sábado, 6 de outubro de 2012

OUTRO PROVÁVEL TEMA PARA O ENEM 2012


20/09/2012 10h39 - Atualizado em 20/09/2012 11h16

Nos últimos 10 anos, 35 milhões de pessoas entraram na classe média

Dado é de estudo da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência.
Estima-se que o Brasil tenha 104 milhões na classe, 53% da população.

Iara Lemos e Alexandro Martello
Do G1, em Brasília

Na última década, 35 milhões de pessoas passaram a integrar a classe média no Brasil, segundo estudo da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), da Presidência da República divulgado nesta quinta-feira (20). No total, estima-se que o Brasil tenha 104 milhões de pessoas na classe média, o que representa 53% da população brasileira - 20% estão na classe alta e 28%, na baixa. Em 2002, 38% da população estava na classe média.
O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, Moreira Franco, afirmou que a pesquisa é uma forma de o governo e a sociedade conhecerem a classe média do país.
“Temos 35 milhões de pessoas entrando para a classe média. Os senhores que aqui estão sabem do tamanho desta empreitada, desta mobilização, deste esforço de garantia de direitos ao cidadão. A pobreza no país neste período caiu de 27% para menos de 15% em 2012. A extrema pobreza, que é um dos desafios do governo, passou de 10% da população para menos de 5% da população. Em torno de 18 milhões de empregos foram criados neste período”, afirmou.
Moreira Franco afirmou que um dos objetivos do governo é combater a desigualdade. “Nós entendemos que a diferença não é ruim. As pessoas são doferentes, as pessoas querem praticar a diferença. O que temos de combater é a desigualdade”.
De acordo com o estudo “Vozes da Classe Média”, a classe, com renda familiar per capta que varia entre R$ 291 e R$ 1.019, acessa mais os serviços particulares, como escolas e planos de saúde. Na classe baixa, 5% possuem convênios médicos, na classe média esse percentual chega a 24%.
Os dados também mostram que a renda de 40% da classe média vem do trabalho, sendo que 50% trabalham mais de 40 horas semanais.
Quando o assunto é economizar, a classe média poupa mais que a classe baixa (32% contra 24%) e menos que a classe alta, que poupa, em média, 51%.
Com relação aos estudos, a SAE aponta que 14% dos jovens da classe media estão em escolas particulares. Já nas universidades, eles representam apenas 7% dos alunos.

Renda X classe
Segundo os critérios da secretaria, quem vive com mais de R$ 1.019 por mês pertence à classe alta. A comissão responsável pelos parâmetros reconhece que o valor é baixo, mas segundo eles, a renda familiar por pessoa, de mais da metade da população, é inferior a R$ 440 por mês. Para ser incluído no grupo dos 5% mais ricos, a pessoa precisa ganhar na faixa de R$ 2.365 mensais. Para compor a classe do 1% mais rico, a renda mínima é de R$11.000 por ao mês.
O estudo usou dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD), da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), ambas produzidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além dessas, o projeto usa pesquisas realizadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Instituto Data Popular.

'Transformação profunda'
Para Moreira Franco, a sociedade brasileira está vivendo uma "transformação profunda" com a ascensão de milhões de pessoas à classe média. Esta transformação, segundo ele, está alterando a vida das pessoas não somente no plano econômico, mas também em termos de valores e atitudes.
"É uma mudança que nós temos que começar a nos acostumar. Determinadas ações do governo já estão sendo obrigadas a olhar este segmento de uma outra maneira. Ele deixa de ser objeto de política social apra ser objeto de política econômica. Não é mais assistência social que vai garantir a capacidade dessa parcela da população de crescer, de se desenvolver. Temos de ter política econômica que não veja só o BNDES. Temos que ter políticas que vejam a educação financeira, o crédito, a infraestrutura, que cuide da educação, da qualificação e do emprego. São valores que estamos sendo obrigados a incorporar no nosso universo de ação pública", declarou ele.

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FOLHA ONLINE

08/08/2008

É a classe média, estúpido!

Como diria alguém, nunca antes na história deste país a classe média virou mais da metade da população. De acordo com estudo do economista Marcelo Neri, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o número de famílias de classe média subiu de 42,26% para 51,89% entre 2004 e 2008.
A FGV considera uma família de classe média (classe C) quando ela tem renda mensal entre R$ 1.064 e R$ 4.591. O estudo também confirmou outros dados recentes que mostram redução da pobreza.
São notícias boas para o país que acabam sendo boas para o governo de plantão. Elas ajudam a explicar a popularidade de Lula.
O Brasil vem melhorando desde a redemocratização em 1985. Avançou vagarosamente em alguns momentos, como nos governos Sarney e Collor e no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Avançou mais rapidamente em outras fases, como nas gestões de Itamar e no primeiro mandato de FHC.
No governo Lula, progressos para os mais pobres têm acontecido com relativa velocidade. O petista é beneficiado por esse processo geral de melhora, por políticas que nasceram nos anos tucanos e por acertos próprios.
Lula conduziu a economia com responsabilidade e acelerou o ritmo de redução da pobreza. Ele tem feito um ajuste fiscal mais duro do que o de FHC, apesar de os tucanos baterem na tecla de aumento de gastos – algo que realmente aconteceu no segundo mandato do petista. Lula massificou programas sociais tipo amostra-grátis. O Bolsa-Família apanhou e apanha muito, mas tem muito mais acertos do que erros.
Setores da oposição na política e na mídia oscilam do esperneio ao desânimo. Ora, enxergam uma iminente tentação totalitária de Lula – o fantasma do terceiro mandato, a conexão Farc. Ora, sonham com a explosão de novo escândalo de corrupção para afundar o petista na impopularidade.
Essa gente está apostando errado. Talvez fosse conveniente aos planos futuros do PSDB e do DEM chamar James Carville para uma conversa. Marqueteiro de Bill Clinton em 1992, Carville cunhou a expressão "é a economia, estúpido!". Ele se referia à recessão americana que levaria George Bush pai à derrota na eleição presidencial daquele ano.
No Brasil sob Lula, a economia vai bem no geral. No entanto, os mais pobres vivem melhor do que viviam antes da chegada do petista ao Palácio do Planalto. Algum mérito Luiz Inácio deve ter tido. A classe média virou maioria da população economicamente ativa.
Faria um bem danado à oposição se concentrar em propostas para melhorar a vida de todos os brasileiros, de miseráveis a pobres, de remediados a ricos. Carville aconselharia: "É a classe média, estúpido".
http://f.i.uol.com.br/folha/colunas/images/0726966.jpg
Kennedy Alencar, 40, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos.Também é comentarista do telejornal "RedeTVNews", no ar de segunda a sábado às 21h10.



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Brasil - Médios em renda, medíocres em tudo

24.08.07 – BRASIL, por Welton Oda*

“Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média,
compro roupa e gasolina no cartão
Odeio "coletivos" e vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos,
Estou sempre no limite do meu cheque especial...”
Max Gonzaga


 Eu e os familiares (pensei dizer, para simplificar o entendimento, "meus familiares", mas alguns pularam logo e disseram que não são meus) ganhamos juntos mais de R$ 1.000,00 mensais. Somos, portanto, uma família de classe média, certo? Talvez para o IBGE, mas, como vocês verão a seguir, somos muito distintos deste retrato fidelíssimo descrito pelo Max Gonzaga. Nossa família não é consangüínea, a mídia comercial para nós, é nociva e mais deforma do que informa e, apesar de termos um carro, também andamos de ônibus e de bicicleta. Ah! Muito importante: não temos cheque especial.
E não é só isso: não freqüentamos shopping centers, butiques, cabeleireiros, manicures, não pagamos condomínio, não compramos presentes no dia dos pais, dos namorados, das mães, natal, dia das crianças ou qualquer outra data capitalística. Nossos filhos não assistem aos produtos estupidificantes da indústria cultural, que as emissoras de TV disponibilizam (nem as da TV aberta, nem os dos canais privados) e, por conta disso, para nossas crianças, o mundo não está sendo dividido entre o rosa das meninas e o azul dos meninos. Não compramos videogames, Barbies, super-heróis japoneses ou americanos, nem mochilinhas ou caderninhos dos programas de televisão.
Assim, nós não temos PROBLEMAS. Aliás, este é um vocábulo tão difícil de pronunciar, com seus tantos encontros consonantais, que os "médios" (como serão chamados a partir de agora), utilizando-se de seu conhecido preconceito lingüístico, pensam que a incapacidade de pronunciá-la corretamente é um "defeito intelectual" de pessoas das classes "populares" (eufemismo que utilizam para referirem-se aos pobres), que, na míope percepção dos médios, só seriam capazes de dizer ‘pobrema’. Mal sabem os desinformados médios que, por trás de uma suposta dificuldade de pronunciar adequadamente tal palavra, há, em verdade, uma abissal diferença etimológica.
Os que falam problema estão se referindo a situações que, por puro esbanjamento (o espírito de "só quer ser gatinha, mas só come ovo"), não souberam administrar, como o limite do cheque especial, o pagamento das aulas de balé da filha, a prestação do carro novo, a reforma da casa, o condomínio, o corte de cabelo que não ficou bom ou a nova amante do marido. Já ‘pobrema’ seria a junção de pobre com problema (que o Aurélio me perdoe a heresia), ou seja, definiria problemas mais reais de um cotidiano menos "Ilha da Fantasia", como o ônibus que atrasa, o dinheiro que insiste em acabar antes do final do mês, a falta de água nas torneiras, o aumento no preço do pão ou a falta de professores nas escolas públicas.
Não somos classe média, moramos no bairro manauara do Coroado, o Corô-Corô, não vivemos em condomínio fechado. Assim, não corremos o risco de nos tornarmos o sujeito descrito pelo Max Gonzaga, que não "tá nem aí, se o traficante é quem manda na favela, não tá nem aqui, se morre gente ou tem enchente em Itaquera, que quer é que se exploda a periferia toda, mas fica indignado com o Estado, quando é incomodado pelo pedinte esfomeado, que lhe estende a mão, o pára-brisa ensaboado, é camelô, biju com bala, e as peripécias do artista, malabarista do farol". Confesso, inclusive, que adoro ver um médio com "raivinha" do garoto insistente que tanto o "importuna", querendo limpar seu pára-brisa.
Conheço bem a classe média e, devo dizer, embora envergonhadamente, que já fui um deles, convicto. Além disso, trabalho numa universidade pública e conheço a empáfia destes sujeitos que acreditam que são melhores do que os outros porque ingressaram nela, disputando em "regime de igualdade" com muitos outros. É claro que as provas de seleção são feitas conforme as regras dos médios, utilizando a linguagem dos médios, a literatura que seus professores obrigaram-lhes a ler nas escolas particulares, além da garantia de que serão avaliados pelos próprios médios. Tais processos, até os dias de hoje, são alvos de crítica de todo educador lúcido, por avaliar mais a capacidade de memorização do que as habilidades intelectivas. Portanto, selecionam "computadores com memória abarrotada" e, portanto, menos capazes de fazer o processador rodar. No entanto, estes nerds consideram-se (com o apoio da família), verdadeiros geniozinhos. Sabem tudo sobre dinossauros e sobre a Grécia Antiga. Só não sabem para que serve saber isso.
Não sou classe média, portanto, diferente da maioria dos professores e dos estudantes universitários, não leio best-sellers ou livros de auto-ajuda. Por isso, compro livros a bons preços, muitos deles usados, vendidos em sebos. Não priorizo os "novos", pois sei que grande parte das "grandes novidades" da ciência e da literatura, os "best-sellers" literários e uspianos, são bons mesmo em fazer a pessoa ficar estúpida, enquanto muitas obras antigas, como as de Sócrates, Victor Hugo, Milan Kundera, Dostoyevsky, Marx, Foucault, Deleuze, Nietzsche, Sartre, possuem a propriedade de serem úteis e atuais em qualquer tempo. Os médios são todos iguais e, nos Jardins, em São Paulo (conforme atestado pelo articulista Daniel Piza), ou no Vieiralves, em Manaus, lêem tão pouco que, apesar de toda a sua volúpia, dentre suas necessidades de consumo, suas butiques, restaurantes, pet shops e locadoras de DVDs, não existe espaço para livros. Não existem livrarias.
Outra diferença fundamental é que pobres sabem a real utilidade das coisas. Assim, para eles, casas são feitas para morar e carros servem para andar (e não para se exibir), embora muitos, tomados pelo espírito dos médios, sonhem com um bólido possante com televisão, frigobar e computador. Os médios, por sua vez, na ânsia de tornarem-se ricos, entram no lance da acumulação do capital, comprando imóveis para "alugar" ou, em outras palavras, para "desalojar outros", pois muitas vezes, mesmo tendo casa própria, entram em financiamentos populares, tomando a casa e a vez de alguém que realmente necessita.
Mas os médios não se importam se estão condenando alguém a ficar desabrigado, afinal, a propriedade privada é "sagrada" e foi conquistada "com o seu próprio suor". Assim, ao mesmo tempo que desalojam famílias, são contrários às ocupações populares (a que chamam de "invasões") e como diz o teatralizante Marcos José, "se o pobre vive em um constante estado de inanição, ele nunca vai atingir a plenitude da satisfação que, de certa maneira, implicaria numa posterior relação afetiva com o próximo".
Talvez agora, graças ao modismo bulímico das top models, os médios possam descobrir o que é a privação, mesmo que através da caquexia de suas filhas amarguradas com o regime de prisão domiciliar em que vivem. Quem sabe a greve de fome coletiva, protagonizada por adolescentes e jovens médias, não seja uma recusa ao padrão de vida de esbanjamento do corpo e da alma,  a este espírito de obesidade física e intelectual. Se esta suposta greve funcionar, talvez possa sobrar um pouco de alimento para quem precisa e aí, como diria o cantor e profeta Tom Zé "comece a nascer pra todo lado, Jesus Cristo e muito Fidel Castro".
Ter espírito da classe média diz muito mais do que critérios de renda; são escolhas éticas e políticas. Assim, da mesma forma que os médios são caricaturas dos ricos, há pobres que se espelham na classe média e assumem todos os seus falsos desejos, este fetichismo pelos objetos de consumo, chegando até a trocar uma alimentação mais saudável ao longo do mês por um microsistem ou por um tênis importado.
Quer saber se você tem espírito de classe média? Basta responder afirmativamente as seguintes perguntas; você já comprou (ou pretende comprar) o presente para o Dia dos Pais? Comprou no shopping, é claro? Você já leu a Veja da semana? E a Caras? Já assistiu ao Jornal Hoje? E a boneca da sua filha? É uma Barbie? Já pagou a prestação do carro novo? Já leu o último livro do Paulo Coelho, do Augusto Cury, do Içami Tiba? Já foi ao show do Fábio Júnior? Tem cartão da C&A? E como anda o limite do cheque especial?
* Colaborador da Rádio Comunitária "A Voz das Comunidades", membro do Núcleo Comunitário Sophia e professor da Universidade Federal do Amazonas.

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Classe Média

Letra e música de Max Gonzaga

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio "coletivos"
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mas eu "to nem ai"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "to nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no "jardins"
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não "to nem ai"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "to nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida.

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