quarta-feira, 16 de novembro de 2011

DICAS PARA ESCREVER UMA BOA REDAÇÃO

Faça letra legível: 
Você acha que alguém vai tentar decifrar sua redação, tendo outras 1000 para corrigir?

Ordenação das Idéias:
A falta de ordenação de idéias gera um texto sem encadeamento e, às vezes, incompreensível, partindo de uma idéia para outra sem critério, sem ligação.

Coerência:
Você não deve apresentar um argumento e contradizê-lo mais adiante.

Coesão:
A redundância denuncia a falta de coesão, assim como a falta de ligação entre frases e parágrafos. Não dê voltas num assunto, sem acrescentar dados novos. Isso é típico de quem não tem informações suficientes para compor o texto.

Inadequação:
Não fuja ao tema proposto, escolhendo outro argumento com o qual tenha maior afinidade. O distanciamento do assunto pode custar pontos importantes na avaliação.

Estrutura dos Parágrafos:
Separe o texto em parágrafos. Sem a definição de uma idéia em cada parágrafo, a redação fica mal estruturada. Não corte a idéia em um parágrafo para concluí-la no seguinte. Não deixe o pensamento sem conclusão.

Aspecto gramatical:
· Faça a concordância e a flexão correta dos tempos verbais;
· Não fragmente a frase, separando o sujeito do predicado;
· Cuidado com a pontuação, acentuação e ortografia das palavras.

Conselhos úteis:
· Evite a repetições de sons, que é deselegante na prosa;
· Evite a repetições de palavras, que denota falta de vocabulário;
· Evite a repetição de idéias, que demonstra falta de conhecimento geral;
· Evite o exagero de conectivos (conjunções e pronomes relativos) para evitar a repetição e para não alongar períodos;
· Evite o uso exagerado de palavras e expressões do tipo: problema, coisa, negócio, principalmente, devido a, através de, em nível de, sob um ponto de vista, tendo em vista, etc.;
· Nunca utilize coloquialismos: só que, daí, aí, ta, tou, pra, pro, etc.;
· Cuidado com o emprego ambíguo dos pronomes: seu, seus, sua, suas;
· Cuidado com as generalizações: sempre, nunca, todo mundo, ninguém;
· Seja específico: utilize argumentos concretos, fatos importantes;
· Não faça afirmações levianas, como: todo político é corrupto;
· Não use expressões populares e cristalizadas pelo uso, como: a união faz a força;
· Não use palavras estrangeiras nem gírias, como: deletar, tipo assim;
· Observe as palavras desnecessárias. Ex.: “Necessita de ajudar o próximo”
· Cuidado com o uso de conjunções:
. mas, porém, contudo são adversativas, indicam fatores contrários;
. portanto, logo são conclusivas;
. pois é explicativa e não causal;
· Não escreva períodos muito curtos (que travam o texto) nem muito longos (que possibilitam o erro);
· Não use a palavra “eu” nem a palavra “você” e evite a palavra “nós”: a dissertação deve ser impessoal; não se dirija ao examinador como se estivesse conversando com ele;
· Não deixe parágrafos soltos: faça uma ligação entre eles, pois a ausência de elementos coesivos entre orações, períodos e parágrafos é erro grave.

Prof. Gustavo · a melhor preparação para a prova de Redação
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A ESCOLA NO CINEMA

Na mesma tônica da frase “de louco e de médico todo mundo tem um pouco”, a Educação sofre de idêntica vertigem: todos acham que podem e devem opinar sobre o assunto, mesmo não se diplomando em uma licenciatura ou tendo experiência em sala de aula.
Ainda assim, alguns curtas e longas-metragens vêm trazendo à tona um arsenal muito rico e bastante variado sobre a docência, estudantes, métodos, salas de aula, problemáticas educacionais, entre outros assuntos que se interrelacionam com esses.


Ao Mestre, Com Carinho (1966) emocionou uma legião de fãs que, depois de assisti-lo, tornaram-se professores. Sidney Poitier, o primeiro negro a ganhar um Oscar nos EUA como ator principal, faz um engenheiro desempregado que resolve dar aula em uma escola no subúrbio de Londres. Vale a pena assistir, deliciar-se com os desafios propostos pelos alunos rebeldes e, emocionar-se no final, quando todos veneram o professor que conseguiu conquistá-los. Ao Mestre, Com Carinho foi refilmado para a TV, em 1995.
Seguindo uma linha totalmente difusa, o filme Pink Floyd The Wall (1982) ficou mundialmente famoso por retratar uma cena que se passa com o protagonista quando ainda estudante. Ridicularizado pelo professor por escrever poesia, ele era sempre a cobaia do mestre, chegando a imaginar uma total destruição da escola. Tal fragmento do filme virou o próprio videoclipe da banda. Produzido pelo diretor britânico Alan Parker, lançado pela MGM, o roteiro foi escrito pelo então vocalista e baixista da banda Pink Floyd, Roger Waters. Apesar de Waters ter cogitado ser o próprio protagonista do filme, foi escolhido o ator Bob Geldof.


Já o filme Mentes Perigosas (1995), estrelado pela bela Michelle Pfeiffer, é uma “sessão da tarde” interessante. Michelle faz uma oficial da marinha que abandona a carreira militar para realizar o antigo sonho de ser professora de inglês. Mas, o grupo de alunos rebeldes que tem pela frente logo na primeira escola em que leciona será capaz de deixar o telespectador colado na telinha para saber até onde ela é capaz de agir, tentar mudar as consciências, etc.


Mais recentemente, foi lançado nos EUA um longa baseado em uma experiência real, Escritores da Liberdade (2007), tendo a atriz Hilary Swank como protagonista. O filme aborda, de uma forma comovente e instigante, o desafio da educação em um contexto social problemático e violento. Hilary vive a personagem da professora Erin Gruwell, por volta do ano de 1992, na cidade de Los Angeles, que passa por uma verdadeira guerra nos seus bairros mais pobres, causada, sobretudo, por gangues que são movidas pelas tensões raciais. Vale a pena conferir e se emocionar!


Por fim, gostaria de falar sobre um documentário brasileiro tão pouco visto e que, infelizmente, não teve o debate e o respaldo merecidos pela imprensa no Brasil. O brilhante Pro Dia Nascer Feliz (2006), do diretor João Jardim, apresenta um panorama sobre as adversidades enfrentadas pelo adolescente brasileiro da escola pública e também a visão de mundo dos jovens urbanos da escola particular. Um excelente documentário, que mudará muitos preconceitos arraigados no imaginário do país sobre a escola que temos.
Seja como for, a sorte está lançada. Dentre tantas películas boas que o cinéfilo tem à sua disposição, eis algumas poucas que tratam da Educação. Agora é só conferir.
Gustavo Atallah Haun - Professor.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

PALAVRAS DE UM SIMPLES REDATOR

O escritor é um sujeito solitário pela própria natureza do seu ofício. A sua labuta cotidiana com a folha em branco e a imaginação a todo vapor é um ato íntimo, pessoal, a sós. Por isso, gostaria de escrever inicialmente sobre a SOLIDÃO, essa solidão que às vezes se faz tão necessária em um mundo tão corrido, sem face, sem introspecção alguma. Aquela solitude positiva, bem-vinda, que é muito mais razão preenchedora do que emoção vazia. Mas já escrevi páginas inteiras sobre ela e, no fundo, ainda não é o que gostaria de dizer.
Então pensei em falar do AMOR. Amor, amor, tanto para falar do amor. Tantos já falaram dele, e falarão. Sentimento maior, unânime, que se transformou em algo tão piegas e fortuito na mão de amadores, embora todos o busquem aqui neste chão de provas e expiações. Porém, nada disso tocou o meu coração hoje. Na grandiosidade dessa emoção universal, meus olhos anseiam pela descoberta do menos, do detalhe, do ínfimo que ninguém enxerga.


Talvez não haja palavra mais bela para o momento do que FELICIDADE. Cinco sílabas que arrastam o homem ao mar do êxtase, às ondas da perfeição, ao brotar de novas vivências e límpidas paisagens mentais. O infinito da felicidade é o limite de possibilidades de jovens que perseguem a sua essência, através das linguagens universais, qualquer que seja. Genial é a pessoa que se lança à existência, de peito aberto, descortinando novos mundos, fazendo o que nasceu para fazer, ajudando a Terra a girar. Fantástico é o outro quando tem a sensação de que é indispensável, que ele tem valor, somente pelo que é, para outro semelhante de luz e de glórias; de desilusão e de mágoas; de bem e de mal. Afinal, alegria maior não há do que aceitar o próximo como ele é.
Pensei também em uma pequena-grande palavra: SAUDADE. É o que fica daqueles que convivem, visitam, perturbam, choram e ri conosco. Sete letrinhas encantadas, oníricas, que só existem na nossa memória, no nosso coração dolorido de recordações, no nosso baú das boas e das más lembranças. Porém, todas as sete nos compondo como seres imortais, como redatores sagrados de um texto especial: a nossa própria vida!
E quanto a VIDA é misteriosa, é tortuosa, é banal, é esplendorosa! Quanto ainda temos que aprender do nada que sabemos, do nada que vivemos, do nada que somos! E, na verdade, o que somos? “V-ó-s s-ó-i-s d-e-u-s-e-s”, disse o Apóstolo dos apóstolos. Contudo, teimamos ainda em nos comportar como micro-cristais opacos perdidos no oceano das futilidades, das paixões pueris, da concorrência desleal, do planeta injusto e famélico.
A vida é uma bênção que nos foi entregue para crescermos, evoluirmos, sermos melhores do que somos, para, enfim, sair daqui numa condição superior do que quando aqui entramos.
Não percamos tempo! Não desperdicemos essa dádiva que é estar aqui, fazer parte da família cósmica, pois só é FELIZ na VIDA aquele que encontrou o AMOR dentro de si, na SOLIDÃO mágica e intransferível da SAUDADE.
Gustavo Atallah Haun - Professor.

domingo, 23 de outubro de 2011

AS LIVRARIAS GRAPIÚNAS

É uma pena que as livrarias da nossa região cacaueira não sejam bem frequentadas, desdenhando do que dizia Monteiro Lobato, sobre a importância do livro para uma nação, para um povo. O mais provável é que essa falta de circulação e vendagem seja fruto de dois fatores: a nossa própria falta de cultura (digo cultura no sentido de costume, cultivo) em se adquirir bens artísticos ou o dinheiro sumiu dos bolsos da população. Será isso mesmo?
A maior livraria de Itabuna, situada no Shopping Jequitibá, vivia entregue às moscas, sem um pé de gente. Resultado: fechou as portas! (Agora ela retornou, mas não tarda...) Enquanto que a praça de alimentação do mesmo local e bares da cidade estavam sempre repletos. Isso para não falar da Livraria Oásis, do gentil e culto Aécio, fechada também por falta de público. As outras livrarias do município além dos livros têm que se virar com papelarias, materiais pedagógicos e outras quinquilharias para poderem sobreviver. Nem sequer um sebo – local onde se vende, troca e compra livros usados – há na cidade!
O mais interessante é que Itabuna abriga quatro ou cinco faculdades particulares e tem uma universidade pública ao lado, a UESC. Onde estão os professores dessas instituições, embora algumas sejam de ensino a distância? Será que não lêem? E os alunos? Estão seguindo os passos desses catedráticos não-leitores, tiradores de fotocópias? Sem contar as mais de 200 escolas do Ensino Básico da outrora Vila de Tabocas, públicas e particulares, com administrações, regentes e discentes. Esse povo todo não compra livro? Não lê?
O único segmento desse quesito que tem crescido no Brasil é o do Livro Didático e Paradidático das grandes editoras da área. Até mesmo as escolas públicas estão adotando-os, muitas vezes descaracterizando o trabalho educativo e descontextualizando o conteúdo por conta de seguir modismos e tendências.
Uma boa opção em Itabuna, por exemplo, com preços bastante razoáveis, é a mini-livraria do Hipermercado Bompreço, cheia de lançamentos literários, diversificada, e podendo ser manuseada sem problemas pelos poucos clientes que a visitam. Em Ilhéus, bem mais interessante do que a sua cidade vizinha, as livrarias existentes são sempre uma boa escolha, com um rico acervo e um bom atendimento. Também na Terra da Gabriela nós temos bons sebos, localizados no centro da cidade.
Não há explicações plausíveis para a falta de leitores e compradores de livros, por mais que tentemos uma justificativa, como os preços dos mesmos e blá-blá-blá. Talvez o advento da internet faça com que as pessoas comprem comodamente pelos sites específicos as obras que querem adquirir, ou leiam esses escritos pela sua versão e-book, retirando o acesso às nossas livrarias, que muito mais humanamente nos recepcionam!
No entanto, quando nos faltarem espaços literários em nossas cercanias que comercializem livros, iremos sentir profundamente a falta, resmungar aos quatro ventos, indagar que vivemos num submundo à parte do resto do país e outras asneiras mais... É esperar para crer!
Gustavo Atallah Haun - Professor.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

DICAS PARA O ENEM E VESTIBULAR!

Atenção com as dicas!
            Eis que os dias fatídicos se aproximam. Depois de estudar o ano inteiro, você, aluno, está prestes a ser avaliado para adentrar o ensino superior de alguma universidade. Mas nada de se sentir pressionado ou com frio na espinha. Este é o momento para quem se preparou, quem se dedicou e até mesmo, por que não dizer, para os sortudos!
Aqui vão algumas dicas interessantes que poderão ajudá-lo nesta hora tão desgastante, física e mentalmente:
·                    Relaxe antes de começar a prova. Se você é do tipo inquieto, tente fazer uma oração, ou uma meditação rápida, enfim, tente entrar em alfa (estado de consciência mais calmo), porque quando o nosso corpo está nessa vibração, a mente trabalha melhor, lembra-se de detalhes, etc.;
·                    Não leve chocolates ou bebidas gaseificadas para ingerir durante as quatro horas diárias de avaliação. O sistema digestivo é o primeiro a sentir os efeitos da pressão mental, do estresse, do cansaço emocional, do nervosismo, entre outros fatores. Você não vai querer ter uma dor de barriga ou uma diarréia no meio dos testes, vai?;
·                    Se você é do tipo que tem sudorese, tremor, dá aquele “branco” antes da prova, desespera quando vê os concorrentes, faça o seguinte: vista uma roupa leve, confortável, e um calçado fácil de tirar. Quando bater o nervosismo, tire os sapatos, ou sandálias, e pise no chão(não esqueça da prece, para acalmar). A energia que emana da terra é revigorante, equilibra a nossa aura, restabelece os fluidos espirituais;
·                    Comece sempre pelas disciplinas que tiver maior intimidade. Dessa forma, você irá aumentar a sua autoconfiança e poderá partir com mais certeza e motivação para as difíceis ou que tenha menor afinidade;
·                    Nunca deixe a redação por último. Leia o tema assim que receber os cadernos para ficar refletindo sobre o mesmo, enquanto começa a responder as outras questões que achar fáceis. Elabore o rascunho em seguida, provavelmente cairá uma dissertação-argumentativa (introdução, desenvolvimento e conclusão), e termine as demais provas. Passe, no final, o texto para a folha definitiva, não sem antes corrigir os seus prováveis erros;
·                    Com as atuais regras para os vestibulares, o chute em uma letra só está descartado. Não cometa esse erro, sua prova será anulada se tiver somente respostas “C”, por exemplo. Lembre-se: a sua redação só será corrigida se você acertar o mínimo de 30% nas provas objetivas. Nada de chutômetro!;
·                    Não estude de véspera. O estudo deve ser diário, contínuo, feito desde sempre. Não se estuda para provas, estuda-se para a vida, para conhecer, para saber, para sonhar. Além de acentuar o seu nervosismo, estudar um dia antes da prova não irá solucionar todas as dúvidas que porventura ocorrerão;
Devemos ter em mente que a universidade é um local que se pretende abrigar gente questionadora, pessoas críticas, que possam debater, discutir, avaliar situações do cotidiano da região, do país e do globo. No ensino superior você corre atrás da sua educação, da sua (in)formação, do seu melhor. Nada de esperar tudo mastigado em fórmulas prontas, como no ensino básico.
Portanto, se você é um leitor compulsivo, um pesquisador nato, um curioso para descobrir as coisas do mundo, um inovador que tem muitas ideias, as faculdades sempre estarão de portas abertas para recebê-lo. Se você é assim, faça suas provas tranquilamente que o resultado será positivo e recompensador. Agora, se você não é empreendedor, é do tipo acomodado, preguiçoso e sem iniciativa, vai ter que esperar um pouco mais. Gustavo Atallah Haun - Professor.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O FUTURO DA ESCOLA


O ano é aproximadamente 2030. Os alunos chegam para a sala de aula da Escola Cibernética, um termo em desuso da época, mas que a Escola teima em usar. Alguns vão descendo de seus veículos movidos a água ou eletricidade, que sequer tocam o chão. Outros preferem um jeito mais independente, indo para os estudos com o seu motor de propulsão feito uma mochila nas costas, aterrissando no que sobrou da antiga quadra poliesportiva. 
Os estudantes seguem para as salas, que em nada se parecem com as de antigamente: são coloridas, em forma de anfiteatros, com computador pessoal em cada assento, quadro interativo em 3D e, principalmente, não tem professor, apenas um robô-monitor por turma para ajudá-los caso alguma coisa falhe, quebre, ou os discentes não entendam, o que são coisas raras de acontecerem.
Nessa Escola não se usa lápis, cadernos e livros, apetrechos quase pré-históricos, anti-higiênicos e ecologicamente inadequados. As lições e os exercícios são virtuais e o aluno, ao final de cada dia letivo, envia tudo o que estudou diretamente para o seu endereço eletrônico, caso queira revisar em casa, assim como a avaliação que fará a cada final de aula.
Não há pobre frequentando a Escola no meio do século XXI. Somente a classe alta participa do ambiente escolar, visto que são os únicos capazes de pagá-la. Não há escola pública, o Estado desistiu de mantê-la, visto os problemas com as inúmeras greves, insatisfações, más administrações e turbulenta crise dos anos 10. Resolveu, então, que a classe baixa unicamente trabalhava e não necessitava, nem necessitaria, de estudo. Não há mais classe média no mundo: ou se é rico, ou se é pobre.
A aula principia, todos estão bem acomodados nas suas cadeiras multiuso, que podem virar divã, monitor de cristal líquido à frente, quando um docente andrógino virtual aparece na tela e anuncia: “Sejam bem-vindos! Desejo a todos um bom dia de aula!”, e assim da início à lição de acordo com o programa anual digitado em sua super memória RAM. Os alunos assistem a tudo com vídeos, hologramas, dinâmicas virtuais, mapas tridimensionais reais, obtidos através de imagens de satélites, e o professor na tela sempre falante, gentil na explanação, sem se cansar, sem faltar aula, feito uma máquina compreensiva do saber.
Ao final das palestras cibernéticas, o discente recebe o dever de casa para a devida avaliação: aplicar as teorias bebidas naquela doce manhã outonal. Assim são dadas as notas, com a efetiva introdução do saber adquirido ou rememorado no contexto de vida do estudante. Sem papéis, sem boletins, sem reprovação. A vida teórica é totalmente virtual, mas a existência física é onde se pratica o que se aprende. E por isso todos são conscientes da necessidade de aplicação empírica do que receberam, pois são discípulos críticos e privilegiados de uma nova era.
Gustavo Atallah Haun - Professor.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

QUE AULA SHOW!

Quem milita na Educação tem ouvido falar muito das “aulas shows”. Eu ficava me questionando muito se este era o melhor modo de lecionar, se não era muita papagaiada, até adentrar numa sala de aula. Com o tempo, percebi que a formação do profissional em Educação só acontece realmente na prática, não adianta nenhuma forma, ou preparação, para anteceder esse ato.
Educar é muito diferente de ensinar. Apesar de ambas serem de etimologia latina, o significado é oposto. Ensinar vem do latim in + signo, que quer dizer “pôr um sinal em”, implica um movimento de fora para dentro. Educar vem do latim ex + ducare, que significa “tirar de”, implica um movimento de dentro para fora.
Com isso, quero dizer que educar é o termo correto quando nos referimos à Educação e, para que ela verdadeiramente se faça, vale tudo hoje em dia, inclusive as aulas shows e pintar o nariz de vermelho!


Conversando com alguns amigos (todos educadores) na Universidade, falávamos sobre a postura do professor em sala de aula e as atitudes dos alunos:
“Para ser professor, hoje, a última coisa que ele tem que fazer é licenciatura! Para ser professor, atualmente, o cara tem que fazer teatro... As aulas têm que ser mais teatrais do que qualquer outra coisa!” (Entendendo teatro aqui como representação da vida através do entretenimento, do lúdico, do brincar fazendo, sem nenhum demérito para essa grande arte!).
Todos concordavam entre sorrisos e trocas de experiências valorosas. Diziam-me para publicar um livro sobre o assunto, pois, numa certa hora, monopolizei a conversa com as minhas alegrias, minhas frustrações e, principalmente, com os meus sonhos em relação à Educação.
Frente a tantas mudanças comportamentais, tecnológicas e culturais, há professores que querem dar aulas como há trinta anos. Isso não é mais viável, é óbvio. As expectativas são outras, em ambas as partes.
É bem verdade que o nível da escola brasileira vem (de)caindo a olhos vistos. Quando ouço meus pais e avós contando que a Escola Pública era para aqueles que queriam estudar, que aprendiam a cantar até o hino francês, estudava latim e grego, que existiam debates literários sobre autores da Literatura Universal... Vejo que hoje estamos muito aquém da época das palmatórias! Época triste em que se valorizava apenas o conteúdo! Tudo bem, eram tradicionalistas e conservadores, mas que saíam pessoas mais preparadas e respeitavam mais os profissionais do ambiente escolar, isso ninguém duvida!
Pulando para os dias atuais, fazer o aluno ter bom comportamento na sala só na base do “terrorismo”. Muitas vezes não querem nada, não têm interesse nem leituras prévias, não respeitam ninguém. Queixam-se a quase totalidade dos professores. Então, há algo errado aí. Temos, nós, professores, que modernizar. E isso pode se chamar aula show ou aula interessante ou aula interativa. Seja lá como for!
Qual o problema de fazer música com as fórmulas químicas, físicas e matemáticas? Contar piadas sobre o assunto dado para distrair por alguns minutos? Saber o conteúdo, dominar o assunto, e passar aos alunos de uma forma que nunca foi feita? Tirar os discentes da sala de aula com projetos e propostas práticas? Incorporar (com roupas e trejeitos da época) os personagens literários, os inventores, os cientistas, etc.? E, acima de tudo, qual o problema de ser amigo do aluno, tratando-o com afeto, carinho e respeito?
Como dizia Fernando Pessoa no seu verso mais conhecido: Tudo vale a pena, se a alma não for pequena! E isso, em se tratando de Educação, vale ouro, pois o verdadeiro educador não é o que acumula conteúdos nos alunos (de formas até coercitivas!), arquivando coisas que eles nunca usarão na vida. Mas é aquele que faz despertar a fome de conhecimentos, o desejo da busca, sem se preocuparem com vestibulares ou testinhos.
EDUCADOR é aquele que prepara para a VIDA. Esta é a verdadeira aula show!
Gustavo Atallah Haun - Professor.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

PESSOAS & PESSOAS


Ao terceiro ano do Ensino Médio da AFI

Não existe SER HUMANO incapaz, o que existe é pouco objetivo e escassa força de vontade. Nada pode ser obstáculo intransponível, ao ponto de bloquear totalmente a vida e delimitar os sonhos. Com a medida certa de motivação, tudo será devidamente alcançado!
Sabem aquele clichê do “querer é poder”? É verdade. Sem querer, nada se faz ou se constrói. Mas o querer em si não basta. É necessário lutar, suar, sangrar, para fazer valer, muitas vezes, o querer!
E o que se está querendo? A primeira questão que se tem que botar na mente é se o que se quer é bom. É benéfico a todos? É algo salutar para as existências dos seres? Valerá a pena?
É sumamente importante saber o que se quer e esse querer tem que vir acompanhado de ética saudável, bons princípios e moral idônea, para que a consciência flua em estado de harmonia, para que todos os dias ao dormir, possa-se ter um sono tranquilo e reparador, enfim, para se viver em paz!
Nada é totalmente ruim, nada é sumamente negativo. Todas as experiências têm o seu lado bom, regulador, necessárias ao aprendizado. O que seriam das empresas de band-eid se não houvesse quedas, tropeços e ralações?
Sucumbir é uma oportunidade de acertar com mais clareza e eficiência lá na frente.
Iludir-se com o fácil, com o gozo das paixões, com o bastão do mando, com a futilidade da vida do “ter”, é o que acontece de mais comum lá fora. Difícil é vencer toda essa montanha de delícias mundanas e ser um homem de bem!
Mas qual será a melhor marca deixada por cada um aqui? A do que abusou do orgulho, da força e do egoísmo ou a do que foi humilde e benevolente para com o seu próximo? A História está dando as respostas corretas. A verdadeira história da humanidade tem sepultado os déspotas e ressuscitado a todo instante os exemplos honrosos ao longo dos séculos!
Queiramos estar do lado destes últimos! Queiramos ser mais do que se é! Queiramos sair da mesquinhez, da sordidez e da mediocridade que assola o orbe, com gente banal, drogada, inútil e voltada apenas para o próprio umbigo. Queiramos viver no mundo, mas não ser do mundo!
Peguemos um livro bom para ler, mostremos e discutamos com os outros sobre ele, formando cidadãos leitores. E que nossos familiares ou filhos nos vejam lendo, e lendo, e lendo sempre! Sejamos o farol a mitigar a sede dos incautos e ignorantes, levando para estes o que a prosa e a poesia produziram e produzem de melhor.
Ouçamos uma boa música e assistamos a um bom filme, porque isso também é caridade aos nossos sentidos, além de bom gosto mostrado aos demais. Tenhamos conversas mais nobres, sem maledicência ou sexolatria, tão características dos brasileiros psicólogos-politiqueiros de botequim.
Porque lá na frente a pergunta que nos flertará a mente sem sossego não é sobre posses, sobre ouro, sobre conquistas. Será, afinal de contas, quantos sonhos nós ajudamos a construir? Quantas almas nós levantamos à beira do caminho? Quanta insipiência elucidamos? O quanto de amor distribuímos aos que estavam ao nosso derredor? Perdoamos para sermos perdoados nas nossas faltas infindas?
Ou seja, no fundo, no fundo, será quantas amarras nós conseguimos superar, vencendo a nossa falta de querer, nossa desmotivação e as nossas limitações na força de vontade.
Vencer a si mesmo, hoje e sempre, eis o grande desafio!
Gustavo Atallah Haun – Professor. (g_a_haun@hotmail.com)

domingo, 2 de outubro de 2011

O PROFESSOR

Uma imensa castanheira. Dessas seculares e tão maravilhosamente descritas por um escritor de pena sensível ou por um fotógrafo de lentes cautelosas, numa quinta fértil e airosa nas serras bucólicas.
Uma árvore robusta, forte, imperial. Que nasce do grão ínfimo e cria raízes fundas, que são os motores trabalhadores. Raízes essas sempre escondidas, sem alardes, pois estão soterradas e não podem ser vistas. Ao mesmo tempo, essas partes que labutam são a sustentação de todo o resto. O equilíbrio para futuras ventanias e inundações. Profundas, invisíveis e fundamentais são elas que se fixam na terra, criando caminhos e retirando a seiva para a sobrevivência do que está no exterior.
Depois vem a haste, que quando jovem é roliça, fina e tem venturas em se destacar logo para que sua copa alcance um lugar ao sol. O corpo que ao passar dos longos anos de crescimento, vai se alargando, avolumando-se, criando fendas de experiências, os sulcos enigmáticos que perpassam por todo ele. E, de repente, algo majestoso, incrivelmente imortal se avizinha dos que o admiram e o abraçam. O tronco respeitoso, viril.



Por fim, a sua imensa colpada ofertando sombra aos passantes da estrada, errantes do vaivém da vida, enquanto a imensa planta fincada no seu solo lhe serve de abrigo. Também ofertando frutos aos sedentos e esfomeados. Frutos muitas vezes abstratos, compondo a cadência espiritual dos necessitados. Outros, concretos e fartos, aspirando esperanças no porvir. A sublime árvore que se destaca de todo o resto porque é o seu dom, a sua existência e a sua vontade.
Muitas vezes vingada em terrenos inclinados, impróprios e secos. Mas, ainda assim, conservando o seu viço e a sua missão. Noutras, sem regalias, sem a abundância da sua característica primária: viver livre, sem pesares. Por vezes ainda abandonada, sem ter quem saboreie das suas ofertas, largada ao léu, sem nenhuma sorte de encontros fortuitos ou casuais com amantes em espreita.
No coração febril dessa amendoeira, entretanto, por toda a eternidade a imperiosa necessidade de ser única, exemplar e imorredoura. Do contrário, terá vivida em vão, como uma erva daninha ou uma herbácea comum, que cresce sem horizontes, que existe por estar ali e não serviu nem para dar sombras, nem para matar a fome e a sede dos muitos que encontrou na sua trajetória pensada como milagre dos deuses.
Gustavo Atallah Haun – Professor

sábado, 17 de setembro de 2011

A IMPORTÂNCIA DA BAIXA LITERATURA

Muitos colegas professores se exaltam quando a discussão descamba para a qualidade dos livros lidos pela juventude atual. Alguns acham uma merda, baixa literatura, qualidade zero. Ótimo. É bom ter essa visão crítica acerca dos vários livros ruins que são lançados anualmente no Brasil e no mundo.


Paulo Coelho, o maior vendedor de livros do Brasil.

O que alguns doutos docentes não percebem é que tais livros – série Harry Potter, série Crepúsculo, Paulo Coelho, Augusto Cury, etc. – servem como a boa e velha isca para a formação de futuros leitores. Ou alguém acha por aí que uma criatura se inicia nas letras lendo Ulisses, de James Joyce?
Para os que têm livros à mão, gozam das suas companhias, é só recuar um pouco no tempo e no espaço, lembrando-se das primeiras páginas lidas. Começou nas páginas de Os Sertões, de Euclides da Cunha, ou nos gibis de Batman, Superman ou da Turma da Mônica? O primeiro livro lido foi Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa, ou as epopéias da literatura infanto-juvenil cobradas pelas professoras ginasiais em tenra infância?

O bruxinho Harry Potter é responsável por milhares de jovens lerem no mundo.

Quem, em sã consciência, gostou de ler Machado de Assis com treze, quatorze anos de idade, em pleno Ensino Fundamental? Só doido ou gênio.
Não, os livros lidos eram os de Monteiro Lobato, e olhe lá! Livros de Bartolomeu Campos Queirós, Cecília Meirelles, Ruth Rocha, Ana (e Clara) Maria Machado, Pedro Bandeira, Moacyr Scliar, Vinícius de Moraes e tantos outros povoadores do imaginário lúdico infante.
O que convém nesse debate - sobre o que é bom ou não para se ler - é fazer com que os discentes, vivendo em um mundo absurdamente virtual, agreguem o computador com os livros, o televisor com os livros, o estudo com os livros, o namoro com os livros, a música eletrônica com os livros, a novela com os livros, etc. Não é tentar apartá-los, sem nenhum motivo plausível, dos prazeres e facilidades mundanos, mas fazê-los somar a tudo isso que desfrutam hoje aos benditos livros.
E se tiver que começar com os livros do pequenino bruxo inglês (longe de ser o bruxo do Cosme Velho!), que seja! Se tiver que começar torcendo pelo namoro dos vampirinhos Bella e Edward, que seja! Se for para descortinar os mistérios do ladrão de raios, que seja!

Livro inicial da série Crespúsuclo, de Bella e Edward.

E as escolas não podem ignorar esse turbilhão de novidades que englobam a escrita no planeta. Não podem e não devem ficar obsoleta, cultuando apenas o ontem, esquecendo-se da atualidade.


Atualmente, O Ladrão de Raios arrebata a juventude.


O que não convém, no entanto, é estacionar aí nesse nível. Tem que incentivar os alunos a seguir adiante, sendo introduzidos aos poucos à boa literatura, brasileira e universal. Um livro com uma densidade linguística um pouco maior, depois outro com uma trama mais complexa. Sempre partindo da narrativa mais clássica para a modernista e pós-modernista. Depois vêm os poemas, que são leituras mais sofisticadas e necessitam de maior conhecimento do mundo e da arte literária.
Sem saber como se processam os mecanismos do deleite, e vítimas do imediatismo que ronda a educação doméstica e escolar, os adultos tendem a impor aos jovens, aos adolescentes, os livros que eles acham bons, esquecendo-se que um dia também já foram jovens sem nenhuma preocupação na cabeça.
Gustavo Atallah Haun - Professor.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A REDAÇÃO NO ENEM

Apesar da prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias deixar a desejar nos novos e velhos ENEM’s, privilegiando o óbvio, a elaboração da proposta de Redação (dissertativo-argumentativa) faz a diferença todos os anos. Bem amarrada, com uma avaliação interessante e com temas mais do que pertinentes, a produção textual do Exame mostra que está afinada com a atualidade.
Tendo como característica principal ser feita por estudantes de todos os estados da federação, as provas do ENEM têm feito abordagens nacionais, comuns, conhecidas, na generalidade, por qualquer pessoa, descentralizando assim os tópicos frasais que pudessem excluir o conhecimento regional ou estadual da sua consecução.
Por isso, temas abrangentes, às vezes clichês, como Violência, Meio Ambiente, Trabalho Infantil, Mídia, etc., fizeram parte dos assuntos da prova de Redação nos últimos anos. Será que os alunos não poderiam escrever sobre temas tão repetidos, tão debatidos e cheios de opiniões conhecidas? Claro que sim.
Ademais, a nosso ver, a prova tem um padrão de, no mínimo, 15 linhas e, no máximo, 30, o que facilita sobremaneira para o redator afeito aos textos mais longos. Nos vestibulares Brasil afora, o padrão médio são 20 linhas, no mínimo, e varia entre 30 e 34 (caso da FUVEST), no máximo.
Além disso, a prova escrita é corrigida por dois professores levando-se em consideração cinco competências: a) domínio da língua culta; b) compreensão da proposta e aplicação do diversos conhecimentos; c) selecionar, relacionar, organizar e interpretar para defender um ponto de vista; d) ter domínio da coesão e da coerência; e e) elaborar proposta de solução para o problema abordado.
Vê-se, portanto, que a prova não privilegia somente a feitura de um texto correto gramaticalmente, o que já é um grande avanço. A idéia, as partes, a essência, o conjunto como um todo têm de estar em conformidade com a crítica ou a solução proposta, sem ferir os Direitos Humanos, sempre.
De acordo com a prova anulada em outubro, o tema da produção textual seria “a valorização do idoso”, propondo ações sociais e respeitando os direitos e deveres de cada um. É um tema muito pertinente, que suscitaria muita polêmica pelo caráter ariano da sociedade, que tende a rechaçar a terceira idade, esquecer seu patrimônio imaterial, desprezar suas heranças e tradições, os seus sábios e experientes velhinhos. Um assunto, aliás, que não é tão debatido pelos meios de comunicação, apesar de ter sido aprovado (e não posto em prática!) o Estatuto do Idoso há pouco tempo.
No mais, pretendemos fazer uma ampla discussão sobre A Redação do ENEM: Prepare-se!. Por isso convido a todos os estudantes das redes particular e pública para participarem comigo de curso homônimo, que acontecerá no dia 31 de outubro, véspera da prova, no auditório da escola Ação Fraternal de Itabuna, horários vespertino e noturno, com o custo de R$ 15,00. Na oportunidade, falaremos sobre todos esses reclames, além de discutir temas anteriores, destrinchar as competências avaliadas, revisar dissertação-argumentativa e muito mais.
Venha conferir!
Prof. Gustavo Atalah Haun

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

TÉCNICAS DE REDAÇÃO?

A redação talvez seja a disciplina escolar (ou atividade humana) das mais complexas e problemáticas de todas, não à toa os grandes escritores rareiam no mundo. Um dos fatores que se associam a essa idéia é porque ela é totalmente cognitiva, mental. Uma atividade subjetiva, em que o redator lida somente com a folha em branco e o próprio conhecimento, sem ou com poucas interferências externas.
O professor de redação pode, quando competente, lançar ao aluno algumas técnicas (regras) de composição de alguns gêneros textuais: narrativo, descritivo, dissertativo, jornalístico, epistolar, etc. Porém, o docente jamais interferirá no texto propriamente dito, não poderá dizer ao discente o que escrever, o como, o jeito de fazê-lo, do contrário a autoria será do professor e não do aluno.
Para aprender a escrever bem, ao contrário de andar de bicicleta, por exemplo, só com treino, bastante prática e muita leitura. O ato de começar a pedalar é feito apenas uma vez, cai da bicicleta no primeiro momento, suja-se, mas o sujeito morre sabendo, aprende para sempre! Já com a redação, não. O sujeito tem que treinar, escrever, suar, assim como pensar, ler, pesquisar. São atividades que se completam na complexidade da escrita.
Outra ajuda viável que o professor-leitor pode dar ao escrevente iniciante ou intermédio é corrigir os seus possíveis erros, dizer onde pecou, alertar para possíveis interpretações equivocadas do tema, idéias superficiais usadas, deslizes gramaticais, etc. Mais importante do que freqüentar as aulas de redação, muitas vezes, é ter um especialista, um amigo, um colega, que possa ler o texto alheio e mostrar como melhorá-lo. Depois, óbvio, reescrevê-lo até ficar bom.
Até mesmo professores (sem falar dos escritores profissionais e dos jornalistas) necessitam estar a todo instante escrevendo, reescrevendo e lendo: primeiro para ser exemplo, exemplo que pode, que é possível, que não é nada de outro mundo; segundo, porque o exercício é fundamental, só se aprende fazendo e refazendo!
As melhores redações, no entanto, que se tem feito por vestibulandos e concurseiros no Brasil afora são as que extrapolam qualquer regra, qualquer técnica prévia. É uma mescla de texto demiúrgico com um objetivo proposto no enunciado, focado na questão que está abordando. São redações incríveis, com idéias superiores, muito acima da média dos que prestam vestibular ou concurso. Para se chegar a esse estágio, porém, só há uma única regra a seguir: fazer da escrita um sacerdócio! Eis um belo desafio para nós mesmos!
Assim, não estaremos criando meros escreventes ou redatores em ambientes superficiais das escolas, cursos e pré-vestibulares – algumas vezes de forma até coercitiva. Mas, estaremos preparando o sujeito para ser cidadão através da sua escrita; estaremos criando luzes nas consciências; estaremos ampliando visões de mundo e jorrando sabedoria por todos os cantos. É só lapidar o diamante bruto!
Gustavo Atallah Haun - Professor.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A PROLIXIDADE NOS TEXTOS

Já diziam os mais velhos (sábios) que, quando não pudermos ajudar, é melhor ficar calado, ou então, quem conversa demais da bom dia a cavalo, ou ainda, boca fechada passarinho não faz ninho.
À parte os clichês, muitas vezes senso comum destituído de qualquer sentido concreto, esses citados acima deveriam nortear a vida daqueles que lidam com as palavras, profissionais ou não.
É verdade que a herança do ocidente, vinda dos pensadores gregos, é a da prolixidade, do falar demais e exacerbadamente, ao contrário da competência e objetividade do oriente, que consegue sintetizar uma máxima em apenas um ideograma, falar pouco, resumidamente, e conter muito conteúdo.


Talvez por isso professores de História, Geografia e até Literatura sejam altamente prolixos, o que é bom algumas vezes, enfadonho em outras tantas.
Certa feita, comentando sobre prolixidade nos textos, demos exemplo do que seria isso, muitas vezes dando voltas e mais voltas em um assunto, buscando informações ou argumentos desde a antiguidade até os dias atuais.
Os alunos, então, maledicentes, disseram que tinham uma professora de História que era assim, falava demais para explicar uma coisa simples que haviam perguntado. Colocando de lado os temas históricos que hão de ter essa necessidade e também a ignorância dos interlocutores, muitas vezes é preciso essa volta, esse retorno às origens, ao ontem, para explicar o hoje e também prever o amanhã.
Mesmo assim, demos boas risadas, brincamos e falamos de escritores muito prolixos, como Eça de Queirós, Jorge Amado, o americano Norman Mailler, entre outros.
Em reunião docente algum tempo depois, a professora em questão contou, às lágrimas, a “injúria” sofrida por um colega, que a chamou de prolixa. Naquele momento, pensamos que o Aurélio ou o Houaiss haviam transpassado o sentido da palavra para “vitupério”, “obscenidade”, “calúnia”, “ultraje”, “ignomínia”... O que não é o caso. A colega, a nosso ver, foi precipitada em suas conclusões e fez tempestade em copo d’água.
O problema que nós queríamos tratar, realmente, era que em textos escritos o rodeio, a amplitude de informações, o dar a volta de 360º graus, ficaria chato, longo, tedioso, poderia soar até como vaidade do autor, que quer demonstrar tudo o que sabe (e não teria outra chance de fazer isso!).
O excesso de conteúdo, nesse caso, poluiria a redação. Engraçado é que os textos escolhidos como os de “nota dez” em vestibulares e concursos Brasil afora são os que apresentam boas ideias, bom conteúdo e, acima de tudo, têm objetividade. São simples e ao mesmo tempo utilizam uma linguagem culta, correta. Primam por dizer muito com pouco.
Deixemos a prolixidade para as mesas de bares, o estádio de futebol, a conversa informal na fila do banco ou no consultório dentário, quando o tempo é propício e se arrasta, mas não para as redações que, infelizmente, necessitam estar encolhidas em apenas 30 mirradas linhas.
Gustavo Atallah Haun - Professor.