segunda-feira, 18 de junho de 2012

REDAÇÃO NOTA DEZ UEL



REDAÇÃO NOTA DEZ UEL/2001

O projeto de lei número 1676, de autoria do deputado Aldo Rebelo, proíbe os brasileiros de usarem termos em outras línguas na comunicação oficial, na mídia escrita, radiofônica e televisiva, na publicidade e no comércio. A imprensa debateu longamente o projeto, apresentando diferentes posicionamentos. Transcrevemos, a seguir, alguns deles:

“Estamos infectados pelo inglês. Para muitas pessoas a influência, num mundo globalizado, é natural. Há quem sustente, no entanto, que o brasileiro anda exagerando nas apropriações indébitas e fazendo a língua portuguesa sofrer de falta de personalidade”. (Istoé, 1612, 23/8/2000)

“No início do século passado, era a influência francesa que imperava no Brasil. Palavras aportuguesadas como chofer, restaurante e butique saíram de lá. Depois começamos a nos "dobrar" ao inglês com o futebol. Match, back, corner, só entendia quem jogava. Os puristas se rebelaram e quiseram até chamar o jogo de balípodo (do grego "bállein", arremessar). A prova de sabedoria da língua acabou criando terminologias nacionais, como escanteio e impedimento”. (Istoé, 1612, 23/8/2000)

“A linguista Diana Luz Pessoa, da Universidade de São Paulo, ressalva que a paixão nacional por vocábulos estrangeiros não se deve ao desconhecimento do idioma. "É uma questão de dominação cultural, mesmo. Só que língua não é questão para lei. Ninguém fala certinho por imposição", observa”. (Istoé, 1612, 23/8/2000)

“O projeto é fruto de uma ideia fora de lugar (mais uma): a de que o português falado no Brasil estaria ameaçado de extinção, assim como o mico-leão-dourado ou a arara-azul. Repete-se no terreno do idioma a mesma lengalenga que se desenrola no campo da economia. A invasão do inglês (o avanço do neoliberalismo) resultaria na derrocada da nossa inculta e bela língua (a empresa nacional). Para ilustrar essa tese, seus defensores sempre utilizam o mesmo e surrado exemplo: cartazes de lojas de shopping centeres (ops! Centros comerciais). Está certo que os abusos beiram o ridículo. Entre eles, estampar nas vitrines "sale" e "50% off" em vez de "liquidação" e "50% de desconto". No entanto, multar um lojista por uma caipirice que depõe unicamente contra ele próprio é um exagero”. (Veja, 1664, 23/8/2000)

Considere as opiniões acima e apresente o seu ponto de vista sobre o assunto. Diga se você é a favor ou contra uma lei deste tipo e apresente argumentos que amparem seu posicionamento.

Redação de aluno nota 10:
 
“Um projeto indesejável”


O projeto de lei que prevê restrições à utilização de termos estrangeiros nos meios de comunicação e no comércio não deve ser considerado uma boa ideia. A falta de conhecimento de seu idealizador, o purismo inconsequente e a falta de habilidade para analisar as causas do problema (e não seus efeitos) são motivos que justificam a inépcia da proposta.
Uma iniciativa que envolva modificações ou restrições no idioma de um país deve partir de um estudo muito bem elaborado na área de linguagem. Por meio desses estudos, chegar-se-á à conclusão de que a interinfluência linguística é fator natural na formação de qualquer língua, seja ela a portuguesa, a inglesa, a japonesa ou qualquer outra. O intercâmbio, é claro, aumenta em tempos nos quais os meios de comunicação se encontram em sua fase áurea, rompendo as barreiras geográficas que antes dificultavam a interação cultural e, consequentemente, linguística entre os povos.
Além disso, deve-se considerar que a iniciativa de "preservar" o idioma não é novidade nem atributo exclusivo do Brasil. Houve época em que os termos de outra língua internacional dominante - o francês - estiveram na berlinda. Não faltaram intelectuais conservadores que condenassem a "apropriação indébita" de galicismos, como se eles ameaçassem a nossa soberania e identidade linguísticas. Na França, atualmente um dos países mais conservadores em se tratando de idioma, existe uma política de protecionismo linguístico, a qual tenta desestimular, sem motivos plausíveis, a adoção de expressões estrangeiras, principalmente as inglesas.
O que as nossas autoridades deveriam levar em conta na verdade são as causas, e não as consequências da "invasão" de estrangeirismos no Brasil. Se a utilização do inglês, por exemplo, confere prestígio a algumas pessoas, isso se deve ao fato de os Estados Unidos serem o país de economia e, por consequência, cultura dominantes no mundo. Da mesma maneira como na época de dominação (e decadência) romana até os bárbaros queriam se apropriar do latim, que representava a cultura dominante, cá estamos atualmente, os países "bárbaros" do Terceiro Mundo, utilizando-nos da língua, da música, dos costumes e das ideias do império americano. Vê-se, assim, que a apropriação linguística é somente uma das várias provas de nossa submissão aos estadunidenses. Se se restringir a dinâmica linguística, também seremos proibidos de desfrutar outros produtos de sua cultura?
Logo, não é difícil enxergar que a ideia do deputado Aldo Rebelo não deve sair do papel. É, sem dúvida alguma, um “show” de incongruências.

COMENTÁRIO:
Você deve ter percebido que o texto acima é uma dissertação argumentativa. O autor expôs, logo no primeiro parágrafo, a sua tese, a sua opinião sobre o polêmico projeto de lei do deputado Aldo Rebelo. E, para comprová-la, utilizou-se, nos três parágrafos subsequentes, de argumentos sólidos e convincentes.  Em “Um projeto indesejável” é nítido o objetivo de convencer e opinar.

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