quinta-feira, 14 de março de 2013

A POESIA MARGINAL

        A poesia convencionalmente chamada de marginal é aquela produzida por autores que editam seus textos com recursos próprios e de várias maneiras.
Muitas vezes, nesse tipo de poesia, o papel é substituído por tecido e objetos.  Os livros que as poesias marginais compõem são de aspecto precário se comparados com edições convencionais.
Nos tristes anos 70, diante da forte repressão sociopolítica desencadeada pela ditadura militar e do desinteresse da indústria editorial, a poesia rompeu o compromisso com a realidade e com o intelectualismo modernista e passou a ser marginal, anárquica e diluidora.

VISÃO DA POESIA MARGINAL PARA OS POETAS

Muitos poetas ainda vivem a discriminação das editoras, tendo de confeccionar seus próprios poemas, mimeografá-los e reuni-los em um livreto muito precário. Pode se dizer que utilizam a mesma técnica do cordel.
Para os poetas marginais, não havia uma forma definida para o poema, tudo era válido, pois o poema para eles era vida. Faziam uso de uma linguagem "livre" e expunham o que queriam escrever da forma que bem entendessem, até mesmo com palavrões e vulgaridades, pois  para eles qualquer expressão era poesia.
Esse tipo de poesia, marginal,  foi desenvolvido sob a mira da polícia e dos políticos. Eram manifestações de protesto e denúncias que compunham poemas mal-acabados, irônicos e coloquiais, que muitas vezes zombavam da cultura e do próprio poeta. Os poetas vendiam seus poemas na praia ou em praças, declamando-os em bate-papos de botecos e entre amigos em esquinas.

Antonio Carlos de Brito assinou seus poemas e suas músicas com o pseudônimo Cacaso. Sua estréia literária, em 1967, foi com o volume de poesia A Palavra Cerzida, em que se notam influências de poetas da modernidade como Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto. Já em 1970, com Grupo Escolar, mudam-se os eixos de sua poesia, que passa a ter uma linguagem metafórica, cifrada, caricatural e irônica, muitas vezes com a presença da paródia, na qual o poeta marginal usa o espaço do poema para desprezar fatos de sua vida particular ou fazer suas confissões íntimas.

POEMAS:
Jogos florais                                     
I                                                     
Minha terra tem palmeiras                 
onde canta o tico-tico                        
Enquanto isso o sabiá                       
vive comendo o meu fubá.               

Ficou moderno o Brasil                      
ficou moderno o milagre:                   
a água já não vira vinho,                  
vira direto vinagre.                            
Jogos florais

II
Minha terra tem Palmares
memória cala-te já.
Peço licença poética
Belém capital Pará.

Bem, meus prezados senhores
dado o avançado da hora
errata e efeitos do vinho
o poeta sai de fininho.
(será mesmo com dois esses que se escreve paçarinho?)

Ana Cristina César criou-se entre Niterói, Copacabana e os jardins do velho Bennet. Fez sua primeira viagem pelo mundo em 1968, quando passou um ano em Londres. Retornou ao Brasil, deu aulas, cursou Letras, escreveu para revistas e jornais alternativos, participou da antologia 26 Poetas, publicou pela Funarte uma pesquisa sobre literatura e cinema, fez mestrado em Comunicação e lançou seus primeiros livros — Cenas de Abril e Correspondência Completa — em edições independentes. Dez anos depois, voltou para a Inglaterra, onde editou Luvas de Pelica. Em seu retorno ao Brasil, fixou residência no Rio de Janeiro. Trabalhou com jornalismo, televisão e escreveu A Teus Pés. Em 29 de outubro de 1983, Ana Cristina César suicidou-se.
Os versos de Ana Cristina César são, no final do século XX, ponto de partida para a poesia que se fez nova.

POEMA:
Tenho uma folha branca
                       e  limpa à minha espera:
mudo convite
tenho uma cama branca
                       e  limpa à minha espera:
mudo convite
tenho uma vida branca
                       e  limpa à minha espera
(CÉSAR, Ana Cristina. Inéditos e dispersos. São Paulo : Brasiliense, 1991.)

O curitibano Paulo Leminski nasceu em Curitiba (PR), em 24 de agosto de 1944. Foi poeta, filósofo, humorista, professor de história e redação em cursos pré-vestibulares, artista gráfico, compositor e tradutor. Era um vulcão de idéias e produção. Publicou seus primeiros poemas na revista Invenções, em 1964, que na época era a porta-voz da poesia concreta paulista.
Escrevia com tal intensidade de alegria e sofrimento, que a paixão pela poesia o caracterizou como um dos poetas mais completos de sua geração. Conseguiu reunir contradições suficientes e intensas para ser, ao mesmo tempo, escritor, poeta, prosador, tradutor, letrista de música popular e jornalista cultural.
Amadureceu em clima provinciano e absorveu, a seu modo, a contracultura dos anos 60: assimilava as conquistas do concretismo, mas articulava sua poesia com estilos breves, muitas vezes em forma de haicais*, provérbios, ditados e trocadilhos* infames em linguagem coloquial, abrindo mão, muitas vezes, do rigor poético.
Leminski, em suas obras, apresenta temas e preocupações político-poéticas ao mesmo tempo de maneira culta e bem humorada. Foi com Leminski que o haicai encontrou, fora da comunidade japonesa, a melhor e a mais conhecida realização no Brasil.
Além de ser tradutor e biógrafo, Leminski compôs, só ou em parcerias, com nomes importantes da MPB de seu tempo, como por exemplo, Milton Nascimento, Caetano Veloso, músicas que alcançaram algum sucesso.
Desde sua morte, em 7 de junho de 1989 a Fundação Cultural de Curitiba, celebra a multiprodução do poeta curitibano por meio do evento multimídia Perhappiness.

*Haicai: poema japonês constituído de três versos, dos quais dois são pentassílabos (cinco sílabas) e um, o segundo, heptassílabo (sete sílabas).

*Trocadilho: jogo de palavras parecidas no som e diferentes no significado que dá margem a equívocos.

CURIOSIDADE:
Catatau, primeiro livro escrito por Leminski, em 1960, mas publicado somente em 1975, é um projeto que Otávio Bezerra pretende realizar em filme. É uma idéia desafiadora por se tratar de um livro que o próprio escritor dizia não ser romance, conto ou novela e nem mesmo prosa ou poesia, ensaio ou ficção. Para ele, era uma fusão ou uma superação dessas categorias todas. Dizia ser a encarnação cibernética do ruído. Suas palavras: "E você pensa que eu vou passar minha vida fazendo um troço tão sem imaginação quanto escrever um livro?" Ainda reagiu dizendo: "Catatau é um rigor delirante ou um delírio rigoroso, não pretendo repetir a experiência."

POEMA:
eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não censura
um olhar que demora

de dentro do meu centro
este poema me olha
(LEMINSKI, Paulo. Caprichos e relaxos. São Paulo : Brasiliense, 1983. p. 15.)

terça-feira, 12 de março de 2013

A ARTE DO HAICAI


O haicai

O haicai é uma forma poética que se originou no Japão no século XVI. Muito difundido naquele país, vem se espalhando por todo o mundo desde o início do século XX. Possui uma longa história que retoma a filosofia espiritualista e o simbolismo. Sua composição obedece a regras bem definidas; entretanto, existem poemas baseados em apenas algumas das suas características.
Mais do que inspiração, é preciso meditação, esforço e principalmente percepção para a composição de um verdadeiro haicai.




O QUE É O HAI CAI

O haicai – haiku* – se caracteriza pela brevidade da sua forma.
Com o poeta Matsuo Bashô, um dos nomes mais importantes da Literatura Japonesa, o haicai ganha a definição, a grandeza e a solenidade que o distinguem até hoje. Apesar de possuir uma estrutura menor que a dos demais poemas, agrega profundidade e expressão existencial.
No Brasil, o haicai chegou no início do século XX e hoje conta com adeptos famosos como Afrânio Peixoto, Guilherme de Almeida, Haroldo de Campos, Millôr Fernandes, Paulo Leminski, Helena Kolody, entre outros.

*Haiku: nome dado ao haicai no Japão e na maioria dos países do mundo.

Um "HAIKU" famoso de Bashô, 1686: 



  
Haiku escrito por Bashô no Japão, em 1686. Provavelmente, é o haicai mais famoso de todos os tempos.

O Haiku acima foi interpretado por R.H. Blyth da seguinte forma:

"O tanque é velho, em um velho jardim. As árvores são velhas de outras eras e seus troncos esverdeados pelo mesmo musgo que cobre as pedras. O grande silêncio remonta a eras anteriores ao homem e seus ruídos. Uma rã salta. O jardim inteiro, o universo inteiro contido em um simples chape – som que está além do som e do silêncio, e ainda assim é o som da água do velho tanque".

POETAS

Afrânio Peixoto foi um dos primeiros cultivadores do haicai no Brasil. A ele se seguiram vários outros, mas foi apenas com Guilherme de Almeida que o haicai se popularizou, dado o prestígio do poeta e a boa qualidade de alguns dos poemas.
Fora da comunidade japonesa, Leminski representa a melhor e a mais conhecida realização de haicais no Brasil. Pode-se dizer que seus haicais não se parecem muito com o haiku, tal como é feito hoje em japonês, mas não há a menor dúvida de que na sua poesia se encontram presentes, em alto grau, algumas das qualidades mais notáveis do haicai, como as que foram descritas e difundidas em língua inglesa.

MAIS SOBRE O HAICAI

Haicai é um poema de origem japonesa, que chegou ao Brasil no início do século 20 e hoje conta com muitos praticantes e estudiosos brasileiros. No Japão, e na maioria dos países do mundo, é conhecido como haiku.
Segundo Harold G. Henderson, em Haiku in English, o haicai clássico japonês obedece a quatro regras:

·                     Consiste em 17 sílabas japonesas, divididas em três versos de 5, 7 e 5 sílabas
·                     Contém alguma referência à natureza (diferente da natureza humana)
·                     Refere-se a um evento particular (ou seja, não é uma generalização)
·                     Apresenta tal evento como "acontecendo agora", e não no passado.

No transplante do haicai para outros países, algumas das regras anteriores são seguidas com maior ou menor fidelidade, enquanto outras podem ser mesmo ignoradas, dependendo de cada poeta ou da escola seguida. Nestas páginas, tentaremos definir o haicai escrito em português, especialmente a partir do ponto de vista do Grêmio Haicai Ipê, grupo que se reúne desde 1987 para estudar e praticar esta forma poética.

domingo, 10 de março de 2013

A CARTA ABERTA



A Carta Aberta

É um gênero diretamente ligado com o direito que cada cidadão tem de se manifestar diante dos problemas que o afligem.

CARACTERÍSTICAS:

o  Remetente: grupos de pessoas, entidades.
o  Destinatário: população, grupos políticos, representantes.
o  Objetivo: alertar, persuadir, protestar.
o  Tema: problema que motivou a escrita da carta.
o  Meio: rádio, tv, internet, reuniões, distribuição de folhetos.

PARTE ESTRUTURAL:

o  Estrutura: relativamente livre, porém organizada em introdução (que situa o problema); desenvolvimento (análise do problema e apresentação dos argumentos que fundamentam o ponto de vista dos autores); conclusão (em que geralmente se solicita uma mudança, atitude ou resolução do problema).
o  Pessoa e tempo verbal: na 1ª do plural (nós) e predominantemente no presente.
o  Intenção: ampliar o alcance das informações e ganhar o apoio da população envolvida na questão. 


EXEMPLO: Carta aberta para Renato Aragão, o nosso Didi.


Quinta, 23 de julho de 2008.

Querido Didi,

Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu Nome para colar nas correspondências).
Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas a mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.
Não foi por 'algum' motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última Carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.
Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno e nem priorizo as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a frequentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da minha família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não Mata ninguém. Muito pelo contrário, faz bem! Estudei na escola da zona rural, fiz Supletivo, estudei à distância e muito antes de ser Jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.
Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos Impostos embutidos em cada alimento, em cada produto ou serviço que preciso comprar para o sustento e sobrevivência da minha família.
Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais.
O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não têm a educação como prioridade. Pois a educação tira a subserviência e esse fato, por si só não interessa aos políticos no poder. Por isso, o dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal. Para você ter uma ideia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda? Você pode ajudar a mudar isso! Não acha?
Você diz em sua Carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua Carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. Ele é 'o cara'. Ele tem a chave do Cofre e a vontade Política para aplicar os recursos. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas do país, sem nenhum tipo de distinção ou discriminação. Mas, infelizmente, não é o que acontece...
No último parágrafo da sua Carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da 'minha' doação, que a 'minha' doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.
Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho. Isso significa que o governo leva mais de um terço de tudo que eu recebo e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.
Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.
Outra coisa Didi, mande uma Carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os ministros e professores das escolas públicas. Só escolher quem, de fato, tem vocação para ser ministro e para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação.
Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas possa desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.
Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando...

Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari.

P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal-educada: vou rasgá-la antes de abrir.

sexta-feira, 8 de março de 2013

OS CONECTIVOS: PREPOSIÇÃO & CONJUNÇÃO


preposição

         Preposições: ligam palavras e orações, isoladamente NÃO possuem função sintática, possuem na frase um valor semântico.
         A função da preposição é subordinar um termo ao outro.

Ex: O chefe da nação sentiu-se ameaçado.

Classificação das preposições

As preposições podem ser:

         Essenciaisa, ante, até, após, com, contra, de desde, em, entre, para, perante, por,sem, sob, sobre.
         Acidentais – afora, consoante, durante, exceto, fora, mediante, salvo, senão, visto.
         Locuções Prepositivas – ao lado de, antes de, além de, com respeito a (...) *Na LP, a última palavra sempre é uma preposição.

Exemplos:   Lutou contra mim.
                    Confiava a mim seus segredos.
                    Todos comeram, salvo tu.

Relações semânticas da preposição

         As preposições podem exprimir vários sentidos:
1- Modo – Comeu um bife a cavalo.
2- Preço – A casa foi avaliada em 1 bilhão.  
3- Direção – Atirou-se sobre o herói.
4- Companhia – Foram viajar com os amigos.
5- Instrumento – Martelava com o ferro.
6- Procedência – Vim de Paris.
7- Assunto – Falou sobre linguística.
8- Tempo – Por dez anos vivi em Londres.
9- Lugar – Cantava pelos bares da vida.
10- Posição inferior – O livro estava sob a carteira.
11- Posição superior – O livro estava sobre a carteira.

Coesão e preposição

         Confio em você.
        regente  +   regido

Observe:
         Dá-se chance a garoto com curso primário completo, que saiba conversar com adultos, de cuidar de enfermos em descanso na praia. 
(Quando o termo regente está distante do termo regido há problemas de coesão).

Conjunção

A conjunção, além de ligar palavras ou orações, dá uma direção argumentativa ao texto e estabelece uma relação semântica entre as orações.
 As conjunções podem ser:
1- Coordenativas
2- Subordinativas

Conjunções coordenativas

1- Aditivas: ideia de soma, adição. Ex: Saio feliz e volto cansada. ( e, nem, mas também...)
2- Adversativas: ideia de oposição, contraste. Ex: Estarei em casa, mas não vou atendê-lo. ( mas, porém, todavia,contudo, no entanto...)
3- Alternativas: ideia de alternância. Ex: Caso ou viajo? (ou...ou, ora...ora, quer...quer)
4- Conclusivas: ideia de conclusão de um pensamento. Ex: Ela é nova, portanto não irá namorar. ( logo, portanto, por isso, pois ( após o verbo) . Ex: Ela é catanduvense, é, pois, boa gente.
5- Explicativas: ideia de explicação, razão, motivo. Ex: Não brinque com fogo, porque é perigoso. (porque, que, pois (antes do verbo) – Ela passou no vestibular, pois estudou muito.

Conjunções subordinativas – classificação

1- Integrantes – fazem parte da regência de um verbo ou nome; integram uma oração substantiva. EX: Eu disse que ele viria. ( que/ se).
2- Causais – exprimem causa, razão. Toda causa pressupõe uma consequência. Ex: Como ela gritou não disse nada. ( porque, que, pois, visto que, já que, uma vez que).
3- Comparativa – ideia de comparação. Ex: João teimou como um burro. (como, mais que, pior que, melhor que...)
4- Concessivas – fato contrário ao que se encontra na oração principal, ainda que não seja suficiente para anulá-lo. Ex: Vou ao baile, mesmo que chova. (embora, se bem que, mesmo que, ainda que, conquanto...)
5- Condicionais – ideia de condição, hipótese. Ex: Desde que comesse, eu cozinharia. ( se, caso, desde que, contanto que...)
6- Conformativas – ideia de concordância, conformidade. Ex: Conforme lhe disse, viajarei amanhã. ( segundo, conforme,como)
7- Consecutivas – consequência, efeito do que foi expresso anteriormente. Ex: Ela comeu tanto que passou mal. (que – acompanhado de tão...que, tanto...que, tamanho...que, tal...que)
8- Temporais – ideia de tempo. Ex: Mal o filme começara, ela sentiu-se mal. (quando, mal, logo que, sempre que, assim que...)
9- Finais – ideia de finalidade. Ex: Estudamos bastante a fim de que passássemos no vestibular.
10- Proporcionais – ideia de proporcionalidade, simultaneidade. Ex: Quanto mais economizava, mais sentia prazer. (à proporção que, à medida que, quanto mais, quanto menos...)

Polissemia das conjunções

Polissemia – os vários sentidos, valores semânticos diferentes, dependendo o contexto.

MAS – Terás o dinheiro, mas apenas parte dele. (restrição)
            Falou com a professora, mas arrependeu-se. (retificação)
            Estava triste, mas disfarçava. (atenuação)
            Estudou muito, mas foi reprovada. ( não compensação)
            Perdeu o ano, mas conheceu vários países. (compensação)
            Mas e o seu pai? Deixou? (situação, assunto)

Polissemia das conjunções: E / COMO/SE

E – Estudou muito e foi reprovado. (oposição).
      Estudou muito e passou.  (conclusão, consequência.)
      Era homem e muito homem! (explicação enfática)
      Saiu do escritório e foi para casa. (adição)
      E o Palmeiras? Ganha o campeonato? (assunto/ situação)
COMO – Dormia como um anjo. (comparação)
      Como era pobre não pode estudar. (causa)
      Ensinava os colegas como o mestre o orientou. (conformidade) 

SESe não foi uma ofensa a todos, ainda assim insultou os jovens. (concessão)
     Se não chover irei a sua casa. (condição). 

quarta-feira, 6 de março de 2013

SORRIR É O REMÉDIO II


Como as intempéries da vida nos levam sempre aos descaminhos nem sempre planejados das nossas existências, a única saída é realmente sorrir, para não dar vazão a nenhuma depressão inconveniente ou oportunista.
E foi assim que fiz mais uma vez, sentado à beira da praia e ouvindo as estarrecedoras estórias de um amigo desavisado que, como sempre, merece a divulgação, sempre na tentativa humílima de divertir e dar certa leveza aos dias quentes de verão que estamos vivendo.
Antigamente, o carnaval de Itabuna era comemorado em plena avenida do Cinquentenário. E nosso amigo contador de “causos”, devidamente omitido o nome, estava tomando conhaque Cinco Estrelas, a noite toda, na barraca do colega e amigo bancário de alcunha Tijolão.
Saindo da festa de Momo amanhecendo o dia, travado, trocando as pernas, dirigiu-se à sua residência, tomou banho, pegou uma mochila e partiu para a rodoviária, ia a Santo Antônio de Jesus, atrás da namorada, pois a visitava de 15 em 15 dias.
Chegou na rodoviária, mostrou a passagem e sentou-se na poltrona do ônibus da Águia Branca, cochilou rápido. Bêbado, pocado, o sono parece uma eternidade. Aquela coisa de um minutinho só. Quando se deu conta, o veículo estava trafegando em direção à BR 101, na altura da, hoje, garagem da Rota. Quando viu os ônibus ali estacionados, se desesperou, dando uma de valente:
- Para o ônibus, para o ônibus! Que eu vou para Santo Antônio de Jesus, peguei o ônibus errado! – imaginando estar indo em direção contrária, em lado oposto.
O cobrador tentou amenizar, segurando-lhe o braço:
- Não, moço...
- Me larga, me larga, me larga...
- Moço, você está dentro do ônibus para Santo Antônio...
Ele, totalmente em paranoia, misto de ressaca e sono:
- Me larga, me larga, me larga, que eu tenho que ir para Santo Antônio de Jesus!
Aquela confusão infrene alardeou todos os passageiros, despertando-os para a loucura do caso inusitado em questão.
O motorista se zangou e encostou no posto de gasolina ao lado e ele se dirigiu à rodoviária. Chegando lá, percebeu a besteira que fez:
- Ih, eu tava no ônibus... E agora?
Pegou um táxi e foi atrás do automóvel, só alcançando-o em Ubaitaba. Pagou um dinheiro da zorra pela corrida.
Com a maior cara de pau, foi subindo no ônibus, o motorista quando viu, foi logo dizendo:
- Aqui você não vai entrar, não!
Ele tentou contemporizar:
- Não, o senhor me desculpe aí, passou já... É que eu amanheci no carnaval de Itabuna, estou meio desnorteado... mas já tou beleza já... já sarei já!...
E sob os olhares desconfiados de todos os que assistiam a cena, principalmente da senhora que estava na poltrona ao seu lado, ele subiu de novo no buzu, podendo, enfim, tirar o seu sagrado sono de folião ensandecido, enquanto as rodas singravam o asfalto em direção à cidade desejada.
* Gustavo Atallah Haun é professor, formado em Letras, UESC, e ministra aula em Itabuna e região. Escreve para jornais de Itabuna, Ilhéus e edita oblogderedacao.blogspot.com (g_a_haun@hotmail.com). É maçom, da Loja Acácia Grapiúna.

segunda-feira, 4 de março de 2013

O QUE É POLÍTICA, PAI ?

(O AUTOR DESSA PIADA DEVERIA GANHAR UM PRÊMIO!!!)

Pai, eu preciso fazer um trabalho para a escola! 
Posso te fazer uma pergunta?
Claro, meu filho, qual é a pergunta? 
O que é política, pai?
Bem, política envolve: Povo; Governo; Poder econômico; Classe trabalhadora; Futuro do país. 
Não entendi, dá para explicar?
Bem, vou usar a nossa casa como exemplo:
Sou eu quem traz dinheiro para casa, então eu sou o poder econômico.
Sua mãe administra e gasta o dinheiro, então ela é o governo.
Como nós cuidamos das suas necessidades, você é o povo. 
Seu irmãozinho é o futuro do país. 
A Zefinha, babá dele, é a classe trabalhadora.
Entendeu, filho?
Mais ou menos, pai vou pensar..
Naquela noite, acordado pelo choro do irmãozinho o menino foi ver o que havia de errado.
Descobriu que o irmãozinho tinha sujado a fralda e estava todo emporcalhado. Foi ao quarto dos pais e viu que sua mãe estava num sono muito profundo. Foi ao quarto da babá e viu através da fechadura o pai transando com ela.
Como os dois nem percebiam as batidas que o menino dava na porta, ele voltou para o quarto e dormiu. Na manhã seguinte, na hora do café, ele falou para o pai:
Pai, agora acho que entendi o que é política...
Ótimo filho! Então me explica com suas palavras.
Bom pai, acho que é assim:
Enquanto o poder econômico fode a classe trabalhadora, o governo dorme profundamente. O povo é totalmente ignorado e o futuro do país fica na merda!!!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

FIQUE DE OLHO!




É muito importante ao fazermos concursos e vestibulares nos atentarmos para o Edital, no que concerne à correção e aos critérios adotados para as questões subjetivas, principalmente a redação.

Em um recente concurso para a Polícia Militar o referido Edital constava os aspectos que anulariam a prova de produção de texto. São eles:


9.6.3 O candidato terá sua redação avaliada com nota 0 (zero), e estará, automaticamente, eliminado do Concurso Público se:
a) não desenvolver o tema proposto, ou seja, fugir ao tema proposto;
b) não desenvolver o tema no gênero ou tipologia textual exigida;
c) apresentar acentuada desestruturação na organização textual ou atentar contra o pudor;
d) redigir seu texto a lápis ou a tinta em cor diferente de azul ou preto;
e) desenvolver o texto com menos de 20 (vinte) linhas ou mais de 30 (trinta) linhas;
f) redigir seu texto com menos de 200 (duzentas) palavras;
g) não for apresentada na versão definitiva ou for entregue em branco ou desenvolvida com letra ilegível; com espaçamento excessivo entre letras, palavras, parágrafos e margens.
h) apresentar identificação de qualquer natureza (nome parcial, nome completo, outro nome qualquer, número(s), letra(s), sinais, desenhos ou códigos).


Fique atento, de olho, para não engolir mosca! E depois ficar choramingando, querendo abrir processo contra a empresa que elaborou as provas.

Ler o edital, ou seja, conhecer as regras e as perspectivas da banca examinadora, é fundamental para o sucesso do concurseiro!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

TEXTOS INCOERENTES?


Leia os textos abaixo e marque se é coerente ou não:

O assédio em si trás no meio um poder aquisitivo escondendo ao trabalho, assim podendo fazer e refazer, adicionando o sentido, junto a essa conduta de mulher ideal. Não querendo ser prejudicial ao método agressivo, mas ao jeito decisivo a maneira pela força que o traz da forma de agir. A teimosia circunstancial vem devido ao exotismo da participação com credibiloso contraste à elevacidade do adultério da simples cena de uma turbulência a um ser precioso”.
(Trecho de dissertação de um aluno do ensino médio/MEC – Provão)
 SIM(    )    NÃO (   )

A safira pertenceu originalmente a um sultão que morreu em circunstâncias misteriosas, quando uma mão saiu de seu prato de sopa e o estrangulou. O proprietário seguinte foi um lorde inglês, o qual foi encontrado certo dia florindo maravilhosamente numa jardineira. Nada se soube da jóia durante algum tempo. Então, anos depois, ela reapareceu na posse de um milionário texano que se incendiou enquanto escovava os dentes.”
(Anônimo)
 SIM(    )    NÃO (   )

Os urubus eram tantos que formavam nuvens negras e nem assim davam conta de devorar os milhares de cadáveres. Muitos secavam ao sol, impregnando o sertão de um cheiro indescritivelmente podre. Cachorros, cujos donos também jaziam mortos por ali, acostumaram-se a comer carne humana e apavoravam os poucos desavisados que ousassem visitar a região. Do arraial, restavam escombros, onde antes havia duas igrejas, e montes de cinza, no lugar das casas de barro.”
(BURGIERMAN, Denis Russo. In.: Superinteressante, ano 14, n.2, fev., 2000, p. 37)
 SIM(    )    NÃO (   )

A ciência já demonstrou que o consumo exagerado de bebidas alcoólicas é extremamente prejudicial à saúde. Adolescentes, aos dezesseis anos, ainda não têm maturidade suficiente para avaliar os malefícios que o consumo imoderado dessas bebidas lhes poderá causar. Além disso, nessa idade, gostam de novidades e, como muitas vezes são tímidos, utilizam-se de bebidas alcoólicas para ficar extrovertido sem pensar nas conseqüências nefastas desse tipo de atitude. Por esses motivos, a lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas para menores de dezoito anos deveria ser revogada”.
(Anônimo)
SIM(    )    NÃO (   )