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quarta-feira, 2 de março de 2016

SAIBA FAZER O DESENVOLVIMENTO DO TEXTO

Desenvolvimento insuficiente prejudica redação

Thaís Nicoleti Camargo - Especial para a Folha de S. Paulo
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Atualizado em 10/08 às 11h55.
Folha de S.Paulo
O estudante faz uma leitura superficial dos fatos. Talvez seja esse o principal problema do texto. No parágrafo introdutório, no qual caberia a tese a ser defendida, está apenas a constatação de que a população brasileira está muito confusa diante das atitudes eticamente condenáveis perpetradas pelos governantes.

O desenvolvimento dessa ideia revela certo simplismo. É verdade que, mais uma vez, o dinheiro do povo está sendo desviado de seus objetivos e que os problemas crônicos do país- saúde, educação, desemprego e violência- continuam negligenciados. Ocorre, entretanto, que talvez não seja esse o foco da questão.

Estamos diante de uma situação complexa. O grupo que ora se encontra no poder simbolizava a esperança de renovação e, sobretudo, de compromisso com os anseios do povo. A frustração imensa que acomete as pessoas vem do sentimento de traição da confiança. Além disso, não se trata agora simplesmente de indivíduos que se aproveitam do poder para assaltar o erário e encher os próprios bolsos. Estamos diante da revelação de práticas absolutamente desrespeitosas à ética, como a compra de votos, que vem sendo chamada de "mensalão".
Se, por um lado, o conhecimento dos fatos nos faz desacreditar ainda mais da classe política, por outro- e isso talvez nos sirva de alento-, é ele que nos pode conduzir à construção de novos caminhos. Essa é a discussão contida na proposta de redação.
É importante que o redator assuma uma posição, seja qual for, e a defenda. O debate de ideias, bem como a proposição de hipóteses e ponderações, enriquece o texto dissertativo. A mera constatação dos fatos é insuficiente.
Ao dissertar, é preciso emitir opiniões e validá-las por meio de argumentos. É a capacidade de organizar um raciocínio que é valorizada na redação.
Convém deixar claro que uma opinião é um pensamento construído. Só temos opinião sobre aquilo que é objeto de nossa reflexão. É preciso que nós nos convençamos das ideias que pretendemos expor aos outros, O texto aqui comentado não se desenvolve porque o autor não se propõe posicionamentos nem reflexão. É preciso buscar os pontos problemáticos do tema, aqueles capazes de suscitar a polêmica. Ao problematizar o tema, as ideias surgem. Depois, o trabalho é selecioná-las e hierarquizá-las.
A linguagem, por sua vez, deve abandonar o tom informal e, com o máximo de precisão e correção gramatical, contribuir para a articulação das ideias.
Thaís Nicoleti Camargo - Especial para a Folha de S. Paulo

domingo, 10 de março de 2013

A CARTA ABERTA



A Carta Aberta

É um gênero diretamente ligado com o direito que cada cidadão tem de se manifestar diante dos problemas que o afligem.

CARACTERÍSTICAS:

o  Remetente: grupos de pessoas, entidades.
o  Destinatário: população, grupos políticos, representantes.
o  Objetivo: alertar, persuadir, protestar.
o  Tema: problema que motivou a escrita da carta.
o  Meio: rádio, tv, internet, reuniões, distribuição de folhetos.

PARTE ESTRUTURAL:

o  Estrutura: relativamente livre, porém organizada em introdução (que situa o problema); desenvolvimento (análise do problema e apresentação dos argumentos que fundamentam o ponto de vista dos autores); conclusão (em que geralmente se solicita uma mudança, atitude ou resolução do problema).
o  Pessoa e tempo verbal: na 1ª do plural (nós) e predominantemente no presente.
o  Intenção: ampliar o alcance das informações e ganhar o apoio da população envolvida na questão. 


EXEMPLO: Carta aberta para Renato Aragão, o nosso Didi.


Quinta, 23 de julho de 2008.

Querido Didi,

Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu Nome para colar nas correspondências).
Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas a mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.
Não foi por 'algum' motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última Carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.
Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno e nem priorizo as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a frequentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da minha família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não Mata ninguém. Muito pelo contrário, faz bem! Estudei na escola da zona rural, fiz Supletivo, estudei à distância e muito antes de ser Jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.
Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos Impostos embutidos em cada alimento, em cada produto ou serviço que preciso comprar para o sustento e sobrevivência da minha família.
Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais.
O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não têm a educação como prioridade. Pois a educação tira a subserviência e esse fato, por si só não interessa aos políticos no poder. Por isso, o dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal. Para você ter uma ideia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda? Você pode ajudar a mudar isso! Não acha?
Você diz em sua Carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua Carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. Ele é 'o cara'. Ele tem a chave do Cofre e a vontade Política para aplicar os recursos. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas do país, sem nenhum tipo de distinção ou discriminação. Mas, infelizmente, não é o que acontece...
No último parágrafo da sua Carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da 'minha' doação, que a 'minha' doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.
Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho. Isso significa que o governo leva mais de um terço de tudo que eu recebo e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.
Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.
Outra coisa Didi, mande uma Carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os ministros e professores das escolas públicas. Só escolher quem, de fato, tem vocação para ser ministro e para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação.
Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas possa desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.
Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando...

Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari.

P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal-educada: vou rasgá-la antes de abrir.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

TEXTOS INCOERENTES?


Leia os textos abaixo e marque se é coerente ou não:

O assédio em si trás no meio um poder aquisitivo escondendo ao trabalho, assim podendo fazer e refazer, adicionando o sentido, junto a essa conduta de mulher ideal. Não querendo ser prejudicial ao método agressivo, mas ao jeito decisivo a maneira pela força que o traz da forma de agir. A teimosia circunstancial vem devido ao exotismo da participação com credibiloso contraste à elevacidade do adultério da simples cena de uma turbulência a um ser precioso”.
(Trecho de dissertação de um aluno do ensino médio/MEC – Provão)
 SIM(    )    NÃO (   )

A safira pertenceu originalmente a um sultão que morreu em circunstâncias misteriosas, quando uma mão saiu de seu prato de sopa e o estrangulou. O proprietário seguinte foi um lorde inglês, o qual foi encontrado certo dia florindo maravilhosamente numa jardineira. Nada se soube da jóia durante algum tempo. Então, anos depois, ela reapareceu na posse de um milionário texano que se incendiou enquanto escovava os dentes.”
(Anônimo)
 SIM(    )    NÃO (   )

Os urubus eram tantos que formavam nuvens negras e nem assim davam conta de devorar os milhares de cadáveres. Muitos secavam ao sol, impregnando o sertão de um cheiro indescritivelmente podre. Cachorros, cujos donos também jaziam mortos por ali, acostumaram-se a comer carne humana e apavoravam os poucos desavisados que ousassem visitar a região. Do arraial, restavam escombros, onde antes havia duas igrejas, e montes de cinza, no lugar das casas de barro.”
(BURGIERMAN, Denis Russo. In.: Superinteressante, ano 14, n.2, fev., 2000, p. 37)
 SIM(    )    NÃO (   )

A ciência já demonstrou que o consumo exagerado de bebidas alcoólicas é extremamente prejudicial à saúde. Adolescentes, aos dezesseis anos, ainda não têm maturidade suficiente para avaliar os malefícios que o consumo imoderado dessas bebidas lhes poderá causar. Além disso, nessa idade, gostam de novidades e, como muitas vezes são tímidos, utilizam-se de bebidas alcoólicas para ficar extrovertido sem pensar nas conseqüências nefastas desse tipo de atitude. Por esses motivos, a lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas para menores de dezoito anos deveria ser revogada”.
(Anônimo)
SIM(    )    NÃO (   )

sábado, 22 de dezembro de 2012

IMPESSOALIZAÇÃO DO DISCURSO




1. Uma das formas de impessoalizar a linguagem é indeterminar o sujeito. Para isso, existem duas possibilidades:
- suprime-se o sujeito e coloca-se o verbo na 3ª pessoa do plural;
- emprega-se verbo intransitivo ou transitivo indireto ou de ligação + pronome se.

Observe:
O presidente da associação já redigiu o requerimento. / Já redigiram o requerimento.

Precisamos de pessoas idealistas. / Precisa-se de pessoas idealistas.

2. Outra forma de impessoalização é passar orações na voz ativa para a voz passiva, suprimindo o agente da passiva. Há dois meios de transformar a voz ativa em voz passiva:
- verbo transitivo direto na forma analítica, acompanhado do auxiliar ser ou estar;
- verbo transitivo direto na forma sintética, acompanhado da partícula apassivadora se.

Observe:
Quando alguém ou um grupo julga uma pessoa não pelo que ela é...(ativa)
Quando uma pessoa é julgada não pelo que ela é...(passiva analítica)
Quando se julga uma pessoa não pelo que ela é...(passiva sintética)

3. Outra forma de impessoalizar a linguagem é fazer uso de alguns verbos, como haver, fazer, existir, e expressões como convém observar, é bom lembrar, é preciso considerar, não se pode esquecer, é indispensável, é importante, etc.

Observe:
Eu acho que todos devem colaborar na campanha da vacinação de idosos.
Convém que todos colaborem na campanha da vacinação de idosos.

4. O texto a seguir foi publicado numa revista brasileira alguns meses antes das Olimpíadas de Atenas e logo após a conquista da medalha de ouro por Daiane dos Santos, no Mundial de Ginástica no Rio de Janeiro. O texto apresenta marcas de pessoalidade. Identifique-as.

Vai para o pódio ou não vai?

Nunca é tarde para aprender um esporte. Neste momento, por exemplo, somos 170 milhões em ação, tentando decifrar a ginástica olímpica. Não importa que poucos entre nós sejam capazes de distinguir entre um duplo twist carpado e um duplo twist esticado sem o auxílio do replay em câmera lenta. Daqui até o início das Olimpíadas teremos tempo suficiente para aprender a avaliar um exercício de solo com precisão de três casas depois da vírgula. "Ladrões! Esse era pra no mínimo 9,689!", vociferarão pais de família, com a mesma naturalidade de quem contesta um impedimento mal marcado.
Já vimos esse filme. Até 1997, por exemplo, a palavra "saibro" não fazia parte do vocabulário cotidiano. Na nossa cultura, se algo passasse de zero para 15, fosse direto a 30 e logo depois a 40, tratava-se evidentemente de um sinal da volta da hiperinflação, e não de um sistema exótico de contagem de pontos. No entanto, bastou o Guga ser campeão em Roland Garros para que os resultados do tênis passassem a aparecer diariamente no noticiário, junto com a cotação do dólar e o ibope da novela das 9. A prolongada má fase do nosso jogador número um, contudo, ameaça relegar o tênis ao mesmo limbo habitado por esportes outrora populares, como o xadrez de Mequinho e o salto triplo de João do Pulo.
O fato é que não gostamos de esporte: gostamos é de campeões. Precisaríamos nascer de novo para aprender a apreciar uma competição esportiva como se deve. Na encarnação atual, nosso negócio é torcer. Nem todos os esportes, infelizmente, são apropriados ao nosso estilo de torcida. Ainda não se sabe como o mundo reagirá àquele mar de camisetas amarelas nas arquibancadas de Atenas berrando "Ê Ô Ê Ô, A DAIANE É UM TERROR!".
Observe o contra-senso. Somos os inventores do único esporte verdadeiramente olímpico - o frescobol, jogo singular em que não há vencedor nem vencido. Ainda assim, os esportes em que não temos chances de ser campeões nos causam a mais olímpica indiferença. Veja o caso da Fórmula 1. Alguém aí tem acompanhado as corridas de verdade, como antigamente? Duvido. A gente deixa a TV ligada, mas é só para passar o tempo, enquanto espera o Nelsinho Piquet Jr. chegar.
O mais espantoso é que, com exceção do futebol, nossos campeões mundiais surgem em esportes que nenhum brasileiro parece praticar na vida real. Antes do Guga, o Brasil só se destacava pelo roubo de tênis. Ginástica é um esporte que normalmente só praticamos com o orçamento doméstico. E nosso talento natural para o automobilismo - a saber: atravessar o sinal vermelho, ultrapassar pelo acostamento e molhar a mão do guarda - não serve para nada na hora de disputar um grande prêmio.
O difícil de torcer por esses esportes desconhecidos é aprender a conviver com a irregularidade dos atletas. São poucas as modalidades em que conseguimos manter nossa hegemonia de maneira consistente. Só existe um esporte em que não somos ameaçados por nenhum país há muitos anos: o top-modelismo. Faz pelo menos duas Copas do Mundo que Gisele Bündchen lidera o ranking, sem amarelar. O que mais podemos querer? Daiane no solo, Gisele na passarela. É! CAM-PE-ÃO! É! CAM-PE-ÃO! (Revista Época, 12/4/2004, coluna Xongas)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

FRASES-MODELO PARA O INÍCIO DA CONCLUSÃO



A conclusão deve ser sucinta, conter apenas 01 parágrafo e deve retomar a ideia principal, desenvolvida no texto, de forma convincente.
A conclusão deve conter a síntese de tudo o que foi apresentado no texto, e não somente em relação às ideias apresentadas no último parágrafo da CONCLUSÃO.
Não se devem acrescentar informações novas na conclusão, pois se ainda há informações a serem inclusas, o CONCLUSÃO ainda não terminou.

Maneiras de se fazer o parágrafo da conclusão:

 

Retomada da tese

A conclusão é a apresentação da visão geral do assunto tratado, portanto pode-se retomar o que foi apresentado na introdução e/ou na CONCLUSÃO, relembrando a redação como um todo. É uma espécie de fechamento em que se parece dizer de acordo com os exemplos/argumentos/tópicos que foram apresentados no DESENVOLVIMENTO, pode-se concluir que realmente a INTRODUÇÃO é verdadeira.

 

Perspectiva

Pode-se também apresentar possíveis soluções para os problemas expostos na CONCLUSÃO, buscando prováveis resultados (É preciso. É imprescindível. É necessário.), trabalhando com a conscientização geral. Por exemplo: É imprescindível que, diante dos argumentos expostos, todos se conscientizem de que...

 

Oração Coordenada Conclusiva

Pode-se ainda iniciar a conclusão com uma conjunção coordenativa conclusiva - logo, portanto, por isso, por conseguinte, então - apresentando, posteriormente, soluções para os problemas expostos na CONCLUSÃO.

 

Apresento, aqui, algumas frases que podem ajudar, para iniciar a conclusão. Não tomem estas frases como receita infalível. Antes de usá-las, analise bem o tema, planeje incansavelmente a CONCLUSÃO, use sua inteligência, para ter certeza daquilo que será incluso em sua dissertação.

Só depois disso, use estas frases:

Em virtude dos fatos mencionados ...
Por isso tudo ...
Levando-se em consideração esses aspectos ...
Dessa forma ...
Em vista dos argumentos apresentados ...
Dado o exposto ...
Tendo em vista os aspectos observados ...
Levando-se em conta o que foi observado ...
Em virtude do que foi mencionado ...
Por todos esses aspectos ...
Pela observação dos aspectos analisados ...
Portanto ... / logo ... / então ...

 

Após a frase inicial, pode- se continuar a conclusão com as seguintes frases:

 

... somos levados a acreditar que ...
... é-se levado a acreditar que ...
... entendemos que ...
... entende-se que ...
... concluímos que ...
... conclui-se que ...
... percebemos que ...
... percebe-se que ...
... resta aos homens ...
... é imprescindível que todos se conscientizem de que ...
... só nos resta esperar que ...
... é preciso que ...
... é necessário que ...
... faz-se necessário que ...


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

EXEMPLO DE DISSERTAÇÃO-ARGUMENTATIVA




ALTO CONSUMO X SUSTENTABILIDADE

Um modo de vida ecologicamente sustentável é o que todos almejam no século XXI, mas ao mesmo tempo ninguém quer diminuir o padrão elevadíssimo de consumo atual. Conciliar esses interesses será a tônica do porvir, porém dependerá, cada vez mais, de políticas públicas que eduquem a população, investimento em pesquisas de produtos menos impactantes ao meio ambiente e também apostar na promoção da reciclagem ainda mais.
Toda mudança positiva tem que perpassar necessariamente pela educação e pela cultura. Nada se atinge de objetivo se não for feito um trabalho sério de políticas públicas voltadas para o esclarecimento e a mudança de hábitos do povo. É desde a mais tenra idade que o cidadão aprende a dar importância ao mundo que o cerca, assim como ao todo. Por isso, projetos e programas – governamentais e não-governamentais – implantados nas escolas são urgentes: elucidarão e criarão novas formas de agir logo nas primeiras idades.
Além disso, é sumamente interessante que a ciência mundial encontre alternativas de produtos industrializáveis/comercializáveis que sejam menos degradantes ao ambiente. Aperfeiçoamento tecnológico, pesquisas científicas em universidades e empresas devem se dar as mãos para lutar por energia limpa, alimentos orgânicos, ingestão e uso consciente de água potável, entre tantas outras coisas que beneficiariam as gerações vindouras.
Da mesma forma, vê-se que o engenho e apetrechos da reciclagem se encontram incipientes. O trabalho de limpeza e de reaproveitamento de materiais que seriam destrutivos à natureza é uma forte saída para diminuir os danos do consumo mundial, pois alguns compostos inutilizados demoram-se décadas ou séculos para se decomporem, como o plástico. Incentivos fiscais a tais empresas, valorização e reconhecimento profissionais podem dar bons frutos nas cooperativas de catadores e no setor fabril que utiliza o material recolhido como matéria-prima.
Enfim, a tendência, daqui para um futuro não muito distante, é que essa preocupação com a ecologia saia das pautas do “modismo” naturalista para se tornar uma necessidade mundial. E aliar isso à compulsão consumista das massas será realmente o grande desafio do amanhã que já se aproxima. Enquanto as pessoas não aprenderem a preservar e a serem conscientes quanto às questões ecológicas do planeta, o meio ambiente irá agonizar um pouco mais!

COMENTÁRIO:


No primeiro parágrafo são estabelecidos o  tema: "modo de vida ecologicamente sustentável", e a tese: "ninguém quer diminuir o nível de consumo". Também são apresentados os três argumentos que sustentarão a tese: 1) políticas públicas que eduquem a população; 2) investimento em pesquisa; e 3) reciclagem.
Nos segundo, terceiro e quarto parágrafos cada argumento é convenientemente desenvolvido, aprofundado, com exemplos, fatos, estatísticas, enfim, com o que o redator quiser utilizar para fundamentar as ideias secundárias que servirão de marco teórico, de sustentação argumentativa. O escrevente pode dividir essa parte em argumento principal, secundários e contra-argumentos; causa e consequência; prós e contras; retrospecto histórico etc.
No último parágrafo, o quinto do texto, são retomados o tema e a tese do início (a ecologia saindo da pauta do modismo) e é feita uma observação final (críticas ou soluções), no caso em questão uma crítica (enquanto as pessoas não aprenderem a preservar e a serem conscientes quanto às questões ecológicas do planeta...) Mas o Enem, por exemplo, exige soluções para o problema, que podem ser dadas tanto no desenvolvimento quanto na conclusão. Não se esqueça. 
Boa sorte!