uma camisa azul e, ao sentar-se na mesa do gerente, vestisse uma camisa amarela!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

COESÃO TEXTUAL

Um texto apresenta coesão quando há conexão e harmonia entre as partes que o compõem. Consideramos como elementos de coesão as palavras ou expressões que estabelecem a transição de idéias, os elos para criar as relações entre frases e parágrafos – pronomes, advérbios e conjunções, como mas, portanto, dessa forma, porque, uma vez que, assim, embora, apesar de, entre outros.
Cada elemento de coesão mantém determinado tipo de relação e, por isso, é necessário atentar muito bem para o seu uso. Vejamos alguns exemplos:
“Os sem-terra fizeram um protesto em Brasília contra a política agrária do país, porque consideram injusta a atual distribuição de terras. Porém, o ministro da Agricultura considerou a manifestação um ato de rebeldia, uma vez que o projeto de Reforma Agrária pretende assentar milhares de sem-terra”
Nesse texto, os elementos de coesão foram utilizados de forma correta:
1-          A palavra porque está iniciando a oração que estabelece a causa do protesto: “consideram injusta a atual distribuição de terra”.
2-          A palavra porém está iniciando a oração que estabelece um contraste de idéias: protesto (para os sem-terra) X ato de rebeldia ( para o ministro).
3-          A expressão uma vez que está iniciando a oração que estabelece a causa da indignação do ministro “o projeto da Reforma Agrária pretende assentar milhares de sem-terra”.
Quando se usa o elemento de coesão inadequado, o enunciado certamente fica prejudicado, pois pode não só mudar o sentido pretendido, mas também produzir idéias absurdas:
“Os sem-terra fizeram um protesto em Brasília contra a política agrária do país, porém consideram injusta a atual distribuição de terras”
Logo, para se obter um bom texto, não basta ter boas idéias. É preciso também ordená-las e cuidar da disposição das palavras nas frases, a fim de que a redação seja um conjunto harmonioso.

MECANISMOS DE COESÃO

Há vários elementos no idioma que permitem o mecanismo de coesão. Alguns deles, são:

1-   Emprego adequado de tempos e modos verbais:
Ex: Embora não estivessem gostando muito, eles participavam da festa.

2-   Emprego adequado de pronomes, conjunções, preposições, artigos:
Ex: O papa João Paulo II visitou o México. Na capital mexicana sua Santidade beijou o chão. As pessoas tinham a certeza de que o papa lhes guardava respeito e as amava.

3-          Emprego adequado de construções por coordenação e subordinação:
Ex: “Amanhece. Poucos barulhos se ouvem. Logo mais a cidade vai ferver. Um carro aqui. Um ônibus. Duas motos. Alguém buzina duas vezes, depois três vezes, mais uma buzina insistente. A mocinha de uniforme grita pela janela que já vai. O pai na direção (deve ser um pai, porque está impaciente, de terno e gravata) tamborila os dedos na direção do carro, que não é carro do ano, logo se vê pelo ar meio baça da lataria...”
(Note que o texto foi inicialmente construído por um encadeado de orações coordenadas e depois, lentamente, foram sendo introduzidas as subordinadas.

4-   Emprego adequado do discurso direto, indireto e indireto livre:
DD= “Maria Eugenia chegou cedo e perguntou:
         - Paulinho já saiu?
         Claudia respondeu:
         - Ele ainda está dormindo”.
DI= “Maria Eugenia chegou cedo e perguntou se Paulinho já havia saído. Cláudia respondeu-lhe que ele ainda estava dormindo”.

5-   Emprego adequado de vocabulário (coesão lexical):
Ex: “A China é um país fascinante, onde tudo é dimensionado em termos gigantescos. O país amarelo é uma civilização milenar. O grande dragão oriental abriga, na terceira maior extensão territorial planetária cerca de 01 bilhão e 100 mil habitantes”.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

TREINANDO DISSERTAÇÃO DE TEMA POLÊMICO:


1) A legalização da maconha volta ao debate na sociedade.
Arg. Favoráveis:                                Arg. Contrários:


2) As cotas nas universidades brasileira para alunos de escola pública parece que vieram para ficar.
Arg. Favoráveis:                               Arg. Contrários:


3) O uso dos alimentos transgênicos (OGM’s) gera dúvida e polêmica no Brasil.
Arg. Favoráveis:                              Arg. Contrários:


4) A maioridade penal é sempre discutida quando um menor de idade comete um crime.
Arg. Favoráveis:                             Arg. Contrários:


5) A pena de morte deveria ser posta em prática no país?
Arg. Favoráveis:                            Arg. Contrários:


6) A liberação do aborto, segundo o ministro da saúde, é uma questão de saúde pública.
Arg. Favoráveis:                            Arg. Contrários:


7) A prática da eutanásia leva a um debate sobre o seu uso como forma de aliviar o sofrimento.
Arg. Favoráveis:                          Arg. Contrários:


8) O casamento entre pessoas do mesmo sexo é motivo de divergências no Brasil.
Arg. Favoráveis:                          Arg. Contrários:


9) A troca de arquivos na internet, como músicas e filmes, deve ser permitida?
Arg. Favoráveis:                         Arg. Contrários:


quinta-feira, 12 de abril de 2012

TREINANDO DISSERTAÇÃO-ARGUMENTATIVA:


Treine e se torne uma fera em redação dissertativa!

1. A destruição do meio ambiente em benefício das exportações, do desenvolvimento, dos recordes e dos lucros sucessivos;

2. A classe média brasileira e a introdução de mais 20 milhões de pessoas na classe C (segundo IPEA), oriundas das classes mais baixas;

3. O Brasil se encontra capaz de sediar eventos importantes, de caráter esportivo, como a Copa do Mundo e a Olimpíada?;

4. A Lei de Anistia, que perdoa os crimes e torturas que aconteceram durante a Ditadura Militar, deve ser revogada, como querem o Ministro da Justiça e alguns setores da sociedade?;

5. Como será o mundo e sua tecnologia daqui a 50 anos ou mais?;

6. O uso terapêutico das células-tronco voltou ao palco das discussões no Brasil: questão ética, desenvolvimento científico ou necessidade humana?;

7. Os imigrantes brasileiros são mal vistos por algumas nações europeias e EUA;

8. Apesar de inúmeras conquistas realizadas, as mulheres ainda têm muito a fazer para se igualar aos homens no mundo;

9. O movimento cidadão implica em uma via de mão dupla: resguardar-se nos seus direitos, mas não se esquecer de seus deveres;

10. Nunca os jovens foram tão vazios; em nenhuma outra época foram tão cheios de informação. O que pensam adolescentes da atualidade, abarrotados de conteúdos, mas que não sabem usá-lo?

BOA SORTE!!!

Gustavo Atallah Haun - Professor.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

DISSERTAÇÃO DE TEMAS POLÊMICOS

O QUE É?

Entende-se por tema polêmico aquele que costuma dividir opiniões, criar divergências, de tal modo que dificilmente se consegue chegar a um consenso capaz de satisfazer a grande maioria das pessoas.

CARACTERÍSTICAS:

· Possuem SEMPRE argumentos favoráveis e contrários;
·Divide opiniões;
·Não há um posicionamento definido em relação ao tema proposto, provocando dificuldade em satisfazer as pessoas;
·Não é polêmico todo tema bombástico, arrasador, super problemático.

ALGUNS TEMAS POLÊMICOS:

Ø A implantação da pena de morte no Brasil;
Ø A legalização do aborto;
Ø A eliminação das favelas;
Ø Controle de natalidade;
Ø Legalização da maconha;
Ø Eutanásia;
Ø Uso dos Transgênicos, etc.

ESTRUTURA:


EXEMPLO:

A Pena de Morte

Cogita-se, com muita frequência, da implantação da pena de morte no Brasil. Porém, muitos aspectos devem ser analisados na abordagem dessa questão.
Os defensores da pena de morte alegam que ela intimidaria os assassinos, impedindo-os de cometer crimes monstruosos, dos quais costumeiramente se tem notícia. Além do mais aliviaria, em certa medida, a superlotação dos presídios. Isso sem contar que certos criminosos, considerados irrecuperáveis, deveriam pagar pelos seus atos.
Outros, porém, não conseguem admitir a ideia de um ser humano tirar a vida de um semelhante, por mais terrível que tenha sido os delitos cometidos. Há registros históricos de pessoas executadas injustamente, pois as provas de sua inocência evidenciaram-se após o cumprimento da sentença. Por outro lado, a vigência da pena de morte não é capaz de, por si, desencorajar a prática de crimes: estes não deixaram de ocorrer nos países em que ela foi implantada.
Por todos esses aspectos, posicionar-se categoricamente contra ou a favor da implantação da pena de morte, é algo difícil. Enquanto esse problema é motivo de debates, só resta esperar para que a lei consiga atingir os infratores com justiça e eficiência, independentemente de sua situação socioeconômica. Isso se faz necessário para defender os direitos de cada cidadão brasileiro das mais diversas formas de agressão das quais hoje é vítima.
(Adaptado do livro Técnicas Básicas de Redação, de Branca Granatic)

sábado, 7 de abril de 2012

ENTREVISTA PUBLICADA NO PIMENTA NA MUQUECA...

“A INTERNET É UM FAROESTE MODERNO”


PIMENTA – De onde surgiu essa ideia de criar um blog sobre redação?
Gustavo Haun - Olha, eu tinha uma sensação, como articulista diletante de jornal escrito, de não ter respaldo, de ter pouco retorno dos leitores. Sentia-me como um pregador no deserto. São mais de duas centenas e meia de textos publicados no Diário de Ilhéus, alguns no Jornal Agora e no Diário Bahia. Um número considerável para um amador. Mas havia esse vazio. Com a experiência de publicar alguns artigos aqui no Pimenta na Muqueca, que sempre me abriu as portas, vi que o resultado era imediato. Então, tive uma sacada com a disciplina que ministro aula: que tal postar tudo o que escrevi, a minha experiência de 11 anos de sala de aula e tal? Daí surgiu, despretensiosamente, o blog.

PIMENTA – Seus alunos acessam o blog? O que eles acham?
GH - Meus queridos alunos são sujeitos privilegiados que nasceram com essa ferramenta, para mim pedagógica, para eles de mero entretenimento. Eles acessam e vão me dando dicas: faça assim, faça assado… Mas a maioria que frequenta o blog é de cursinhos para concurso, pré-vestibulares e pré-Enem, tem uma busca mais objetiva, pois evito textos engraçadinhos, rasteiros, só para fisgar alunos. A minha meta é o bom conteúdo, prezo por isso. Evito que se torne um consultório gramatical ou redacional, algo assim.

PIMENTA – Legal quando você chama seu blog de “pedacinho de chão virtual”. Como você se sente nesse terreno relativamente novo e ao mesmo tempo já tão complexo e abrangente, que é a internet?
GH - Um peixe fora da água tentando se aprumar. É um mar de informações, ondas de opiniões, de doideras de todos os lados, respaldados ou não. Não sei como as gerações futuras farão para filtrar tudo isso… Liberdade demais, talvez, pode levar ao caos, não sei. A internet é um faroeste moderno, terra de ninguém, e de todos ao mesmo tempo. Mas depois da sacada inicial e de assistir ao belíssimo filme Escritores da Liberdade (2007) vi que era possível fazer o link com o que pretendia.

"A sala de aula pode ser uma coisa muito, muito chata, insuportável até, quando a relação lá existente é baseada em interesse de nota ou em pura obrigação".


PIMENTA – Em um artigo postado no seu blog, você afirma que a escola perdeu a antiga condição de templo sagrado e único do saber. Já que as evidências indicam que esse é um processo irreversível, o que a escola precisa fazer para conviver com a nova realidade?
GH - Se adaptar aos tempos modernos, meu caro. O homem é moldável, a educação tem que entrar nesse balaio de gato, afinal, ela é o resultado de homens e de práticas. Frases como a de Rosely Sayão, tão famosas no meio educativo, como “Não há Educação sem repressão”, felizmente ou infelizmente, estão absolutamente fora de moda. A parada do momento agora é incluir, é aproveitar o que se tem e acrescentar o novo. A internet pode, e deve, ser usada com esse fim, tendo o cuidado com o caos que falei acima, não cair em um liquidificador cultural louco e sem nexo.

PIMENTA – Quais são as dores e as delícias de ser professor?
GH - Poxa, já escrevi vários textos sobre isso… A sala de aula pode ser uma coisa muito, muito chata, insuportável até, quando a relação lá existente é baseada em interesse de nota ou em pura obrigação. Então, pode ter sentido Paulo Mendes Campos afirmar que “aprender é uma mutilação”. Porém, há os gozos, há os momentos em que tudo vale a pena e que penso que escolhi o caminho certo. Por exemplo, recentemente postei um texto nota dez de uma aluna do segundo ano do Ensino Médio. Nessas horas, bate um orgulho de ser professor, apesar de que a pessoa que escreve é quem tem o mérito total do que escreveu. Eu só oriento, mostro caminhos, possibilidades. O escrevente é quem resolve, com o seu mundo, com suas leituras prévias, com a sua linguagem. Desculpem o lugar comum, mas a expressão que poderia sintetizar tudo isso que estou falando é “padecer no paraíso”.

PIMENTA – Falando de blog, o que você acha da blogosfera regional? Você acha que os blogs da terrinha cumprem um papel importante? O que lhes falta?
GH - Eu sou frequentador assíduo dos blogs grapiúnas, alguns inclusive estão linkados no meu. Gosto de muitos, mas sinto falta de blogs culturais na nossa região: os nossos artistas ainda não descobriram esse portal interessante e essa força incrível que é a internet. Alguns blogs jornalísticos – que não acesso – exploram a desgraça alheia; outros viraram palanque de figurinhas políticas carimbadas. Sei que a imparcialidade da imprensa é uma utopia, mas acho que deve ser perseguida, em nome da ética, da boa informação. Penso que os blogs, muitos discípulos do nosso Pimenta, cumprem, hoje, quem sabe, o papel que o jornalismo escrito não vem cumprindo em nossa cidade e região.

(Fonte: Pimenta na Muqueca)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

DEU NO PIMENTA NA MUQUECA...

BLOG PREMIADO

4/abr/2012 . 7:09 | Autor: Pimenta na Muqueca


De excelente texto, o professor itabunense Gustavo Haun está presente na blogosfera de maneira muito especial. Seu “Blog de Redação”, que oferece dicas preciosas sobre a arte de escrever, foi escolhido entre os dez melhores da modalidade no Brasil.

A classificação foi divulgada pelo infoEnem, considerado o maior portal da internet sobre o Exame Nacional do Ensino Médio.

Clique aqui para conhecer o blog, que realmente é muito bom.


terça-feira, 3 de abril de 2012

PROPOSTA DE UM MODELO DE ANÁLISE NARRATIVA

Esta proposta é apenas um ponto de partida e uma sugestão das lições de teoria literária de René Wellek e Austin Warren

1.  Análise do enredo

a)    reconstituição da história – o que conta o texto?
b)    apresentação, complicação, clímax e desfecho – como se organiza o relato?
c)    Andamento da ação – qual o ritmo narrado?

2.     Análise do tempo

a)    quando se passa a história – que tempo ela abrange?
b)    é possível medir o lapso temporal?
c)    trata-se de uma narração de tempo cronológico ou de tempo psicológico?
d)    há algum uso especial do tempo psicológico? que importância tem isso?
(citar exemplos extraídos do texto para todas as questões)

3.     Análise do espaço

a)    onde ocorre o relato?
b)    que lugares são descritos e quais as locações privilegiadas?
c)    há preocupação com ambientes ou paisagens?
d)    que ambientações predominam? externas ou internas?
(citar exemplos extraídos do texto para todas as questões)

4.     Análise dos personagens

a)    quantos são os personagens?
b)    quais os personagens principais? quem é o protagonista e o antagonista?
c)    quais os personagens secundários?
d)    quais os personagens cíclicos ou redondos?
e)    e os planos ou lineares?
f)     faça uma análise dos personagens principais:
-          como são?
-          são analisados psicologicamente?
-          que tipo de comportamento têm?
            (citar exemplos extraídos do texto para todas as questões)

5.     Análise do foco narrativo

a)    quem conta a história?
b)    é um narrador-participante ou narrador-onisciente?
c)    existe intromissão do narrador? isso é importante?
            (citar exemplos extraídos do texto para todas as questões)

  1. Análise da linguagem
a)    qual o tipo de discurso predominante – direto, indireto ou indireto-livre?
b)    qual a linguagem predominante – objetiva ou subjetiva?
c)    há uso de coloquialismos ou personalização da fala de algum personagem no texto?
d)    existem trechos de descrição?
            (citar exemplos extraídos do texto para todas as questões)

7.     Comentário Final

a)    quais são os temas enfocados?
b)    que tipo de mensagem foi transmitida?
c)  que tipo de crítica social se teceu?